{"id":34821,"date":"2026-04-09T09:57:20","date_gmt":"2026-04-09T12:57:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=34821"},"modified":"2026-06-06T16:13:11","modified_gmt":"2026-06-06T19:13:11","slug":"cacau-360-o-projeto-com-91-pesquisadores-que-quer-multiplicar-por-cinco-a-produtividade-do-cacau-paulista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/cacau-360-o-projeto-com-91-pesquisadores-que-quer-multiplicar-por-cinco-a-produtividade-do-cacau-paulista\/","title":{"rendered":"Cacau 360\u00b0: o projeto com 91 pesquisadores que quer multiplicar por cinco a produtividade do cacau paulista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Paulo responde por menos de 4% da produ\u00e7\u00e3o nacional de cacau. O n\u00famero, \u00e0 primeira vista, pode parecer modesto diante da hegemonia do Par\u00e1 e da Bahia, mas \u00e9 exatamente essa margem que o Projeto Cacau 360\u00b0 enxerga como oportunidade. Com 91 pesquisadores distribu\u00eddos em 11 institui\u00e7\u00f5es, a iniciativa aposta em ci\u00eancia aplicada, sistemas produtivos inovadores e no aproveitamento integral do fruto para reposicionar o estado dentro de uma das cadeias mais promissoras do agroneg\u00f3cio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto \u00e9 desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), com apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento da Pesquisa do Agroneg\u00f3cio (Apta), e est\u00e1 estruturado em cinco plataformas tem\u00e1ticas que cobrem desde o cultivo at\u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de novos produtos para a ind\u00fastria aliment\u00edcia. A abrang\u00eancia n\u00e3o \u00e9 por acaso: o cacau \u00e9 uma cultura que exige respostas t\u00e9cnicas em v\u00e1rias frentes ao mesmo tempo, e trabalhar cada elo da cadeia de forma isolada limita os resultados que chegam ao produtor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>S\u00e3o Paulo fora do sistema tradicional<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cultivo do cacau no Brasil segue, historicamente, o modelo cabruca, sistema agroflorestal t\u00edpico do sul da Bahia em que as plantas crescem sob a sombra da mata nativa. S\u00e3o Paulo n\u00e3o possui esse hist\u00f3rico, e o projeto trata essa diferen\u00e7a n\u00e3o como obst\u00e1culo, mas como ponto de partida para uma abordagem distinta.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;O projeto vai impactar o agricultor de forma transversal. Temos cinco plataformas, e uma delas trabalha especificamente com o cultivo do cacau em \u00e1reas n\u00e3o convencionais, como S\u00e3o Paulo, que n\u00e3o opera no sistema tradicional cabruca&#8221;<\/em>, explica Valdecir Luccas, pesquisador do Ital\/Apta\/SAA e respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o do Cacau 360\u00b0.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta combina sistemas agroflorestais com cultivo a pleno sol, modelo que permite maior controle sobre as condi\u00e7\u00f5es produtivas e abertura para escalonamento. Nesse contexto, a identifica\u00e7\u00e3o de clones mais produtivos e o aperfei\u00e7oamento do manejo no campo s\u00e3o prioridades diretas da pesquisa. A meta \u00e9 elevar a produtividade para at\u00e9 2 mil quilos de am\u00eandoas secas por hectare, volume que pode ser at\u00e9 cinco vezes superior ao registrado em sistemas tradicionais, onde a m\u00e9dia nacional ainda oscila entre 300 e 400 quilos por hectare.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fermenta\u00e7\u00e3o: o gargalo que define a qualidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Produzir mais cacau n\u00e3o resolve o problema se a qualidade da mat\u00e9ria-prima n\u00e3o acompanha a expans\u00e3o. Nesse ponto, o processo de fermenta\u00e7\u00e3o se apresenta como um dos principais entraves da cadeia produtiva brasileira. A falta de padroniza\u00e7\u00e3o nos protocolos de fermenta\u00e7\u00e3o compromete a uniformidade do cacau comercializado, gerando varia\u00e7\u00f5es que afetam diretamente o desempenho industrial e o valor pago ao produtor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Cacau 360\u00b0 dedica aten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica ao desenvolvimento de protocolos mais eficientes para essa etapa, com o objetivo de reduzir perdas, aumentar a previsibilidade da mat\u00e9ria-prima e garantir padr\u00e3o compat\u00edvel com as exig\u00eancias do mercado interno e externo. Ali\u00e1s, essa padroniza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m abre caminho para o cacau paulista ser reconhecido por caracter\u00edsticas sensoriais pr\u00f3prias, o que agrega valor comercial ao produto final.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Casca, polpa e mel: 70% do fruto ainda subutilizado<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da am\u00eandoa, o cacau carrega um potencial produtivo que a cadeia tradicional ainda desperdi\u00e7a em larga escala. Cerca de 70% do peso total do fruto corresponde \u00e0 casca, subproduto que hoje tem aproveitamento m\u00ednimo na maioria das propriedades. A polpa e o mel do cacau, igualmente valiosos, tamb\u00e9m seguem sendo descartados ou subvalorizados na maior parte dos sistemas produtivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto mapeia esses materiais como fontes de compostos bioativos com aplica\u00e7\u00e3o em alimentos funcionais, cosm\u00e9ticos e ingredientes industriais. Assim, o que hoje representa res\u00edduo passa a ser tratado como mat\u00e9ria-prima, criando novas fontes de receita para o produtor sem exigir expans\u00e3o de \u00e1rea plantada. Esses ingredientes ser\u00e3o utilizados no desenvolvimento de novos produtos aliment\u00edcios, com foco em saudabilidade e inova\u00e7\u00e3o para o consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa tamb\u00e9m contempla o mapeamento de \u00e1reas de cultivo para avalia\u00e7\u00e3o de contaminantes qu\u00edmicos, presen\u00e7a de metais pesados e condi\u00e7\u00f5es microbiol\u00f3gicas. Essa etapa garante que a mat\u00e9ria-prima gerada no estado atenda aos crit\u00e9rios de seguran\u00e7a alimentar exigidos pela ind\u00fastria, condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a inser\u00e7\u00e3o competitiva no mercado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Log\u00edstica como vantagem competitiva<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Paulo concentra o maior parque industrial de chocolates e derivados de cacau do Brasil. Produzir a mat\u00e9ria-prima no pr\u00f3prio estado, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o agr\u00edcola, \u00e9 uma decis\u00e3o log\u00edstica e econ\u00f4mica com impacto direto sobre os custos industriais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Hoje o Brasil importa cacau da \u00c1frica, e muitas vezes as ind\u00fastrias paulistas buscam mat\u00e9ria-prima da Bahia e do Par\u00e1. Tendo cacau produzido aqui em S\u00e3o Paulo, a log\u00edstica se torna muito mais simples e os custos, menores. \u00c9 em S\u00e3o Paulo que se concentra o grande n\u00famero de ind\u00fastrias de chocolates e produtos derivados&#8221;<\/em>, aponta Valdecir Luccas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa proximidade entre produ\u00e7\u00e3o e processamento representa um diferencial competitivo relevante, especialmente em um cen\u00e1rio em que o Brasil ainda depende de importa\u00e7\u00f5es africanas para complementar o abastecimento interno. Consequentemente, fortalecer a produ\u00e7\u00e3o regional reduz vulnerabilidades da cadeia e amplia a margem de competitividade do produto nacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tecnologia que precisa chegar ao campo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Cacau 360\u00b0 n\u00e3o se encerra na gera\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico. A transfer\u00eancia das inova\u00e7\u00f5es para o setor produtivo \u00e9 parte estrutural do projeto. Com todas as plataformas operando de forma integrada, a expectativa \u00e9 acelerar o caminho entre a pesquisa e a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, permitindo que produtores, cooperativas e ind\u00fastrias adotem as tecnologias desenvolvidas em tempo h\u00e1bil para impactar os resultados das pr\u00f3ximas safras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para S\u00e3o Paulo, que ainda constr\u00f3i sua trajet\u00f3ria na cacauicultura, essa combina\u00e7\u00e3o entre produtividade ampliada, aproveitamento integral do fruto, qualidade assegurada e vantagem log\u00edstica pode ser o conjunto de fatores que transforma uma participa\u00e7\u00e3o marginal em protagonismo real dentro da cadeia produtiva nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo responde por menos de 4% da produ\u00e7\u00e3o nacional de cacau. 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