{"id":35372,"date":"2026-05-15T10:30:11","date_gmt":"2026-05-15T13:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=35372"},"modified":"2026-06-06T22:16:22","modified_gmt":"2026-06-07T01:16:22","slug":"epagri-manejo-pragas-pitaia-sc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/epagri-manejo-pragas-pitaia-sc\/","title":{"rendered":"Epagri identifica 19 pragas na pitaia catarinense e constr\u00f3i modelo de manejo que dispensa agrot\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, a pitaia era uma aposta arriscada para os agricultores do litoral catarinense. Fruta ex\u00f3tica, origin\u00e1ria da Am\u00e9rica Central, com mercado incerto e sem base t\u00e9cnica consolidada no Brasil. Hoje, Santa Catarina projeta colher 7,6 mil toneladas da fruta em 2026 \u2014 um salto que n\u00e3o aconteceu por acaso. Por tr\u00e1s desse crescimento est\u00e1 um trabalho silencioso e sistem\u00e1tico de pesquisadores que, desde 2016, constroem o alicerce cient\u00edfico que a cultura precisava para se firmar como neg\u00f3cio real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parte central desse esfor\u00e7o acontece na Esta\u00e7\u00e3o Experimental da Epagri em Itaja\u00ed (EEI), onde o entomologista Marcelo Mendes de Haro e o fitotecnista Alessandro Borini Lone formam a dupla respons\u00e1vel por transformar observa\u00e7\u00f5es de campo em tecnologias aplic\u00e1veis. O trabalho deles cobre frentes complementares: Marcelo se dedica ao manejo integrado de pragas, e Alessandro lidera os estudos de melhoramento gen\u00e9tico e produtividade. Juntos, eles respondem a perguntas que os produtores fazem diariamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O desafio de proteger uma cultura sem defensivos registrados<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o cultivo de pitaia come\u00e7ou a ganhar escala comercial, os problemas que vinham junto ficaram evidentes. Insetos, carac\u00f3is e formigas passaram a representar amea\u00e7as reais \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, e os agricultores se viram sem ferramentas legais para combat\u00ea-los. At\u00e9 hoje, praticamente nenhum defensivo agr\u00edcola tem registro no Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (MAPA) para uso na cultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Havia uma dificuldade muito grande na \u00e9poca porque tudo que se sabia sobre pitaia era baseado em literatura estrangeira. E pelo fato de n\u00e3o ter praticamente nenhum defensivo agr\u00edcola registrado no MAPA, a \u00fanica forma de combater pragas \u00e9 atrav\u00e9s da manipula\u00e7\u00e3o do ambiente e do controle biol\u00f3gico&#8221;<\/em>, afirma Marcelo Mendes de Haro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse contexto direcionou a pesquisa para um caminho que, de certa forma, acabou sendo mais robusto do que o convencional. O projeto &#8220;Manejo integrado de pragas de pitaia: desenvolvimento e implementa\u00e7\u00e3o de tecnologias de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica&#8221;, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa em Santa Catarina (Fapesc) e conclu\u00eddo em 2024, resultou no mapeamento de 19 potenciais pragas da cultura. O levantamento identificou 10 esp\u00e9cies de percevejos, tr\u00eas de besouros, duas de carac\u00f3is, dois grupos de formigas e ainda uma esp\u00e9cie de abelha-irapu\u00e1 \u2014 esta \u00faltima protegida por norma do Conama e que, por ser polinizadora, n\u00e3o pode ter seu ninho removido nem ser alvo de inseticidas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cada praga tem seu momento, cada dano tem sua l\u00f3gica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos achados mais pr\u00e1ticos da pesquisa \u00e9 a compreens\u00e3o de que as pragas n\u00e3o atacam o pomar de forma aleat\u00f3ria. Cada esp\u00e9cie encontra uma janela de vulnerabilidade espec\u00edfica no ciclo da planta, e entender essa din\u00e2mica \u00e9 o que permite ao produtor agir de forma preventiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os carac\u00f3is chegam primeiro, ainda nos brotos, e podem atrasar a maturidade do pomar em at\u00e9 tr\u00eas anos. Os besouros desfolhadores, conhecidos popularmente como vaquinhas, se alimentam do caule. As formigas se dividem em dois comportamentos distintos: a carpinteira cava o fruto no in\u00edcio do outono para fazer ninho, enquanto a cortadeira usa o caule para cultivar o fungo de que se alimenta. Os percevejos, que aparecem em maior n\u00famero justamente porque migram das lavouras de gr\u00e3os colhidas no in\u00edcio do ano \u2014 per\u00edodo que coincide com a safra da pitaia \u2014 se alimentam da seiva do fruto, do caule e do bot\u00e3o floral. <em>&#8220;Eles n\u00e3o causam dano \u00e0 polpa, mas deixam a fruta feia, afetando a viabilidade comercial&#8221;<\/em>, explica Marcelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a maci\u00e7a de percevejos tem uma explica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e produtiva clara: o litoral catarinense concentra tanto a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os quanto os pomares de pitaia, e quando os gr\u00e3os s\u00e3o colhidos, os insetos migram em busca de novos hospedeiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Controle biol\u00f3gico: o solo, a aduba\u00e7\u00e3o e as plantas que trabalham pelo produtor<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrat\u00e9gia de manejo desenvolvida pela Epagri n\u00e3o \u00e9 um protocolo de pulveriza\u00e7\u00f5es. \u00c9, essencialmente, uma reorganiza\u00e7\u00e3o do ambiente produtivo para que ele pr\u00f3prio regule as popula\u00e7\u00f5es de pragas. Tr\u00eas pilares sustentam esse modelo: cobertura permanente do solo, aduba\u00e7\u00e3o equilibrada baseada em an\u00e1lise e uso de quebra-ventos estrat\u00e9gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ver\u00e3o, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 o plantio de amendoim-forrageiro entre as fileiras da pitaia. No inverno, um mix de aveia preta e branca, centeio, nabo-forrageiro e ervilhaca cumpre a fun\u00e7\u00e3o de manter o solo vivo e protegido. A aduba\u00e7\u00e3o segue laudo t\u00e9cnico, e o produtor pode acessar o Kit Solo Saud\u00e1vel por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas \u2014 duas cotas por produtor, no valor de R$ 3.150,00 cada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os quebra-ventos, que poderiam parecer uma medida meramente estrutural, funcionam tamb\u00e9m como armadilhas ecol\u00f3gicas. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 plantar hibiscos e manac\u00e1s nas laterais da lavoura, cujas flores coloridas atraem as pragas para fora dos frutos comerciais. <em>&#8220;At\u00e9 bananeiras s\u00e3o \u00fateis porque atraem insetos ben\u00e9ficos que s\u00e3o predadores das pragas&#8221;<\/em>, revela Marcelo. A l\u00f3gica \u00e9 ampliar a biodiversidade funcional do pomar para que predadores naturais se estabele\u00e7am no local e controlem as popula\u00e7\u00f5es indesejadas sem interven\u00e7\u00e3o qu\u00edmica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da pesquisa ao campo: o trabalho de capacita\u00e7\u00e3o que chega ao produtor<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto Marcelo conduz os estudos entomol\u00f3gicos, Alessandro Borini Lone \u2014 que fez mestrado e doutorado na Universidade Estadual de Londrina sobre cultivo de pitaia \u2014 mant\u00e9m contato direto com os produtores de norte a sul do litoral catarinense. Desde 2016, os dois pesquisadores percorrem propriedades, participam de Dias de Campo e capacitam t\u00e9cnicos e extensionistas da Epagri em todo o Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa presen\u00e7a de campo n\u00e3o \u00e9 protocolo institucional. \u00c9 o canal pelo qual as descobertas do laborat\u00f3rio chegam \u00e0 m\u00e3o de quem planta, e pelo qual as demandas reais dos agricultores retroalimentam as perguntas cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O pr\u00f3ximo passo: um cultivar genuinamente catarinense<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o manejo de pragas avan\u00e7ado, a Epagri voltou a aten\u00e7\u00e3o para outro gargalo da cadeia: a falta de variedades registradas no Brasil desenvolvidas fora da Embrapa. Em 2025, Alessandro iniciou o projeto &#8220;Sele\u00e7\u00e3o de gen\u00f3tipos de pitaia para Santa Catarina&#8221;, que avalia 80 h\u00edbridos no banco de germoplasma da EEI. Ao longo de 2025 e 2026, 60 materiais j\u00e1 passaram pela primeira triagem, resultando na sele\u00e7\u00e3o de oito gen\u00f3tipos promissores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Esta primeira etapa de melhoramento gen\u00e9tico \u00e9 dedicada \u00e0 busca por frutos de qualidade, com bom potencial de dul\u00e7or, tamanho, cor da casca e polpa e viabilidade econ\u00f4mica&#8221;<\/em>, explica Alessandro Borini Lone.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em paralelo, um novo projeto iniciado em 2026 em parceria com o melhorista Ramon Scherer, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), aprofunda essa linha de pesquisa. O trabalho prev\u00ea ensaios de produtividade no campo a partir da clonagem por estaquia e comparativos com cultivares comerciais j\u00e1 dispon\u00edveis \u2014 um passo decisivo para que Santa Catarina possa, no futuro, registrar seus pr\u00f3prios cultivares de pitaia no MAPA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ci\u00eancia que sustenta a pitaia catarinense est\u00e1 sendo constru\u00edda de dentro para fora: do solo coberto \u00e0s plantas que atraem inimigos naturais, dos h\u00edbridos selecionados aos produtores capacitados. \u00c9 pesquisa feita com os p\u00e9s no ch\u00e3o \u2014 literalmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, a pitaia era uma aposta arriscada para os agricultores do litoral catarinense. Fruta ex\u00f3tica, origin\u00e1ria da Am\u00e9rica Central, com mercado incerto e sem base t\u00e9cnica consolidada no Brasil. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35372"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35374,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35372\/revisions\/35374"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35373"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35372"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=35372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}