{"id":36397,"date":"2026-06-29T11:57:23","date_gmt":"2026-06-29T14:57:23","guid":{"rendered":"https:\/\/maniadeplantas.com.br\/?p=36397"},"modified":"2026-06-29T11:57:27","modified_gmt":"2026-06-29T14:57:27","slug":"idr-parana-novas-cultivares-fruticultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/idr-parana-novas-cultivares-fruticultura\/","title":{"rendered":"Cinquenta anos de melhoramento gen\u00e9tico resultaram nestas quatro frutas que o Paran\u00e1 est\u00e1 prestes a lan\u00e7ar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 pouco mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, pesquisadores do ent\u00e3o Iapar provaram algo que o senso comum da agricultura brasileira considerava improv\u00e1vel: era poss\u00edvel cultivar ma\u00e7\u00e3 no Paran\u00e1, num clima que nada tinha a ver com os pomares frios do Sul do pa\u00eds. As cultivares Eva e Julieta cruzaram fronteiras estaduais, chegaram at\u00e9 a Bahia e estabeleceram o instituto paranaense como refer\u00eancia nacional em adapta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de fruteiras. Agora, o IDR-Paran\u00e1, que incorporou o Iapar em sua estrutura, prepara o lan\u00e7amento de quatro novas cultivares, e a mesma l\u00f3gica que orientou aquela virada hist\u00f3rica continua guiando o trabalho: entender o que a planta precisa e redesenh\u00e1-la para o ambiente que o Brasil realmente tem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As quatro novidades, uma ma\u00e7\u00e3, duas ameixas e uma pitaia, est\u00e3o em etapas finais de avalia\u00e7\u00e3o e aguardam a conclus\u00e3o do processo de registro no Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria. Quando chegarem ao setor produtivo, v\u00e3o encontrar um mercado em transforma\u00e7\u00e3o acelerada, com novas demandas de consumo, novos desafios fitossanit\u00e1rios e uma fruticultura paranaense que cresce, mas ainda depende da pesquisa p\u00fablica para superar seus gargalos mais persistentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A ma\u00e7\u00e3 que dispensa metade do frio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as quatro cultivares, a ma\u00e7\u00e3 talvez seja a que carrega mais simbolismo hist\u00f3rico. Desenvolvida especificamente para regi\u00f5es de inverno ameno, ela exige aproximadamente 260 horas de frio para quebra de dorm\u00eancia, menos da metade do que variedades tradicionais do grupo Gala demandam. Esse n\u00famero, aparentemente t\u00e9cnico, tem consequ\u00eancias pr\u00e1ticas enormes: abre o cultivo comercial de ma\u00e7\u00e3s para regi\u00f5es que, nas condi\u00e7\u00f5es das cultivares convencionais, simplesmente n\u00e3o produziriam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O potencial produtivo supera 50 toneladas por hectare, aliado \u00e0 boa sanidade e \u00e0 resist\u00eancia \u00e0s principais doen\u00e7as da cultura. Um detalhe de manejo chama aten\u00e7\u00e3o dos produtores: a nova cultivar dispensa a poda verde, pr\u00e1tica feita para controlar o excesso de brota\u00e7\u00f5es e que representa um custo relevante no calend\u00e1rio do pomar. Os frutos apresentam formato uniforme, polpa crocante, equil\u00edbrio entre do\u00e7ura e acidez leve, e colora\u00e7\u00e3o com boa aceita\u00e7\u00e3o comercial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Por tr\u00e1s de cada nova cultivar h\u00e1 anos de estudos, cruzamentos e sele\u00e7\u00e3o de materiais superiores. Estamos colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos agricultores tecnologias que respondem a desafios concretos enfrentados pelo setor produtivo&#8221;<\/em>, afirma Altair Sebasti\u00e3o Dorigo, diretor-presidente do IDR-Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2024, o Paran\u00e1 colheu 25,7 mil toneladas de ma\u00e7\u00e3 em pouco mais de mil hectares cultivados, gerando um Valor Bruto de Produ\u00e7\u00e3o de R$ 87,2 milh\u00f5es, segundo dados do Deral. A nova cultivar n\u00e3o substitui as anteriores, mas expande a fronteira geogr\u00e1fica poss\u00edvel para esse cultivo, seguindo o mesmo caminho que Eva e Anabela percorreram ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Duas ameixas contra uma bact\u00e9ria que dizima pomares<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ameixa enfrenta um advers\u00e1rio espec\u00edfico e devastador na fruticultura brasileira: a Xylella fastidiosa, bact\u00e9ria transmitida por cigarrinhas que provoca a escaldadura das folhas e compromete a produtividade de pomares inteiros. Em muitas regi\u00f5es produtoras, essa doen\u00e7a se tornou o principal fator limitante da cultura, for\u00e7ando produtores a abandonar \u00e1rea ou a conviver com perdas cr\u00f4nicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas novas cultivares de ameixa do IDR-Paran\u00e1 foram desenvolvidas com resist\u00eancia a essa bact\u00e9ria como um dos atributos centrais. Al\u00e9m disso, ambas apresentam baixa exig\u00eancia em frio, caracter\u00edstica que ganha relev\u00e2ncia diante de invernos cada vez menos rigorosos em diversas regi\u00f5es produtoras do Sul e do Sudeste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas cultivares t\u00eam perfis distintos e complementares. Uma re\u00fane alta produtividade, longa vida p\u00f3s-colheita, maior teor de antioxidantes e excelente qualidade sensorial dos frutos. A outra se destaca pelo vigor das plantas, estabilidade produtiva e potencial para uso como polinizadora em pomares comerciais, fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica em sistemas onde a diversidade gen\u00e9tica favorece a frutifica\u00e7\u00e3o. O Paran\u00e1 colheu 6,4 mil toneladas de ameixa em 2024, em 450 hectares, com VBP de R$ 28,8 milh\u00f5es. A resist\u00eancia \u00e0 Xylella \u00e9 o tipo de atributo que pode mudar a conta de risco para o produtor que ainda hesita em ampliar \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A pitaia que chega antes das outras<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quarta cultivar do lote \u00e9 a que talvez chegue ao mercado com o vento mais favor\u00e1vel. A pitaia, desenvolvida a partir de cruzamentos realizados no Norte do Paran\u00e1, apresenta florescimento precoce que antecipa o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o em 20 a 25 dias em rela\u00e7\u00e3o aos principais materiais dispon\u00edveis atualmente. Numa cultura em que o calend\u00e1rio de colheita determina diretamente o pre\u00e7o obtido, essa janela de antecipa\u00e7\u00e3o representa uma vantagem comercial concreta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cultivar \u00e9 autof\u00e9rtil, o que reduz a depend\u00eancia de poliniza\u00e7\u00e3o cruzada e simplifica o manejo do pomar. Produtividade elevada, frutos com massa superior a 500 gramas, polpa branca firme e resist\u00eancia ao rachamento completam o perfil agron\u00f4mico. O rachamento, ali\u00e1s, \u00e9 um problema frequente em pitaias de alto calibre durante per\u00edodos chuvosos, e a resist\u00eancia a ele \u00e9 um diferencial relevante para quem produz com destino ao mercado in natura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O timing \u00e9 favor\u00e1vel por raz\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do Estado. A pitaia registra crescimento de 17% ao ano em lan\u00e7amentos globais, segundo dados da consultoria Kerry, e foi apontada como o sabor do ano 2026 no relat\u00f3rio Taste Charts \u2014 posi\u00e7\u00e3o ocupada pelo pistache nos dois anos anteriores. No Brasil, a produ\u00e7\u00e3o quadruplicou entre 2017 e 2023, passando de cerca de 1,5 mil toneladas para mais de 6 mil toneladas. O Paran\u00e1, com 333 hectares cultivados e VBP de R$ 41,7 milh\u00f5es em 2024, est\u00e1 posicionado para crescer dentro desse cen\u00e1rio, especialmente com cultivares que antecipam safra e entregam frutos de padr\u00e3o comercial superior.<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/viewer?url=https%3A%2F%2Fpolosebraeagro.sebrae.com.br%2Fwp-content%2Fuploads%2F2024%2F11%2F20241104-SEBRAEGO-RI-Principais_tendencias_para_o_mercado_de_alimentos_em_2025-PROD.pdf&amp;embedded=true&amp;chrome=false&amp;dov=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ci\u00eancia que transforma territ\u00f3rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conjunto das quatro cultivares n\u00e3o \u00e9 apenas um pacote de lan\u00e7amentos t\u00e9cnicos. \u00c9 a materializa\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia que o IDR-Paran\u00e1 cultiva h\u00e1 mais de cinco d\u00e9cadas: investir em melhoramento gen\u00e9tico de fruteiras adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es reais do clima paranaense, e n\u00e3o ao clima idealizado de manuais escritos para outras latitudes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;S\u00e3o tecnologias que aumentam a competitividade, ampliam a sustentabilidade dos sistemas agr\u00edcolas e ajudam a elevar a renda das propriedades rurais&#8221;<\/em>, resume Vania Moda Cirino, diretora de pesquisa e inova\u00e7\u00e3o do IDR-Paran\u00e1.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O hist\u00f3rico d\u00e1 credibilidade \u00e0 promessa. As cultivares de ma\u00e7\u00e3 lan\u00e7adas nas d\u00e9cadas anteriores ultrapassaram os limites do Paran\u00e1 e passaram a ser cultivadas em S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e at\u00e9 em outros pa\u00edses de clima subtropical. Esse movimento n\u00e3o aconteceu por acaso: aconteceu porque a adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente local produziu variedades genuinamente superiores para aquelas condi\u00e7\u00f5es. As quatro cultivares em prepara\u00e7\u00e3o seguem a mesma l\u00f3gica, e chegam num momento em que a fruticultura paranaense tem estrutura, mercado e apetite para absorv\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouco mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, pesquisadores do ent\u00e3o Iapar provaram algo que o senso comum da agricultura brasileira considerava improv\u00e1vel: era poss\u00edvel cultivar ma\u00e7\u00e3 no Paran\u00e1, num clima que nada tinha a ver com os pomares frios do Sul do pa\u00eds. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36397"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36397\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36398,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36397\/revisions\/36398"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25052"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36397"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=36397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}