{"id":35047,"date":"2026-04-24T11:10:17","date_gmt":"2026-04-24T14:10:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=35047"},"modified":"2026-06-06T16:13:11","modified_gmt":"2026-06-06T19:13:11","slug":"marco-registra-a-maior-alta-generalizada-de-hortalicas-desde-2025-liderada-por-cenoura-e-cebola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/marco-registra-a-maior-alta-generalizada-de-hortalicas-desde-2025-liderada-por-cenoura-e-cebola\/","title":{"rendered":"Mar\u00e7o registra a maior alta generalizada de hortali\u00e7as desde 2025, liderada por cenoura e cebola"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados do Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgados em abril revelam um cen\u00e1rio de alta generalizada nas hortali\u00e7as durante mar\u00e7o, com intensidade que n\u00e3o se via desde os per\u00edodos mais cr\u00edticos de 2025. Cenoura, cebola e tomate lideraram as valoriza\u00e7\u00f5es nas principais Ceasas do pa\u00eds, pressionadas por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores que vai das chuvas nas regi\u00f5es produtoras ao encerramento antecipado de safras estaduais. Entre as frutas, o comportamento foi misto, com melancias e bananas em alta, enquanto ma\u00e7\u00e3s e laranjas recuaram por raz\u00f5es opostas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cenoura registrou a maior valoriza\u00e7\u00e3o entre todas as hortali\u00e7as monitoradas pela Conab em mar\u00e7o, com eleva\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 59,9% nas Ceasas analisadas. O movimento rompe um ciclo de relativa estabilidade que se mantinha desde agosto de 2025, quando as oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o se tornaram mais brandas. O gatilho dessa ruptura foi clim\u00e1tico: as chuvas intensas nas regi\u00f5es produtoras reduziram significativamente o ritmo de colheita, comprometendo a reposi\u00e7\u00e3o dos estoques nos entrepostos atacadistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o analista de mercado do setor hortifrutigranjeiro Marcelo Pereira, do Instituto de Economia Agr\u00edcola (IEA), a cenoura \u00e9 um dos produtos mais sens\u00edveis \u00e0 irregularidade clim\u00e1tica no curto prazo. <em>&#8220;A cultura tem ciclo relativamente curto, mas qualquer interrup\u00e7\u00e3o na colheita por excesso de umidade se traduz quase que imediatamente em redu\u00e7\u00e3o da oferta no atacado. O produtor n\u00e3o consegue entrar no campo, e a Ceasa sente isso na semana seguinte&#8221;<\/em>, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ali\u00e1s, a recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os tende a ser gradual, uma vez que o replantio e o novo ciclo produtivo demandam semanas at\u00e9 retornar ao volume anterior, o que pode manter a press\u00e3o sobre as cota\u00e7\u00f5es ao longo de abril.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cebola fecha safra e pre\u00e7o reflete a escassez<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cebola teve a segunda maior valoriza\u00e7\u00e3o entre as hortali\u00e7as, com alta de 52,1%. O principal fator foi o recuo expressivo nos envios oriundos de Santa Catarina, maior produtor nacional da cultura, que registrou queda de 41,7% no volume expedido em mar\u00e7o. Esse dado, por si s\u00f3, indica o encerramento praticamente completo da safra 2025\/26 no estado, que tradicionalmente abastece grande parte do mercado nacional entre o segundo semestre e o in\u00edcio do ano seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sazonalidade do produto imp\u00f5e um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o entre safras em que a oferta naturalmente encolhe, e a reposi\u00e7\u00e3o depende das lavouras de outras regi\u00f5es produtoras, como S\u00e3o Paulo e Rio Grande do Sul, que ainda est\u00e3o em desenvolvimento ou colheita parcial. Consequentemente, o mercado opera com menor volume dispon\u00edvel, e os compradores acabam pagando mais pelo produto restante em circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tomate sobe pelo terceiro m\u00eas consecutivo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tomate apresentou alta m\u00e9dia de 38,8% nas Ceasas acompanhadas pela Conab em mar\u00e7o, acumulando uma trajet\u00f3ria de valoriza\u00e7\u00e3o que se estende desde dezembro de 2025. A din\u00e2mica que sustenta esse movimento \u00e9 conhecida pelos operadores do setor: a desacelera\u00e7\u00e3o da safra de ver\u00e3o ainda n\u00e3o foi compensada pelo in\u00edcio da safra de inverno, que se encontrava em est\u00e1gio inicial em mar\u00e7o. Esse intervalo entre safras reduz a disponibilidade efetiva do produto no mercado, ao mesmo tempo que a demanda segue pressionada, especialmente no consumo do varejo e do food service.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a pesquisadora Vanessa Lima, especialista em mercados hort\u00edcolas da Embrapa Hortali\u00e7as, o comportamento do tomate em mar\u00e7o seguiu um padr\u00e3o previs\u00edvel para quem acompanha o calend\u00e1rio agr\u00edcola com aten\u00e7\u00e3o. <em>&#8220;A janela entre o fim da safra de ver\u00e3o e o volume pleno da safra de inverno \u00e9 um momento cl\u00e1ssico de aperto na oferta. O que torna 2025\/26 mais sens\u00edvel \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas durante o ver\u00e3o foram irregulares em algumas regi\u00f5es produtoras, o que afetou tanto o volume quanto a qualidade dos frutos&#8221;<\/em>, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Batata e alface completam o quadro de alta<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A batata registrou alta pelo segundo m\u00eas consecutivo, com valoriza\u00e7\u00e3o de 18,9% em mar\u00e7o. As chuvas nas regi\u00f5es produtoras, com destaque para a Bahia, exerceram influ\u00eancia pontual sobre a oferta ao longo do m\u00eas, comprometendo parte da disponibilidade do produto nos entrepostos. Por outro lado, a incid\u00eancia pontual desses eventos clim\u00e1ticos n\u00e3o foi suficiente para desencadear uma ruptura mais severa no abastecimento, o que explica a alta mais moderada em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 cenoura e \u00e0 cebola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O alface, hortali\u00e7a mais comercializada nas Ceasas brasileiras, tamb\u00e9m registrou valoriza\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o, de 4,9% em m\u00e9dia, por\u00e9m com intensidade desacelerada em rela\u00e7\u00e3o aos meses anteriores. A demanda manteve-se aquecida ao longo do per\u00edodo, impulsionada pelo calor e pelas chuvas frequentes que, al\u00e9m de estimular o consumo, dificultaram a colheita e provocaram perdas no campo, reduzindo o volume entregue nos entrepostos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Frutas: melancias e bananas sobem, ma\u00e7\u00e3s e laranjas recuam<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O comportamento das frutas em mar\u00e7o foi mais heterog\u00eaneo do que o das hortali\u00e7as, refletindo os diferentes est\u00e1gios de oferta de cada produto. A melancia registrou a maior valoriza\u00e7\u00e3o entre as frutas, com alta de 10,81%. O encerramento da safra ga\u00facha reduziu o fornecimento \u00e0s Ceasas em 60% em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro, enquanto os custos de produ\u00e7\u00e3o da \u00faltima colheita foram pressionados pelos gastos com fertilizantes, log\u00edstica e, principalmente, pelas pulveriza\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o controle de doen\u00e7as f\u00fangicas, que exigiram mais investimento do produtor neste ciclo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A banana nanica tamb\u00e9m subiu 10,5%, sustentada pela retra\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es importantes como a microrregi\u00e3o de Registro, no interior de S\u00e3o Paulo, e o norte catarinense, al\u00e9m de localidades mineiras, baianas e capixabas. A queda no volume produzido nessas \u00e1reas se refletiu diretamente na quantidade entregue aos entrepostos, pressionando os pre\u00e7os para cima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No campo das baixas, a ma\u00e7\u00e3 recuou 8,89%, favorecida por uma colheita expressiva no m\u00eas que ampliou a oferta e permitiu at\u00e9 a exporta\u00e7\u00e3o de frutas maiores e mais vistosas na primeira quinzena de mar\u00e7o. A laranja teve queda de 2%, com o fornecimento no cintur\u00e3o citr\u00edcola crescendo 2,84% nos entrepostos atacadistas. Contudo, para abril e maio, projeta-se redu\u00e7\u00e3o gradual na oferta e leve alta de pre\u00e7os, \u00e0 medida que a disponibilidade diminui antes da pr\u00f3xima safra. O mam\u00e3o recuou 1,8%, beneficiado pelo aumento no volume oriundo da Bahia e do Esp\u00edrito Santo, que elevaram a press\u00e3o de oferta sobre os pre\u00e7os do produto nos mercados consumidores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dados do Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgados em abril revelam um cen\u00e1rio de alta generalizada nas hortali\u00e7as durante mar\u00e7o, com intensidade que n\u00e3o se via desde os per\u00edodos mais cr\u00edticos de 2025. 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