{"id":34812,"date":"2026-04-08T16:38:38","date_gmt":"2026-04-08T19:38:38","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=34812"},"modified":"2026-05-17T15:56:06","modified_gmt":"2026-05-17T18:56:06","slug":"o-que-e-bokashi-e-por-que-ele-esta-no-canteiro-de-quem-entende-de-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/o-que-e-bokashi-e-por-que-ele-esta-no-canteiro-de-quem-entende-de-solo\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 Bokashi e por que ele est\u00e1 no canteiro de quem entende de solo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu descobri o bokashi meio por acaso. Estava procurando uma forma de aproveitar os res\u00edduos org\u00e2nicos que se acumulam aqui na Mel Garden, entre folhas, cascas de frutas, restos de poda e sobras de substrato, sem precisar esperar meses pela compostagem convencional. Uma cliente me falou sobre a t\u00e9cnica. Pesquisei, tentei, errei um pouco, acertei bastante. Hoje n\u00e3o consigo imaginar minha floricultura sem ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bokashi \u00e9 um composto fermentado de origem japonesa. O nome vem do japon\u00eas e significa, grosso modo, &#8220;mat\u00e9ria org\u00e2nica fermentada&#8221;. A t\u00e9cnica foi desenvolvida pelo microbiologista Teruo Higa na d\u00e9cada de 1980, e o princ\u00edpio \u00e9 simples: res\u00edduos org\u00e2nicos s\u00e3o misturados a um grupo de microrganismos eficientes, os chamados EM (Effective Microorganisms), e passam por um processo de fermenta\u00e7\u00e3o anaer\u00f3bica, ou seja, sem oxig\u00eanio. O resultado \u00e9 um insumo rico em \u00e1cidos org\u00e2nicos, enzimas, vitaminas e microrganismos ben\u00e9ficos que ativam a vida do solo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fermenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o decomposi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui mora a diferen\u00e7a que muita gente ignora. Na compostagem tradicional, a mat\u00e9ria org\u00e2nica se decomp\u00f5e com calor e oxig\u00eanio. No bokashi, ela fermenta. O processo \u00e9 mais r\u00e1pido, n\u00e3o gera mau cheiro quando feito corretamente, e preserva uma quantidade maior de nutrientes. Isso porque a fermenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o queima a mat\u00e9ria org\u00e2nica. Ela a transforma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O material pronto tem cheiro levemente adocicado, parecido com fermenta\u00e7\u00e3o de cerveja ou p\u00e3o. Quando o cheiro \u00e9 azedo demais ou putrefato, algo saiu errado, geralmente excesso de umidade ou falta de EM. Aprendi isso na pr\u00e1tica, depois de uma fornada que precisei descartar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Mel Garden, uso farelo de trigo ou arroz como substrato base, misturo com os res\u00edduos org\u00e2nicos do dia, adiciono mela\u00e7o dilu\u00eddo em \u00e1gua como fonte de energia para os microrganismos, e incorporo o bokashi, que eu mesma preparo ou compro em casas agropecu\u00e1rias. A mistura vai para um balde vedado, longe do sol direto, por cerca de duas semanas. O processo de cura no solo leva mais alguns dias, mas o impacto nas plantas \u00e9 vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que o bokashi faz pelo solo e pelas plantas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o bokashi \u00e9 incorporado ao solo ou ao substrato, os microrganismos eficientes continuam trabalhando. Eles competem com organismos patog\u00eanicos, suprimem fungos e bact\u00e9rias causadores de doen\u00e7as, e aceleram a decomposi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica j\u00e1 presente no solo. Al\u00e9m disso, disponibilizam nutrientes de forma gradual, o que evita o estresse por excesso de aduba\u00e7\u00e3o, problema comum quando se usa adubo qu\u00edmico de forma indiscriminada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas minhas flores, percebo diferen\u00e7a especialmente na resist\u00eancia das plantas e no desenvolvimento radicular. Raiz forte sustenta planta saud\u00e1vel. Planta saud\u00e1vel floresce bem. Para quem trabalha com flores, n\u00e3o h\u00e1 argumento melhor que esse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ali\u00e1s, o bokashi n\u00e3o substitui todos os adubos, e nunca defendi isso. Ele \u00e9 parte de uma estrat\u00e9gia de nutri\u00e7\u00e3o mais inteligente. Contudo, em substratos para vasos e canteiros, ele reduz significativamente a necessidade de aduba\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, e isso se traduz em custo menor por ciclo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como preparar em casa ou na propriedade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O preparo \u00e9 acess\u00edvel. N\u00e3o exige equipamentos caros nem espa\u00e7o grande. Farelo de arroz ou trigo, mela\u00e7o, \u00e1gua n\u00e3o clorada e bokashi s\u00e3o os ingredientes principais. A propor\u00e7\u00e3o mais usada \u00e9: para cada 10 quilos de res\u00edduo org\u00e2nico, cerca de 100 ml de EM ativado dilu\u00eddo em \u00e1gua com mela\u00e7o. A mistura deve ter umidade suficiente para aglomerar ao ser apertada na m\u00e3o, mas sem escorrer \u00e1gua. Vai para o recipiente vedado, prensada para expulsar o ar, e fica em fermenta\u00e7\u00e3o por 10 a 15 dias em local fresco e protegido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de pronto, o material precisa ser incorporado ao solo e passar por um per\u00edodo de matura\u00e7\u00e3o de 7 a 15 dias antes do plantio. Aplicado diretamente sobre ra\u00edzes sem esse tempo de cura, o pH \u00e1cido do produto pode estressar as plantas. Esse detalhe \u00e9 importante e muita gente pula.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Do vaso ao campo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que come\u00e7ou como t\u00e9cnica para pequenos jardins e hortas urbanas chegou \u00e0s lavouras. Produtores de hortali\u00e7as, cafeicultores e produtores de frutas j\u00e1 incorporaram o bokashi como parte do manejo de fertilidade do solo, especialmente em sistemas org\u00e2nicos e de base agroecol\u00f3gica. A l\u00f3gica \u00e9 a mesma: ativar a biologia do solo, reduzir insumos externos e melhorar a estrutura f\u00edsica do terreno ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, quando algu\u00e9m me pergunta se vale a pena aprender a fazer bokashi, minha resposta \u00e9 direta. Vale para quem tem um vaso na varanda. Vale para quem cuida de um jardim. E vale, com ainda mais raz\u00e3o, para quem depende do solo para produzir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu descobri o bokashi meio por acaso. Estava procurando uma forma de aproveitar os res\u00edduos org\u00e2nicos que se acumulam aqui na Mel Garden, entre folhas, cascas de frutas, restos de poda e sobras de substrato, sem precisar esperar meses pela compostagem convencional. Uma cliente me falou sobre a t\u00e9cnica. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34812"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34813,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34812\/revisions\/34813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34812"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=34812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}