{"id":36071,"date":"2026-06-11T12:47:15","date_gmt":"2026-06-11T15:47:15","guid":{"rendered":"https:\/\/maniadeplantas.com.br\/?p=36071"},"modified":"2026-06-11T12:47:15","modified_gmt":"2026-06-11T15:47:15","slug":"abelhas-inteligencia-resolucao-problemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/abelhas-inteligencia-resolucao-problemas\/","title":{"rendered":"O que as abelhas fizeram num laborat\u00f3rio na Finl\u00e2ndia desafia o que sabemos sobre intelig\u00eancia animal"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, o psic\u00f3logo alem\u00e3o Wolfgang K\u00f6hler suspendeu uma banana fora do alcance de um chimpanz\u00e9 e colocou uma pilha de caixas por perto. O primata avaliou a situa\u00e7\u00e3o, empilhou os engradados, subiu neles e alcan\u00e7ou a fruta. K\u00f6hler interpretou aquilo como evid\u00eancia de racioc\u00ednio espont\u00e2neo \u2014 a capacidade de solucionar um problema novo sem que ningu\u00e9m ensinasse o caminho. Durante d\u00e9cadas, esse tipo de comportamento foi tratado como atributo de animais com c\u00e9rebros grandes e complexos. Um estudo recente publicado na revista Science sugere que essa premissa precisa ser revisada com urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olli Loukola, ecologista comportamental da Universidade de Oulu, na Finl\u00e2ndia, adaptou o experimento cl\u00e1ssico de K\u00f6hler para testar abelhas da esp\u00e9cie <em>Bombus terrestris<\/em>, conhecidas no Brasil como mamangava-de-cauda-amarela-clara. O que ele encontrou foi inesperado o suficiente para chamar aten\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica internacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A armadilha inteligente montada no laborat\u00f3rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto de partida do experimento foi simples e preciso. Loukola condicionou as abelhas a associar a cor azul a uma recompensa alimentar, um processo que os insetos dominam com rapidez not\u00e1vel. <em>&#8220;As abelhas s\u00e3o muito r\u00e1pidas em associar coisas. Elas aprendem imediatamente que azul significa recompensa. Ent\u00e3o, come\u00e7am a procurar por coisas azuis&#8221;<\/em>, explicou o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com essa associa\u00e7\u00e3o estabelecida, ele criou o cen\u00e1rio do teste real: pintou um c\u00edrculo azul no teto de um recipiente fechado, mas sem colocar nenhum alimento l\u00e1. A recompensa existia, era vis\u00edvel, por\u00e9m estava completamente fora do alcance. O recipiente foi projetado de maneira precisa \u2014 alto demais para que as abelhas alcan\u00e7assem o teto em p\u00e9, mas pequeno demais para que conseguissem voar at\u00e9 l\u00e1. No ch\u00e3o, uma pequena bola de isopor havia sido deixada propositalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que aconteceu em seguida foi o centro de toda a descoberta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Setenta e cinco por cento delas fizeram a mesma coisa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem qualquer instru\u00e7\u00e3o, sem observar outra abelha resolver o problema antes e sem ter passado por treinamento espec\u00edfico, quase tr\u00eas quartos das abelhas testadas agarraram a bolinha de isopor, rolaram-na at\u00e9 a posi\u00e7\u00e3o diretamente abaixo do c\u00edrculo azul, subiram sobre ela e usaram esse degrau improvisado para tocar o teto e alcan\u00e7ar a recompensa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O comportamento foi registrado em v\u00eddeo e analisado em detalhe. Para eliminar qualquer d\u00favida sobre se as abelhas estariam apenas seguindo um reflexo ou uma rota visual direta, Loukola e sua equipe introduziram barreiras no interior do recipiente, bloqueando a linha de vis\u00e3o para o c\u00edrculo azul. A bola de isopor foi reposicionada em um canto diferente. Mesmo assim, cerca de 80% de um novo grupo de abelhas repetiu o comportamento: encontrou a bola, manobrou ao redor da barreira para localizar o c\u00edrculo e rolou o objeto at\u00e9 a posi\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;O que torna esse comportamento especialmente not\u00e1vel \u00e9 que as abelhas nunca haviam sido treinadas para rolar a bola. Este foi um desafio completamente novo. Seu comportamento pareceu ser direcionado a um objetivo, com os indiv\u00edduos bem-sucedidos apresentando padr\u00f5es de movimento mais direcionados&#8221;<\/em>, afirma Akshaye Bhambore, um dos coautores do estudo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O tamanho do c\u00e9rebro e o tamanho da descoberta<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que torna o resultado particularmente relevante para a ci\u00eancia \u00e9 o que ele implica sobre a rela\u00e7\u00e3o entre tamanho cerebral e capacidade cognitiva. O c\u00e9rebro de uma abelha tem aproximadamente o tamanho de uma semente de gergelim. Ainda assim, o inseto demonstrou um comportamento que, at\u00e9 este estudo, havia sido documentado sistematicamente apenas em mam\u00edferos e aves com estruturas neurais incomparavelmente mais complexas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas anteriores j\u00e1 haviam mostrado que abelhas s\u00e3o capazes de aprender socialmente, cooperar com outras da col\u00f4nia, resolver tarefas semelhantes a quebra-cabe\u00e7as e adaptar comportamentos de forma flex\u00edvel. O que este experimento acrescenta \u00e9 a dimens\u00e3o da espontaneidade: a capacidade de encarar um problema in\u00e9dito, sem refer\u00eancia pr\u00e9via, e encontrar uma solu\u00e7\u00e3o funcional por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Cat Hobaiter, primat\u00f3loga da Universidade de St. Andrews que acompanhou o estudo de fora, o experimento de Loukola replica com sucesso descobertas que v\u00eam sendo acumuladas com animais de diferentes grupos taxon\u00f4micos. <em>&#8220;C\u00e9rebros inteligentes v\u00eam em formatos e tamanhos realmente diversos&#8221;<\/em>, observou ela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que muda com essa descoberta<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A implica\u00e7\u00e3o mais imediata \u00e9 conceitual: os crit\u00e9rios que a ci\u00eancia usa para identificar e classificar intelig\u00eancia precisam ser ampliados. Durante muito tempo, a neuroci\u00eancia cognitiva tomou o volume e a complexidade do c\u00e9rebro como vari\u00e1veis preditoras do comportamento inteligente. Os polvos j\u00e1 haviam colocado em xeque parte dessa l\u00f3gica. As abelhas refor\u00e7am o argumento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 tamb\u00e9m uma camada ecol\u00f3gica importante nessa discuss\u00e3o. Abelhas como a <em>Bombus terrestris<\/em> desempenham papel fundamental na poliniza\u00e7\u00e3o de ecossistemas inteiros, e compreender melhor suas capacidades cognitivas oferece novos \u00e2ngulos para entender como elas tomam decis\u00f5es no campo, navegam por ambientes alterados e respondem a situa\u00e7\u00f5es que nunca enfrentaram antes \u2014 algo cada vez mais relevante num mundo onde os habitats mudam mais r\u00e1pido do que qualquer esp\u00e9cie consegue acompanhar por adapta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O experimento de Loukola come\u00e7ou com uma bolinha de isopor num recipiente fechado. Terminou deslocando uma fronteira cient\u00edfica que parecia bem estabelecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, o psic\u00f3logo alem\u00e3o Wolfgang K\u00f6hler suspendeu uma banana fora do alcance de um chimpanz\u00e9 e colocou uma pilha de caixas por perto. O primata avaliou a situa\u00e7\u00e3o, empilhou os engradados, subiu neles e alcan\u00e7ou a fruta. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36071"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36071\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36072,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36071\/revisions\/36072"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35654"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36071"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=36071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}