{"id":35619,"date":"2026-05-26T21:36:49","date_gmt":"2026-05-27T00:36:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=35619"},"modified":"2026-06-06T16:11:25","modified_gmt":"2026-06-06T19:11:25","slug":"tremores-sp-rj-geologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/tremores-sp-rj-geologia\/","title":{"rendered":"Tremor no Rio, vibra\u00e7\u00e3o em SP: a geologia por tr\u00e1s de dois eventos que parecem iguais mas n\u00e3o s\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em menos de uma semana, moradores do Sudeste brasileiro relataram sentir a terra tremer em dois estados diferentes. No Rio de Janeiro, um tremor de magnitude 3.3 foi registrado na costa de Maric\u00e1 na \u00faltima quinta-feira (21). Em S\u00e3o Paulo, na segunda-feira (25), pessoas que estavam em edif\u00edcios altos da zona Oeste descreveram vibra\u00e7\u00f5es que duraram alguns segundos \u2014 resultado de um terremoto de magnitude 6.9 ocorrido no norte do Chile. Dois eventos, uma mesma semana, origens completamente distintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entender o que diferencia esses dois casos vai al\u00e9m da curiosidade cient\u00edfica. Revela como o solo brasileiro, frequentemente descrito como geologicamente est\u00e1vel, responde de maneiras surpreendentes a fen\u00f4menos que acontecem tanto no fundo do oceano quanto a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que aconteceu no Rio de Janeiro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O abalo registrado no litoral fluminense \u00e0s 5h31 de quinta-feira teve epicentro pr\u00f3ximo a Maric\u00e1 e foi monitorado pela Rede Sismogr\u00e1fica Brasileira (RSBR). Por ter ocorrido no mar e com magnitude baixa, n\u00e3o gerou relatos de impacto entre a popula\u00e7\u00e3o nem representou risco estrutural para a regi\u00e3o costeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O evento, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 exatamente uma raridade. <em>&#8220;A margem sudeste do Brasil \u00e9 a principal zona s\u00edsmica offshore do pa\u00eds, onde pequenos terremotos s\u00e3o relativamente frequentes&#8221;<\/em>, explica o sism\u00f3logo Dr. Gilberto Leite, do Observat\u00f3rio Nacional. A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas tens\u00f5es tect\u00f4nicas que atuam continuamente sobre a crosta terrestre nessa faixa costeira, acumulando e liberando energia de forma gradual e, na maioria das vezes, impercept\u00edvel para quem est\u00e1 em terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que distingue esse tipo de evento \u00e9 exatamente sua origem interna: a energia s\u00edsmica nasce ali, na pr\u00f3pria margem oce\u00e2nica brasileira, e se dissipa rapidamente sem percorrer grandes dist\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que aconteceu em S\u00e3o Paulo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso paulistano funciona de forma inversa. Nenhum abalo foi gerado sob o solo da capital \u2014 o que os moradores sentiram foi o eco de um evento que aconteceu a mais de 3 mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, nos Andes chilenos. Um terremoto de magnitude 6.9, com energia suficiente para atravessar o continente, chegou a S\u00e3o Paulo na forma de ondas s\u00edsmicas que percorreram a crosta sul-americana at\u00e9 atingir a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A raz\u00e3o pela qual S\u00e3o Paulo amplificou essas ondas tem a ver com sua geologia particular: a cidade est\u00e1 assentada sobre uma bacia sedimentar. Esse tipo de forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica funciona como uma caixa de resson\u00e2ncia natural, ampliando as ondas que chegam de longe e tornando percept\u00edveis movimentos que, sobre rocha s\u00f3lida, passariam completamente despercebidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Apesar do desconforto relatado por moradores, \u00e9 muito pouco prov\u00e1vel que sismos distantes causem danos estruturais em S\u00e3o Paulo&#8221;<\/em>, afirmam especialistas do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da USP. A vibra\u00e7\u00e3o sentida nos andares mais altos dos edif\u00edcios \u00e9 real, mas sua intensidade ao n\u00edvel do solo n\u00e3o alcan\u00e7a limiares capazes de comprometer estruturas constru\u00eddas dentro das normas t\u00e9cnicas vigentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tremor ou terremoto: a diferen\u00e7a importa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dois termos s\u00e3o frequentemente usados como sin\u00f4nimos no cotidiano, mas t\u00eam defini\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas precisas. Segundo o Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (SGB), eventos de baixa intensidade como os recentemente registrados em Minas Gerais (magnitude 2.9) e no Rio de Janeiro (magnitude 3.3) se enquadram na categoria de tremores de terra ou abalos s\u00edsmicos. O termo terremoto \u00e9 reservado para fen\u00f4menos de maior magnitude e extens\u00e3o de ruptura, como o que ocorreu no Chile e gerou ondas sentidas em outro pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas sem\u00e2ntica. Ela orienta protocolos de resposta, define o n\u00edvel de monitoramento necess\u00e1rio e determina se h\u00e1 ou n\u00e3o acionamento de alertas para a popula\u00e7\u00e3o e para setores de infraestrutura.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Brasil e a estabilidade relativa da Placa Sul-Americana<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pa\u00eds ocupa o centro da Placa Sul-Americana, uma das regi\u00f5es tectonicamente mais est\u00e1veis do planeta. Essa posi\u00e7\u00e3o explica por que a grande maioria dos sismos registrados em territ\u00f3rio nacional \u00e9 de baixa intensidade e n\u00e3o representa risco significativo para edifica\u00e7\u00f5es ou popula\u00e7\u00f5es. Ainda assim, a estabilidade n\u00e3o \u00e9 absoluta: margens costeiras, bacias sedimentares e regi\u00f5es pr\u00f3ximas a antigas estruturas geol\u00f3gicas podem apresentar atividade s\u00edsmica localizada, como o litoral do Rio de Janeiro demonstrou na \u00faltima semana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na engenharia civil, o conhecimento s\u00edsmico brasileiro orienta projetos de edif\u00edcios com redund\u00e2ncia estrutural e capacidade de deforma\u00e7\u00e3o controlada, pensados para suportar cargas din\u00e2micas mesmo em eventos pouco prov\u00e1veis. \u00c9 essa margem de seguran\u00e7a que transforma um pr\u00e9dio que balan\u00e7a em S\u00e3o Paulo numa experi\u00eancia desconcertante para seus moradores, mas n\u00e3o num risco real para quem est\u00e1 dentro dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em menos de uma semana, moradores do Sudeste brasileiro relataram sentir a terra tremer em dois estados diferentes. 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