{"id":36519,"date":"2026-07-07T09:09:53","date_gmt":"2026-07-07T12:09:53","guid":{"rendered":"https:\/\/maniadeplantas.com.br\/?p=36519"},"modified":"2026-07-07T09:10:35","modified_gmt":"2026-07-07T12:10:35","slug":"plantas-nativas-parana-uel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/plantas-nativas-parana-uel\/","title":{"rendered":"Como se define se uma planta \u00e9 bonita? A ci\u00eancia tem metodologia para isso, e a UEL est\u00e1 aplicando no Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Beleza costuma parecer um crit\u00e9rio subjetivo, daqueles que dependem apenas do olhar de quem observa. Na bot\u00e2nica aplicada ao paisagismo, no entanto, existe metodologia objetiva para avaliar se uma planta tem ou n\u00e3o potencial ornamental. \u00c9 esse crit\u00e9rio cient\u00edfico que orienta o projeto de pesquisa da Universidade Estadual de Londrina (UEL) intitulado &#8220;Coleta, Identifica\u00e7\u00e3o, Cultivo e Propaga\u00e7\u00e3o de Esp\u00e9cies Ornamentais da Flora Brasileira&#8221;, desenvolvido pelo Centro de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A frente de trabalho mais recente do projeto tem como palco o topo do Morro da Pedra Branca, na Serra do Cadeado, no norte do Paran\u00e1. O coordenador, professor Cristiano Medri, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal, explica que a avalia\u00e7\u00e3o leva em conta caracter\u00edsticas como formato das flores, textura das folhagens e estrutura geral da planta, seguindo par\u00e2metros que permitem comparar esp\u00e9cies de forma consistente, e n\u00e3o apenas por impress\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que buscar plantas em um afloramento rochoso<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha da Serra do Cadeado como \u00e1rea de coleta n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria. A forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica que d\u00e1 nome \u00e0 serra representa um trecho do escarpamento que separa o Segundo e o Terceiro Planalto Paranaense, com afloramentos de rochas que remontam ao per\u00edodo Permiano, h\u00e1 mais de 250 milh\u00f5es de anos. Essa geologia particular criou, ao longo do tempo, um mosaico vegetal de transi\u00e7\u00e3o entre a Floresta Ombr\u00f3fila Densa e a Floresta Ombr\u00f3fila Mista, a conhecida mata de arauc\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambientes de transi\u00e7\u00e3o costumam concentrar uma diversidade vegetal maior do que \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o homog\u00eanea, porque re\u00fanem esp\u00e9cies adaptadas a diferentes condi\u00e7\u00f5es de solo, umidade e insola\u00e7\u00e3o em um espa\u00e7o relativamente pequeno. Para um projeto que busca esp\u00e9cies com potencial ornamental ainda pouco estudado, esse tipo de \u00e1rea funciona como um verdadeiro banco gen\u00e9tico a c\u00e9u aberto, com plantas que evolu\u00edram em condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de altitude e afloramento rochoso, e que raramente aparecem em levantamentos flor\u00edsticos convencionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do Morro da Pedra Branca, o projeto j\u00e1 realizou coletas em pontos como o Distrito de Lerroville, Guaraque\u00e7aba, Pontal do Paran\u00e1, Ilha do Mel, Paraty e o Parque Nacional de Itatiaia, ampliando a base de esp\u00e9cies avaliadas para al\u00e9m do territ\u00f3rio paranaense.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O ciclo que transforma planta silvestre em planta de jardim<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encontrar uma esp\u00e9cie com apelo est\u00e9tico \u00e9 apenas a primeira etapa do processo. Depois da coleta e identifica\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica, o projeto avan\u00e7a para experimentos de domestica\u00e7\u00e3o, fase que busca entender como cultivar, multiplicar e manter cada esp\u00e9cie fora do seu habitat original. Esse \u00e9 o gargalo que historicamente impede que plantas nativas cheguem ao mercado de paisagismo: muitas esp\u00e9cies t\u00eam exig\u00eancias espec\u00edficas de solo, luminosidade ou associa\u00e7\u00f5es com fungos e polinizadores que dificultam sua adapta\u00e7\u00e3o a vasos e jardins convencionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A import\u00e2ncia de utilizarmos plantas nativas no paisagismo n\u00e3o \u00e9 apenas a quest\u00e3o de aproveitar o potencial ornamental das esp\u00e9cies que est\u00e3o a\u00ed. Utilizar plantas nativas no jardim tamb\u00e9m \u00e9 ecologicamente importante, porque elas est\u00e3o envolvidas em rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, permitindo que esp\u00e9cies de animais nativos se relacionem com elas&#8221;<\/em>, pondera Cristiano Medri.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa dimens\u00e3o ecol\u00f3gica \u00e9 um dos pontos mais relevantes do projeto. Uma planta nativa cultivada em jardim urbano continua servindo de alimento, abrigo ou local de reprodu\u00e7\u00e3o para insetos, aves e outros animais que coevolu\u00edram com ela ao longo de milhares de anos, algo que esp\u00e9cies ex\u00f3ticas normalmente n\u00e3o oferecem com a mesma efici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O tamanho do problema que o projeto tenta resolver<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O paisagismo praticado nas cidades brasileiras carrega uma contradi\u00e7\u00e3o not\u00e1vel. O pa\u00eds concentra uma das floras mais ricas do planeta, mas segue majoritariamente com esp\u00e9cies estrangeiras nos canteiros, pra\u00e7as e jardins. Estudos sobre arboriza\u00e7\u00e3o urbana em diferentes regi\u00f5es do Brasil apontam que mais da metade das esp\u00e9cies utilizadas no paisagismo das cidades brasileiras s\u00e3o ex\u00f3ticas, um n\u00famero que evidencia o quanto o potencial ornamental da flora nativa segue subaproveitado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse cen\u00e1rio nacional d\u00e1 ainda mais peso ao trabalho conduzido na Serra do Cadeado. Cada esp\u00e9cie identificada com potencial ornamental representa uma alternativa concreta \u00e0 importa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de plantas de outros continentes, com a vantagem adicional de estar naturalmente adaptada ao clima e ao solo brasileiros, exigindo menos manejo artificial para se manter saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma pesquisa que tamb\u00e9m olha para o telhado ao lado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto de Medri n\u00e3o caminha sozinho dentro da UEL. Em paralelo, o professor Luiz dos Anjos, do mesmo Departamento de Biologia Animal e Vegetal, conduz junto com um orientando um levantamento sobre a intera\u00e7\u00e3o de aves com telhados verdes e jardins compostos por esp\u00e9cies nativas, incluindo o pr\u00f3prio jardim residencial de Medri como um dos pontos de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa conex\u00e3o entre os dois estudos refor\u00e7a a l\u00f3gica central da pesquisa: esp\u00e9cie nativa cultivada em ambiente urbano n\u00e3o \u00e9 apenas ornamento, \u00e9 tamb\u00e9m infraestrutura ecol\u00f3gica. Um jardim com flora nativa se torna ponto de parada para p\u00e1ssaros, insetos polinizadores e outros pequenos animais que perderam espa\u00e7o com a expans\u00e3o urbana, funcionando como um corredor ecol\u00f3gico em miniatura dentro da cidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que essa pesquisa pode significar daqui a alguns anos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Projetos desse tipo raramente produzem resultado imediato. O processo de identifica\u00e7\u00e3o, domestica\u00e7\u00e3o e viabiliza\u00e7\u00e3o comercial de uma esp\u00e9cie nativa pode levar anos at\u00e9 que ela chegue de fato aos viveiros e, posteriormente, aos jardins particulares e p\u00fablicos. Ainda assim, cada esp\u00e9cie validada representa um ativo de longo prazo tanto para o paisagismo quanto para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade regional, j\u00e1 que o cultivo em maior escala reduz a press\u00e3o de coleta sobre popula\u00e7\u00f5es silvestres e amplia o conhecimento cient\u00edfico sobre esp\u00e9cies antes pouco estudadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Serra do Cadeado, forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica que carrega registros de mais de 250 milh\u00f5es de anos em suas rochas, pode assim ganhar um cap\u00edtulo adicional em sua hist\u00f3ria: o de ponto de partida para plantas que, um dia, v\u00e3o florescer em jardins de todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beleza costuma parecer um crit\u00e9rio subjetivo, daqueles que dependem apenas do olhar de quem observa. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36519","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36519"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36519\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36520,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36519\/revisions\/36520"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29529"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36519"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=36519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}