{"id":35161,"date":"2026-05-01T17:42:31","date_gmt":"2026-05-01T20:42:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=35161"},"modified":"2026-06-06T16:12:31","modified_gmt":"2026-06-06T19:12:31","slug":"dende-no-para-como-um-estado-passou-a-responder-por-97-da-producao-nacional-e-por-que-isso-importa-para-o-agronegocio-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/dende-no-para-como-um-estado-passou-a-responder-por-97-da-producao-nacional-e-por-que-isso-importa-para-o-agronegocio-brasileiro\/","title":{"rendered":"Dend\u00ea no Par\u00e1: como um estado passou a responder por 97% da produ\u00e7\u00e3o nacional e por que isso importa para o agroneg\u00f3cio brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cadeia produtiva do dend\u00ea deixou de ser uma promessa do agroneg\u00f3cio brasileiro para se tornar uma realidade consolidada, e o Par\u00e1 est\u00e1 no centro absoluto dessa transforma\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o nacional saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para 3,2 milh\u00f5es de toneladas em 2024, crescimento superior a 13 vezes em quatro d\u00e9cadas, segundo a Nota T\u00e9cnica &#8220;A Conjuntura Econ\u00f4mica e Ambiental do Dend\u00ea 2026&#8221;, elaborada pela Funda\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) com base nos dados mais recentes do IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ritmo de expans\u00e3o, j\u00e1 acelerado a partir dos anos 2000, ganhou for\u00e7a adicional ap\u00f3s 2018 e n\u00e3o deu sinais de desacelera\u00e7\u00e3o. S\u00f3 entre 2023 e 2024, a produ\u00e7\u00e3o brasileira cresceu 11,2%, passando de 2,9 milh\u00f5es para 3,2 milh\u00f5es de toneladas. Dentro desse avan\u00e7o, o Par\u00e1 n\u00e3o acompanhou o crescimento nacional: ele o determinou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Par\u00e1 concentra quase a totalidade da produ\u00e7\u00e3o e do valor gerado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estado paraense ampliou sua produ\u00e7\u00e3o de 2,8 milh\u00f5es para 3,1 milh\u00f5es de toneladas no \u00faltimo ano, alta de 10,4%, mantendo participa\u00e7\u00e3o de 97,1% do volume total produzido no pa\u00eds. No que diz respeito ao valor econ\u00f4mico gerado, a concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior: o Par\u00e1 responde por aproximadamente 98% do valor nacional da dendeicultura em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros estados, como Roraima e Bahia, registram crescimento, mas a participa\u00e7\u00e3o conjunta ainda n\u00e3o ultrapassa 3% da produ\u00e7\u00e3o brasileira. Isso significa que qualquer varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, log\u00edstica ou de pol\u00edtica agr\u00edcola no Par\u00e1 tem efeito imediato sobre os n\u00fameros nacionais do setor, o que refor\u00e7a tanto a for\u00e7a quanto a fragilidade dessa concentra\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escala da especializa\u00e7\u00e3o se aprofunda no recorte municipal. Apenas dez munic\u00edpios paraenses respondem por cerca de 90% de todo o volume produzido no Brasil. Tail\u00e2ndia lidera com quase um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o nacional, seguida por Tom\u00e9-A\u00e7u e Moju, polo hist\u00f3rico da dendeicultura amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gera\u00e7\u00e3o de empregos acompanha a concentra\u00e7\u00e3o produtiva<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hegemonia paraense na produ\u00e7\u00e3o se replica diretamente no mercado de trabalho. O estado concentra cerca de 92% dos empregos diretos e indiretos gerados por toda a cadeia do dend\u00ea no Brasil, o que posiciona a atividade como um dos principais vetores de renda formal no interior do estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Se o Par\u00e1 \u00e9 campe\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de dend\u00ea, com quase 100% da produ\u00e7\u00e3o nacional, a gera\u00e7\u00e3o de empregos \u00e9 tamb\u00e9m proporcional, com 92% das vagas diretas e indiretas dessa cadeia produtiva, sendo a locomotiva do pa\u00eds nesse segmento, com o Par\u00e1 campe\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e na gera\u00e7\u00e3o de empregos no cen\u00e1rio nacional da cultura do dend\u00ea&#8221;<\/em>, afirma o professor M\u00e1rcio Ponte, respons\u00e1vel pelo estudo da Fapespa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrutura da cadeia do dend\u00ea exige m\u00e3o de obra em diferentes etapas, desde o cultivo e colheita dos cachos at\u00e9 o processamento industrial do \u00f3leo de palma, o que distribui a gera\u00e7\u00e3o de renda por munic\u00edpios que, historicamente, dependiam da extra\u00e7\u00e3o vegetal ou da pecu\u00e1ria extensiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c1reas degradadas d\u00e3o lugar a florestas de dend\u00ea e sequestro de carbono<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crescimento da dendeicultura no Par\u00e1 n\u00e3o se deu sobre floresta nativa. A trajet\u00f3ria do setor est\u00e1 associada \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas e de \u00e1reas de uso agropecu\u00e1rio que perderam produtividade ao longo das d\u00e9cadas. Hoje, a \u00e1rea reflorestada com dend\u00ea no estado ultrapassa 200 mil hectares, e a capacidade de sequestro de carbono atingiu mais de 13 milh\u00f5es de toneladas de CO\u2082 em 2024, volume expressivo dentro das metas brasileiras de descarboniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse desempenho ambiental coloca a dendeicultura paraense em posi\u00e7\u00e3o relevante nas discuss\u00f5es sobre biocombust\u00edveis e economia de baixo carbono, especialmente com a COP30 prevista para Bel\u00e9m. O \u00f3leo de palma figura entre os insumos com maior potencial para substitui\u00e7\u00e3o de derivados do petr\u00f3leo em setores industriais de dif\u00edcil descarboniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Os biocombust\u00edveis s\u00e3o fundamentais para a redu\u00e7\u00e3o da pegada de carbono da ind\u00fastria como um todo, e o \u00f3leo de palma se presta muito bem a essa condi\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que \u00e9 t\u00e3o importante ver o Par\u00e1 crescendo de uma maneira significativa nesses \u00faltimos anos&#8221;<\/em>, destaca Marcel Botelho, presidente da Fapespa.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Concentra\u00e7\u00e3o produtiva exige aten\u00e7\u00e3o \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o regional<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise espacial do estudo da Fapespa aponta sinais recentes de redistribui\u00e7\u00e3o interna entre os principais polos produtores do Par\u00e1, o que indica um movimento de expans\u00e3o dentro do pr\u00f3prio estado. Contudo, a depend\u00eancia de poucos munic\u00edpios para sustentar quase toda a produ\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 um ponto que o setor precisar\u00e1 endere\u00e7ar nos pr\u00f3ximos ciclos, seja por quest\u00f5es fitossanit\u00e1rias, clim\u00e1ticas ou log\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diversifica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da dendeicultura para outros estados da regi\u00e3o Norte, com voca\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica compat\u00edvel, pode ser o pr\u00f3ximo passo para consolidar o Brasil como produtor global relevante de \u00f3leo de palma, reduzindo os riscos sist\u00eamicos da concentra\u00e7\u00e3o atual e ampliando o impacto social e ambiental da atividade para al\u00e9m das fronteiras paraenses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cadeia produtiva do dend\u00ea deixou de ser uma promessa do agroneg\u00f3cio brasileiro para se tornar uma realidade consolidada, e o Par\u00e1 est\u00e1 no centro absoluto dessa transforma\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o nacional saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para 3,2 milh\u00f5es de toneladas em 2024, crescimento superior a 13 vezes em quatro d\u00e9cadas, segundo a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":990012,"featured_media":35162,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[707],"tags":[],"ppma_author":[395],"class_list":["post-35161","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro-do-futuro-inovacao","author-mel-maria"],"authors":[{"term_id":395,"user_id":990012,"is_guest":0,"slug":"mel-maria","display_name":"Mel Maria","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/50961e0508195fe342670c9ee218e6ab1b2463b7a360c03c14a381ba6a4ca049?s=96&d=mm&r=g","author_category":"2","first_name":"","last_name":"","user_url":"","job_title":"","description":"<b>Mel Maria<\/b> \u00e9 uma <b>jardineira e empreendedora<\/b> com mais de <b>10 anos de experi\u00eancia<\/b> no cultivo e com\u00e9rcio de plantas em <b>Curitiba<\/b>. Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35161"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35161\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35163,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35161\/revisions\/35163"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35162"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35161"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=35161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}