{"id":35322,"date":"2026-05-13T10:13:25","date_gmt":"2026-05-13T13:13:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=35322"},"modified":"2026-06-06T16:37:15","modified_gmt":"2026-06-06T19:37:15","slug":"residuo-combustivel-cocal-biometano-frota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/residuo-combustivel-cocal-biometano-frota\/","title":{"rendered":"O res\u00edduo que vira combust\u00edvel: a aposta da Cocal em biometano para mover sua pr\u00f3pria frota"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vinha\u00e7a sempre foi um personagem amb\u00edguo dentro das usinas sucroalcooleiras. Subproduto inevit\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o de etanol, ela precisa ser transportada de volta aos canaviais para ser usada como biofertilizante \u2014 um processo que, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, dependia inteiramente de uma frota a diesel para acontecer. A Cocal decidiu mudar essa l\u00f3gica de ponta a ponta: agora, os caminh\u00f5es que carregam vinha\u00e7a v\u00e3o rodar com o biometano extra\u00eddo da pr\u00f3pria vinha\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pequena. A empresa, associada \u00e0 Copersucar e com quatro usinas distribu\u00eddas entre S\u00e3o Paulo e Mato Grosso do Sul, fechou um contrato para substituir toda a frota respons\u00e1vel pelo transporte de vinha\u00e7a nas unidades paulistas por 44 caminh\u00f5es Scania movidos a biometano. Ao longo de cinco anos, a estimativa \u00e9 deixar de consumir 19 milh\u00f5es de litros de diesel \u2014 e o combust\u00edvel que entra no lugar \u00e9 produzido nos pr\u00f3prios biodigestores da Cocal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Estamos usando biometano para devolver vinha\u00e7a para o campo, fechando a economia circular&#8221;<\/em>, define Andr\u00e9 Gustavo Alves da Silva, diretor comercial e de novos produtos da Cocal. A frase resume com precis\u00e3o o que est\u00e1 acontecendo: o res\u00edduo vira g\u00e1s, o g\u00e1s move o caminh\u00e3o, o caminh\u00e3o leva o res\u00edduo de volta \u00e0 terra. Um ciclo que se fecha dentro das porteiras da pr\u00f3pria usina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma troca com contas bem feitas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o tem motiva\u00e7\u00e3o ambiental clara \u2014 reduzir as emiss\u00f5es de escopo 1 dentro do GHG Protocol, ou seja, aquelas que saem diretamente das opera\u00e7\u00f5es da empresa. Mas a conta econ\u00f4mica tamb\u00e9m pesa. O diesel, pressionado pela instabilidade geopol\u00edtica no Oriente M\u00e9dio, tornou-se um dos maiores custos operacionais do setor agroindustrial. Substitu\u00ed-lo por um combust\u00edvel produzido internamente representa n\u00e3o apenas uma redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, mas uma prote\u00e7\u00e3o real contra a volatilidade de pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Cocal n\u00e3o divulga oficialmente quanto pretende economizar, mas os n\u00fameros permitem uma estimativa concreta: mantendo o pre\u00e7o atual do diesel durante toda a vig\u00eancia do contrato, a economia pode ultrapassar R$ 100 milh\u00f5es no per\u00edodo de cinco anos. A gest\u00e3o da nova frota ficou com a LOTS, empresa especializada em log\u00edstica com menor pegada de carbono, que j\u00e1 operava parte dos caminh\u00f5es da usina e assinou o contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os por cinco anos. Os ve\u00edculos ser\u00e3o locados diretamente da Scania.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Infraestrutura que sustenta a transi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trocar o combust\u00edvel dos caminh\u00f5es \u00e9 apenas a parte mais vis\u00edvel de uma opera\u00e7\u00e3o que exigiu reengenharia em v\u00e1rios pontos. A LOTS investiu cerca de R$ 10 milh\u00f5es na adapta\u00e7\u00e3o dos postos de abastecimento da Cocal, com foco em efici\u00eancia e velocidade. Um dos investimentos centrais foi a instala\u00e7\u00e3o de chillers \u2014 equipamentos que resfriam o biometano antes do abastecimento para evitar que o g\u00e1s se expanda e ocupe espa\u00e7o al\u00e9m da capacidade dos cilindros dos ve\u00edculos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado pr\u00e1tico aparece no tempo de parada: no in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, cada abastecimento levava 45 minutos. Hoje, o processo \u00e9 conclu\u00eddo em 18 minutos. Para caminh\u00f5es que operam nos tr\u00eas turnos, sem interrup\u00e7\u00e3o, cada minuto economizado na parada se converte em produtividade real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica vai muito al\u00e9m de comprar caminh\u00e3o, colocar no posto e virar a chave. S\u00e3o v\u00e1rios fatores que precisam ser trabalhados em conjunto pelo fabricante, pelo operador do transporte e pelo cliente para que a transi\u00e7\u00e3o seja vi\u00e1vel&#8221;<\/em>, afirma Pedro Silvestrini, vice-presidente de Estrat\u00e9gia e Novos Neg\u00f3cios da LOTS. A observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ret\u00f3rica: os detalhes operacionais \u2014 manuten\u00e7\u00e3o diferenciada, treinamento de equipe, adequa\u00e7\u00e3o de infraestrutura \u2014 definem se uma substitui\u00e7\u00e3o de frota funciona na pr\u00e1tica ou vira estat\u00edstica de projeto piloto abandonado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Scania sem adapta\u00e7\u00f5es, mas com testes \u00e0 vista<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um aspecto t\u00e9cnico relevante nessa opera\u00e7\u00e3o \u00e9 que os 44 caminh\u00f5es sa\u00edram da f\u00e1brica prontos para rodar com biometano, sem necessidade de qualquer modifica\u00e7\u00e3o adicional. Esse detalhe diferencia a frota da vinha\u00e7a de outros projetos em andamento na Copersucar \u2014 como os caminh\u00f5es a biometano usados no transporte de a\u00e7\u00facar entre as usinas paulistas e o Porto de Santos, que, por conta das dist\u00e2ncias maiores, precisaram receber tanques extras para ampliar a autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3xima fronteira que a Cocal pretende explorar \u00e9 o transporte de cana-de-a\u00e7\u00facar com esses mesmos caminh\u00f5es. Trata-se de uma carga significativamente mais pesada, o que exige avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica mais cuidadosa antes de qualquer decis\u00e3o. Silvestrini, da LOTS, confia na pot\u00eancia dos modelos Scania para a tarefa \u2014 mas o projeto ainda est\u00e1 em fase de estudo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resili\u00eancia energ\u00e9tica como novo crit\u00e9rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O movimento da Cocal acontece num contexto em que a quest\u00e3o energ\u00e9tica ganhou outra dimens\u00e3o dentro das grandes opera\u00e7\u00f5es agroindustriais. A guerra no Oriente M\u00e9dio ainda n\u00e3o gerou um aumento expressivo na demanda imediata por frotas movidas a combust\u00edveis alternativos, segundo Silvestrini, mas colocou um tema novo na mesa das empresas: a resili\u00eancia energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A procura n\u00e3o se intensificou, mas h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o a mais com a resili\u00eancia energ\u00e9tica, de redu\u00e7\u00e3o de volatilidade, que veio para a mesa&#8221;<\/em>, diz o vice-presidente da LOTS. Traduzindo: n\u00e3o se trata apenas de custo ou emiss\u00e3o. Depender menos de um combust\u00edvel importado, sujeito a choques externos, passou a ser um crit\u00e9rio estrat\u00e9gico \u2014 e n\u00e3o apenas uma pauta de ESG para relat\u00f3rio anual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que a Cocal est\u00e1 fazendo, nesse sentido, \u00e9 mais do que uma troca de frota. \u00c9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de que a economia circular no agroneg\u00f3cio pode sair do campo das ideias e virar opera\u00e7\u00e3o em escala, com retorno mensur\u00e1vel, infraestrutura real e um ciclo que se fecha dentro das pr\u00f3prias porteiras da usina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vinha\u00e7a sempre foi um personagem amb\u00edguo dentro das usinas sucroalcooleiras. 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No Ellas Magazine, Suzana transforma sua viv\u00eancia em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets, jardinagem, natureza e dicas de beleza."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990033"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35322"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35322\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35323,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35322\/revisions\/35323"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32954"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35322"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=35322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}