{"id":34881,"date":"2026-04-14T08:55:21","date_gmt":"2026-04-14T11:55:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=34881"},"modified":"2026-06-06T16:13:11","modified_gmt":"2026-06-06T19:13:11","slug":"o-ouro-da-serra-como-o-pinhao-virou-motor-economico-e-gastronomico-de-cunha-no-interior-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/o-ouro-da-serra-como-o-pinhao-virou-motor-economico-e-gastronomico-de-cunha-no-interior-de-sp\/","title":{"rendered":"O &#8220;ouro da serra&#8221;: como o pinh\u00e3o virou motor econ\u00f4mico e gastron\u00f4mico de Cunha, no interior de SP"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pinh\u00e3o nunca precisou de marketing. Por s\u00e9culos, a semente da arauc\u00e1ria chegou \u00e0s mesas brasileiras pelo caminho mais direto poss\u00edvel: das m\u00e3os de quem colhia para a chapa do fog\u00e3o a lenha. Povos ind\u00edgenas j\u00e1 o consumiam muito antes da coloniza\u00e7\u00e3o, reconhecendo no fruto uma fonte de energia densa, abundante e adaptada ao clima mais rigoroso das serras. Ali\u00e1s, essa origem \u00e9 parte fundamental do que faz o pinh\u00e3o ser tratado, hoje, como muito mais do que um alimento sazonal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Cunha, munic\u00edpio encravado na Serra da Mantiqueira, no interior de S\u00e3o Paulo, esse percurso hist\u00f3rico ganhou um cap\u00edtulo novo. A cidade \u00e9 atualmente a maior produtora de pinh\u00e3o do estado, com cerca de 800 toneladas colhidas por ano, e consolidou o produto como eixo de uma economia que conecta agricultura familiar, turismo e gastronomia de forma direta e mensur\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da mata para a chapa: uma tradi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o perdeu for\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arauc\u00e1ria cresce com mais vigor acima dos 800 metros de altitude, em regi\u00f5es de invernos frios e solos bem drenados. Cunha re\u00fane essas condi\u00e7\u00f5es com folga: o munic\u00edpio possui \u00e1reas que alcan\u00e7am quase 2 mil metros de altitude, clima de montanha e fragmentos preservados de Mata Atl\u00e2ntica. Esse ambiente favorece o desenvolvimento das arauc\u00e1rias centen\u00e1rias que sustentam a safra local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colheita acontece principalmente em abril, de forma manual e com forte componente familiar. Mais de 200 coletores atuam na cidade durante a safra, a maioria agricultores que encontram na semente uma renda extra significativa dentro do calend\u00e1rio produtivo. <em>&#8220;Alguns consideram o pinh\u00e3o como um &#8217;13\u00ba sal\u00e1rio&#8217;, porque ajuda bastante no sustento&#8221;<\/em>, conta Jo\u00e1s Ferreira, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores, Produtores Rurais e Empreendedores da Estrada do Paraibuna, a Amprasp.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho de coleta exige conhecimento do terreno, senso de timing e respeito \u00e0 \u00e1rvore \u2014 a pinha n\u00e3o pode ser retirada antes de amadurecer, sob o risco de comprometer a qualidade da semente e o pr\u00f3prio ciclo reprodutivo da arauc\u00e1ria. Esse saber, transmitido entre gera\u00e7\u00f5es, \u00e9 parte do que especialistas em patrim\u00f4nio alimentar identificam como conhecimento ecol\u00f3gico local, indissoci\u00e1vel do produto em si.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">800 toneladas por ano: o peso econ\u00f4mico do &#8220;ouro da serra&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cunha n\u00e3o chegou a esse volume por acaso. A combina\u00e7\u00e3o entre altitude, microclima favor\u00e1vel e tradi\u00e7\u00e3o de manejo consolidou o munic\u00edpio como refer\u00eancia regional na produ\u00e7\u00e3o de pinh\u00e3o, distinguindo-o de outros pontos da Mantiqueira onde a colheita \u00e9 mais dispersa e menos organizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O produto movimenta a economia em diferentes camadas. No campo, garante renda direta para coletores e agricultores familiares durante a safra. Na \u00e1rea urbana, alimenta restaurantes, feiras, pousadas e eventos gastron\u00f4micos que atraem visitantes de toda a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, a menos de 200 quil\u00f4metros da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Para n\u00f3s, o pinh\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um alimento \u2014 \u00e9 parte da identidade cultural de Cunha e da hist\u00f3ria das fam\u00edlias que vivem da arauc\u00e1ria. Ele movimenta a economia local, sustenta coletores e agricultores familiares e tamb\u00e9m ajuda a impulsionar o turismo durante a safra&#8221;<\/em>, afirma Jo\u00e1s Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa cadeia relativamente curta entre produ\u00e7\u00e3o e consumo \u00e9 um diferencial competitivo real. O pinh\u00e3o chega fresco aos restaurantes da cidade com rastreabilidade natural, o que agrega valor ao produto e ao destino tur\u00edstico simultaneamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da culin\u00e1ria caipira aos card\u00e1pios sofisticados<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pinh\u00e3o \u00e9 composto por 75% de am\u00eandoa e 25% de casca. Cozido, torrado na brasa ou frito, ele j\u00e1 ocupa o imagin\u00e1rio afetivo de quem cresceu na serra. Contudo, nos \u00faltimos anos, chefs e cozinheiros da regi\u00e3o passaram a explorar a semente de formas que ampliam seu alcance sem apagar sua origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bolos, p\u00e3es, lingui\u00e7as artesanais, brigadeiros e at\u00e9 gelatos com pinh\u00e3o aparecem nos card\u00e1pios de Cunha como produtos que transitam entre a cozinha de ro\u00e7a e a gastronomia contempor\u00e2nea. <em>&#8220;A gente come o pinh\u00e3o torrado na chapa do fog\u00e3o a lenha, na brasa, cozido, faz caldinho. E hoje os restaurantes criam receitas que valorizam esse produto que vem l\u00e1 da ro\u00e7a&#8221;<\/em>, explica Jo\u00e1s Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa valoriza\u00e7\u00e3o gastron\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 superficial. O pinh\u00e3o tem composi\u00e7\u00e3o nutricional relevante, com boa concentra\u00e7\u00e3o de carboidratos complexos, fibras, pot\u00e1ssio e mangan\u00eas, o que o posiciona bem dentro das tend\u00eancias de consumo de alimentos nativos e funcionais. Al\u00e9m disso, a proced\u00eancia regional e o modo de coleta artesanal respondem a uma demanda crescente por produtos com identidade territorial clara.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Festa do Pinh\u00e3o e o turismo que a safra movimenta<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O principal term\u00f4metro do impacto econ\u00f4mico do pinh\u00e3o em Cunha \u00e9 a sua festa. Em 24 edi\u00e7\u00f5es, o evento consolidou-se como um dos mais importantes do calend\u00e1rio cultural da cidade, reunindo produtores, moradores e turistas na pra\u00e7a central durante os dias de maior movimento da safra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros s\u00e3o objetivos: <em>&#8220;S\u00f3 durante a festa, s\u00e3o comercializadas entre quatro e cinco toneladas de pinh\u00e3o&#8221;<\/em>, relata Jo\u00e1s Ferreira. Para uma semente colhida manualmente, em terreno acidentado, esse volume em poucos dias representa uma janela comercial de alto valor para toda a cadeia local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O evento tamb\u00e9m cumpre fun\u00e7\u00e3o cultural ativa. \u00c9 o momento em que a tradi\u00e7\u00e3o do pinh\u00e3o \u00e9 apresentada \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es e a visitantes que, muitas vezes, conhecem o produto pela primeira vez fora do contexto urbano. <em>&#8220;\u00c9 importante que todos valorizem essa origem caipira do pinh\u00e3o. Essa \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o cultural muito forte para a gente&#8221;<\/em>, refor\u00e7a o presidente da Amprasp.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Arauc\u00e1ria, identidade e o desafio da valoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pinh\u00e3o de Cunha j\u00e1 deu o passo mais dif\u00edcil: saiu da condi\u00e7\u00e3o de produto invis\u00edvel para se tornar s\u00edmbolo reconhecido, com cadeia produtiva ativa e calend\u00e1rio tur\u00edstico pr\u00f3prio. O pr\u00f3ximo desafio \u00e9 manter esse n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o e ampliar a rastreabilidade, o processamento local e o acesso a mercados que pagam mais pela proced\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arauc\u00e1ria, por sua vez, \u00e9 esp\u00e9cie nativa amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o no Brasil. Conservar as \u00e1rvores produtivas, respeitar o ciclo de colheita e evitar a extra\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es para que as pr\u00f3ximas safras mantenham o mesmo padr\u00e3o. <em>&#8220;O pinh\u00e3o \u00e9 um s\u00edmbolo vivo de Cunha&#8221;<\/em>, resume Jo\u00e1s Ferreira, e \u00e9 exatamente essa vitalidade que precisa ser preservada para que o &#8220;ouro da serra&#8221; siga sustentando fam\u00edlias e impulsionando uma das cidades mais singulares do interior paulista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pinh\u00e3o nunca precisou de marketing. Por s\u00e9culos, a semente da arauc\u00e1ria chegou \u00e0s mesas brasileiras pelo caminho mais direto poss\u00edvel: das m\u00e3os de quem colhia para a chapa do fog\u00e3o a lenha. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34881"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34881\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34882,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34881\/revisions\/34882"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34530"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34881"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=34881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}