{"id":34789,"date":"2026-04-07T11:29:22","date_gmt":"2026-04-07T14:29:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=34789"},"modified":"2026-06-07T18:24:40","modified_gmt":"2026-06-07T21:24:40","slug":"setor-de-maquinas-agricolas-recua-17-no-primeiro-bimestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/setor-de-maquinas-agricolas-recua-17-no-primeiro-bimestre\/","title":{"rendered":"Setor de m\u00e1quinas agr\u00edcolas recua 17% no primeiro bimestre e produtores adiam investimentos diante do cr\u00e9dito caro e da alta do diesel"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O setor de m\u00e1quinas agr\u00edcolas abriu 2026 com um sinal de alerta. Nos dois primeiros meses do ano, as vendas recuaram 17% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2025, somando R$ 8 bilh\u00f5es em neg\u00f3cios, segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq). A proje\u00e7\u00e3o para o restante do ano n\u00e3o \u00e9 animadora: a entidade estima queda de 8% no acumulado de 2026, num cen\u00e1rio em que juros elevados, inadimpl\u00eancia crescente e instabilidade internacional se somam para conter o apetite do produtor rural por novos equipamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mercado interno concentrou R$ 6,8 bilh\u00f5es desse total, o equivalente a 85% das vendas do bimestre. As exporta\u00e7\u00f5es avan\u00e7aram 9%, atingindo cerca de R$ 1,2 bilh\u00e3o, mas o crescimento externo est\u00e1 longe de compensar o que se perdeu dentro do pa\u00eds. Tratores e colheitadeiras, os dois produtos mais representativos do setor, puxaram a queda: as vendas de tratores recuaram quase 16%, com pouco mais de mil unidades entregues, enquanto as colheitadeiras registraram retra\u00e7\u00e3o ainda mais severa, de 40%, com apenas 309 unidades comercializadas nos dois primeiros meses.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Diesel e adubos: custo de produ\u00e7\u00e3o pressiona a decis\u00e3o de compra<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos fatores que mais pesam sobre a decis\u00e3o de renovar o maquin\u00e1rio \u00e9 o custo operacional da propriedade. A guerra no Oriente M\u00e9dio empurra o pre\u00e7o internacional do petr\u00f3leo para cima, e esse movimento se transmite diretamente ao diesel consumido no campo, encarecendo o plantio, a colheita e o transporte da produ\u00e7\u00e3o. Adubos nitrogenados, cuja fabrica\u00e7\u00e3o depende do g\u00e1s natural, tamb\u00e9m sofrem press\u00e3o de alta, comprimindo ainda mais a margem do produtor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pedro Estev\u00e3o Bastos, presidente da C\u00e2mara Setorial de M\u00e1quinas e Implementos Agr\u00edcolas da Abimaq (CSMIA), reconhece os esfor\u00e7os do governo federal para conter os impactos da alta do diesel, mas avalia que o problema estrutural persiste. <em>&#8220;A gente v\u00ea sim uma boa vontade do governo, mas vai aumentar o custo, j\u00e1 aumentou. Quanto aos adubos nitrogenados, \u00e9 mais dif\u00edcil ainda, vai aumentar o custo, ent\u00e3o n\u00e3o tem muito o que fazer&#8221;<\/em>, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A disparidade entre o pre\u00e7o interno e o externo do diesel \u00e9, para Bastos, o ponto mais cr\u00edtico dessa equa\u00e7\u00e3o. O executivo descreve o que vem pela frente como uma &#8220;avalanche&#8221; de press\u00e3o de custos, o que coloca o produtor diante de uma escolha dif\u00edcil: manter o caixa preservado ou comprometer capital em equipamentos novos num momento de margem apertada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Inadimpl\u00eancia acima do dobro da m\u00e9dia hist\u00f3rica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do custo do insumo, o endividamento do setor revela o grau de tens\u00e3o financeira que se acumulou nas propriedades rurais. A inadimpl\u00eancia no segmento de m\u00e1quinas agr\u00edcolas est\u00e1 pr\u00f3xima de 7%, \u00edndice significativamente acima da m\u00e9dia hist\u00f3rica, que girava em torno de 1,5%. Fora do Plano Safra, o percentual sobe para cerca de 13%, um patamar que acende o sinal vermelho nas institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consequ\u00eancia direta \u00e9 a mudan\u00e7a no comportamento dos bancos. Diante do descumprimento de pagamentos em escala crescente, as institui\u00e7\u00f5es passaram a exigir mecanismos mais robustos de garantia, como a aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria da propriedade rural, como condi\u00e7\u00e3o para liberar cr\u00e9dito. Isso representa uma barreira adicional para produtores que dependem de financiamento para adquirir novos equipamentos, especialmente os de menor porte, que historicamente acessam linhas de cr\u00e9dito subsidiadas dentro do Plano Safra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cr\u00e9dito restrito e juros altos determinam o ritmo do setor<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ambiente de juros elevados no Brasil aprofunda esse quadro. Com a taxa Selic pressionada, o custo do cr\u00e9dito rural fora das linhas subsidiadas encarece o financiamento de m\u00e1quinas, tornando a renova\u00e7\u00e3o do maquin\u00e1rio uma decis\u00e3o cada vez mais postergada. O produtor que precisaria trocar um trator com dez anos de uso calcula hoje se o retorno produtivo do novo equipamento justifica o custo financeiro da opera\u00e7\u00e3o, e em muitos casos a resposta tem sido n\u00e3o. Esse comportamento \u00e9 observado com aten\u00e7\u00e3o pelo mercado. Daniela Amorim, analista do setor de bens de capital agr\u00edcola, avalia que o produtor brasileiro est\u00e1 mais seletivo na aloca\u00e7\u00e3o de capital. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;O produtor que antes trocava o equipamento a cada cinco ou seis anos agora est\u00e1 alongando esse ciclo para oito ou dez anos. Ele prefere investir em manuten\u00e7\u00e3o e colher o equipamento at\u00e9 o limite do que assumir uma d\u00edvida cara num momento em que a rentabilidade da safra j\u00e1 est\u00e1 apertada&#8221;<\/em>, analisa.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse ciclo mais longo de uso dos equipamentos tamb\u00e9m aumenta o risco operacional nas propriedades, j\u00e1 que m\u00e1quinas mais velhas est\u00e3o mais sujeitas a falhas durante a colheita, janelas de tempo que n\u00e3o comportam paradas t\u00e9cnicas prolongadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Exporta\u00e7\u00f5es crescem, mas n\u00e3o sustentam o setor sozinhas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O avan\u00e7o de 9% nas exporta\u00e7\u00f5es de m\u00e1quinas agr\u00edcolas no primeiro bimestre mostra que a ind\u00fastria brasileira tem competitividade no mercado externo, especialmente em pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e da \u00c1frica, onde a demanda por equipamentos agr\u00edcolas segue em expans\u00e3o. Contudo, o mercado interno responde por 85% do faturamento do setor, o que torna qualquer retra\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica imposs\u00edvel de ser compensada apenas pelo desempenho externo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A combina\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito restrito, diesel caro, adubos em alta e inadimpl\u00eancia elevada projeta um 2026 de ajuste para fabricantes e revendas de m\u00e1quinas agr\u00edcolas no Brasil. Para o produtor rural, a equa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais direta: renovar o maquin\u00e1rio depende menos da vontade de modernizar a propriedade e mais da capacidade de absorver o custo financeiro dessa decis\u00e3o num cen\u00e1rio que, por ora, n\u00e3o oferece folga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor de m\u00e1quinas agr\u00edcolas abriu 2026 com um sinal de alerta. 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