{"id":36606,"date":"2026-07-12T10:37:53","date_gmt":"2026-07-12T13:37:53","guid":{"rendered":"https:\/\/maniadeplantas.com.br\/?p=36606"},"modified":"2026-07-12T10:37:54","modified_gmt":"2026-07-12T13:37:54","slug":"chorona-maior-arvore-urbana-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/chorona-maior-arvore-urbana-brasil\/","title":{"rendered":"A maior \u00e1rvore urbana do Brasil est\u00e1 em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos e &#8220;chora&#8221; quando floresce"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Parque da Cidade Roberto Burle Marx, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, interior de S\u00e3o Paulo, existe uma \u00e1rvore que altera a percep\u00e7\u00e3o de quem passa por baixo dela. Em dias de flora\u00e7\u00e3o, mesmo sob sol forte e c\u00e9u limpo, pequenas got\u00edculas caem de seus galhos e molham quem est\u00e1 embaixo, criando a sensa\u00e7\u00e3o de uma chuva fina e localizada. O fen\u00f4meno deu origem ao apelido popular que a tornou conhecida em todo o pa\u00eds: Chorona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientificamente identificada como Samanea saman, e tamb\u00e9m chamada de \u00c1rvore-da-Chuva, o exemplar de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos entrou para o RankBrasil em 2017 como a maior \u00e1rvore de sua esp\u00e9cie registrada em territ\u00f3rio nacional. Sua copa alcan\u00e7a 40 metros de di\u00e2metro e projeta uma sombra que ultrapassa mil metros quadrados, \u00e1rea equivalente a quase dois campos de futebol society. A altura gira em torno de 14 metros, e estimativas da Prefeitura de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos indicam entre 90 e 100 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que faz a Chorona &#8220;chorar&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O comportamento que rendeu o apelido tem explica\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica bem documentada. Durante o per\u00edodo de flora\u00e7\u00e3o, a Samanea saman libera pequenas got\u00edculas provenientes das flores, um mecanismo associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de n\u00e9ctar e \u00e0 din\u00e2mica reprodutiva da esp\u00e9cie. Essas gotas caem continuamente da copa densa, e como a \u00e1rvore \u00e9 muito grande e frondosa, o efeito visual e sensorial se assemelha a uma garoa, mesmo em dias completamente secos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda um segundo fen\u00f4meno que refor\u00e7a a fama da \u00e1rvore, embora seja frequentemente confundido com o primeiro. A Samanea saman apresenta nictinastia, um movimento natural em que os fol\u00edolos se fecham durante a noite e em dias chuvosos ou muito nublados, reabrindo com a incid\u00eancia de luz solar direta. Esse comportamento, comum a diversas esp\u00e9cies da fam\u00edlia das leguminosas, \u00e9 uma resposta fisiol\u00f3gica a est\u00edmulos de luminosidade e faz parte do rel\u00f3gio biol\u00f3gico da planta. A combina\u00e7\u00e3o entre o gotejamento da flora\u00e7\u00e3o e o fechamento das folhas em dias fechados alimentou, ao longo de d\u00e9cadas, a fama de sensibilidade quase humana atribu\u00edda \u00e0 \u00e1rvore pelos moradores da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma esp\u00e9cie que veio de longe e se naturalizou no imagin\u00e1rio local<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Samanea saman n\u00e3o \u00e9 nativa do Brasil. Sua origem est\u00e1 associada \u00e0 Am\u00e9rica Central e ao norte da Am\u00e9rica do Sul, de onde se espalhou para diversas regi\u00f5es tropicais do planeta ao longo dos s\u00e9culos, muitas vezes utilizada como \u00e1rvore ornamental e de sombreamento em pra\u00e7as, fazendas e \u00e1reas urbanas. No territ\u00f3rio brasileiro, a esp\u00e9cie encontra condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis de desenvolvimento em regi\u00f5es como o Pantanal mato-grossense, o nordeste de Minas Gerais e a Amaz\u00f4nia Ocidental, o que explica sua adapta\u00e7\u00e3o bem-sucedida ao clima de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A copa horizontal e extremamente larga \u00e9 uma caracter\u00edstica reconhecida internacionalmente da esp\u00e9cie. Em pa\u00edses como Venezuela, Costa Rica e Porto Rico, exemplares de Samanea saman com d\u00e9cadas ou s\u00e9culos de vida tamb\u00e9m s\u00e3o tratados como patrim\u00f4nio natural e atra\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas, o que coloca a Chorona brasileira em um grupo seleto de \u00e1rvores gigantes da mesma esp\u00e9cie espalhadas pelo mundo tropical.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prote\u00e7\u00e3o legal e papel ecol\u00f3gico na cidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A relev\u00e2ncia da Chorona para S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos n\u00e3o \u00e9 apenas est\u00e9tica. Em fevereiro de 2012, a \u00e1rvore foi tombada como patrim\u00f4nio ambiental do munic\u00edpio pelo Decreto n\u00ba 14.878\/12, medida solicitada pela Secretaria de Meio Ambiente da cidade. O tombamento garante imunidade legal ao corte e obriga o poder p\u00fablico a adotar cuidados especiais de manejo e monitoramento da \u00e1rvore, pr\u00e1tica cada vez mais comum em cidades brasileiras que reconhecem \u00e1rvores centen\u00e1rias como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico-ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista ecol\u00f3gico, a copa extensa da Chorona desempenha fun\u00e7\u00e3o relevante no microclima do entorno. \u00c1reas sombreadas por grandes \u00e1rvores registram temperaturas sensivelmente mais baixas que espa\u00e7os expostos diretamente ao sol, efeito que se intensifica em cidades m\u00e9dias e grandes, onde o fen\u00f4meno de ilha de calor urbana se torna cada vez mais presente. A copa tamb\u00e9m funciona como abrigo para aves, insetos e pequenos mam\u00edferos, formando um microecossistema dentro do parque que abriga a \u00e1rvore.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos possui ainda outro exemplar de destaque na mesma categoria de patrim\u00f4nio natural: um Jequitib\u00e1-rosa com mais de 500 anos, 27 metros de altura e copa de 30 metros de di\u00e2metro, tamb\u00e9m tombado pela legisla\u00e7\u00e3o municipal. A presen\u00e7a de duas \u00e1rvores centen\u00e1rias de grande porte na mesma cidade refor\u00e7a uma caracter\u00edstica pouco comum entre munic\u00edpios brasileiros de m\u00e9dio porte, que \u00e9 a conviv\u00eancia direta entre patrim\u00f4nio arb\u00f3reo hist\u00f3rico e expans\u00e3o urbana acelerada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que o caso da Chorona ensina sobre arboriza\u00e7\u00e3o urbana<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c1rvores do porte da Chorona levam d\u00e9cadas, \u00e0s vezes s\u00e9culos, para atingir o desenvolvimento que hoje atrai visitantes e pesquisadores ao Parque da Cidade. Esse tempo de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal argumento usado por especialistas em arboriza\u00e7\u00e3o urbana para defender pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o rigorosa a exemplares antigos, j\u00e1 que nenhum plantio recente \u00e9 capaz de reproduzir em poucos anos o volume de copa, o valor ecol\u00f3gico e a capacidade de regula\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de uma \u00e1rvore centen\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Chorona segue como um dos principais pontos tur\u00edsticos ecol\u00f3gicos da regi\u00e3o do Vale do Para\u00edba, recebendo visitantes, estudantes e pesquisadores interessados tanto no recorde de tamanho quanto no fen\u00f4meno da flora\u00e7\u00e3o. Seu caso ilustra como uma \u00fanica \u00e1rvore, quando preservada ao longo de gera\u00e7\u00f5es, pode se transformar em s\u00edmbolo de identidade urbana e em argumento vivo a favor da conviv\u00eancia entre cidade e natureza.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Parque da Cidade Roberto Burle Marx, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, interior de S\u00e3o Paulo, existe uma \u00e1rvore que altera a percep\u00e7\u00e3o de quem passa por baixo dela. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36606"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36606\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36608,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36606\/revisions\/36608"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36606"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=36606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}