{"id":54281,"date":"2026-08-22T10:32:01","date_gmt":"2026-08-22T13:32:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/?p=54281"},"modified":"2026-08-22T10:32:02","modified_gmt":"2026-08-22T13:32:02","slug":"arvores-ozonio-qualidade-ar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/arvores-ozonio-qualidade-ar\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem que \u00e1rvores comuns nas cidades ajudam a formar polui\u00e7\u00e3o por oz\u00f4nio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa torre meteorol\u00f3gica de mais de cem metros de altura, no centro de Pequim, uma equipe de pesquisadores instalou sensores para medir, minuto a minuto, o que a cidade &#8220;respirava&#8221;. A inten\u00e7\u00e3o original era simples: entender o peso do tr\u00e2nsito e das f\u00e1bricas na polui\u00e7\u00e3o por oz\u00f4nio. O resultado surpreendeu os pr\u00f3prios cientistas. Uma parte relevante da qu\u00edmica que forma o poluente vinha da vegeta\u00e7\u00e3o urbana, plantada justamente para tornar o ar mais respir\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, publicado na revista Science Advances e destacado pela Nature nesta semana, identificou que determinadas \u00e1rvores liberam grandes volumes de compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis. Essas subst\u00e2ncias reagem com \u00f3xidos de nitrog\u00eanio, emitidos principalmente por ve\u00edculos e ind\u00fastrias, na presen\u00e7a de luz solar. Dessa rea\u00e7\u00e3o nasce o oz\u00f4nio troposf\u00e9rico, um g\u00e1s que inflama vias respirat\u00f3rias e agrava quadros de asma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um poluente que a \u00e1rvore n\u00e3o emite, mas ajuda a formar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O oz\u00f4nio n\u00e3o sai diretamente de nenhum escapamento nem de nenhuma folha. Ele se forma no ar, numa cadeia de rea\u00e7\u00f5es que depende de calor e luz. As \u00e1rvores entram nessa equa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do isopreno, um composto natural produzido durante a fotoss\u00edntese. Em Pequim, cerca de 35% das \u00e1rvores pertencem a esp\u00e9cies emissoras desse composto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando os pesquisadores compararam volumes, a vegeta\u00e7\u00e3o respondia por apenas 10% do total de compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis lan\u00e7ados no ar, enquanto atividades humanas respondiam pelos outros 90%. A surpresa apareceu quando a equipe calculou n\u00e3o o volume, mas a reatividade qu\u00edmica de cada subst\u00e2ncia. Nesse c\u00e1lculo, a vegeta\u00e7\u00e3o passou a responder por 52% do processo que leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do oz\u00f4nio, com o isopreno como principal respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Salgueiros, \u00e1lamos e um parente brasileiro que ningu\u00e9m citou<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os maiores emissores de isopreno est\u00e3o os g\u00eaneros Salix, os salgueiros, e Populus, os \u00e1lamos. Ambos aparecem em paisagismo urbano ao redor do mundo, incluindo o Brasil: o salgueiro-chor\u00e3o \u00e9 comum em pra\u00e7as e jardins, e esp\u00e9cies de \u00e1lamo s\u00e3o cultivadas na Regi\u00e3o Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo chin\u00eas n\u00e3o avaliou cidades brasileiras, o que impede qualquer conclus\u00e3o direta sobre o pa\u00eds. Ainda assim, h\u00e1 um dado que o artigo original n\u00e3o menciona e que interessa diretamente ao Brasil: o eucalipto est\u00e1 entre as esp\u00e9cies mais estudadas e mais citadas na literatura cient\u00edfica como emissor intenso de isopreno, compar\u00e1vel a salgueiros e \u00e1lamos em algumas medi\u00e7\u00f5es. O g\u00eanero cobre milh\u00f5es de hectares de plantios comerciais no pa\u00eds e tamb\u00e9m aparece em arboriza\u00e7\u00e3o urbana em diversas regi\u00f5es. Pesquisas conduzidas na Austr\u00e1lia, onde eucaliptos dominam a paisagem, j\u00e1 haviam associado essas \u00e1rvores a aumentos expressivos de oz\u00f4nio em cidades como Sydney, algo que o pr\u00f3prio estudo chin\u00eas cita ao estimar o potencial de outras megacidades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O calor muda as regras do jogo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A temperatura funciona como um acelerador dessas rea\u00e7\u00f5es. Segundo os c\u00e1lculos da pesquisa, a 35\u00b0C a velocidade das rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas envolvendo compostos emitidos pela vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 sete vezes maior do que a 20\u00b0C. Como consequ\u00eancia, a contribui\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores para a forma\u00e7\u00e3o de oz\u00f4nio salta de 21% para 74% entre essas duas temperaturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O efeito se soma ao das ilhas de calor urbanas. Os pesquisadores estimam que um aumento t\u00edpico de 0,8\u00b0C durante o ver\u00e3o pode elevar em cerca de 12% as emiss\u00f5es de isopreno das \u00e1rvores de uma cidade. Isso acontece porque o estresse t\u00e9rmico faz \u00e1rvores urbanas emitirem mais compostos vol\u00e1teis do que indiv\u00edduos da mesma esp\u00e9cie que crescem em florestas, distantes do asfalto e do concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, esse tipo de din\u00e2mica j\u00e1 \u00e9 monitorado, ainda que por outro \u00e2ngulo. A Cetesb acompanha diariamente os n\u00edveis de oz\u00f4nio na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, e os relat\u00f3rios da companhia mostram que os dias de maior concentra\u00e7\u00e3o do poluente coincidem justamente com temperaturas altas e forte incid\u00eancia solar, o mesmo padr\u00e3o clim\u00e1tico que intensifica as emiss\u00f5es descritas no estudo chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cortar \u00e1rvores n\u00e3o \u00e9 a resposta<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores do estudo fazem quest\u00e3o de evitar uma leitura precipitada. Segundo eles, as \u00e1rvores continuam essenciais para reduzir temperatura, armazenar carbono e sustentar biodiversidade nas cidades. O que muda \u00e9 a forma de planejar a arboriza\u00e7\u00e3o: escolher esp\u00e9cies com menor potencial de emiss\u00e3o pode reduzir o problema sem abrir m\u00e3o dos benef\u00edcios ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores refor\u00e7am ainda que a maior parte dos compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis presentes na atmosfera continua vindo de fontes humanas, como derivados de petr\u00f3leo e solventes industriais. Reduzir emiss\u00f5es de \u00f3xidos de nitrog\u00eanio, os parceiros qu\u00edmicos que as \u00e1rvores precisam para formar oz\u00f4nio, segue sendo a estrat\u00e9gia mais eficaz para conter o poluente nas cidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso chin\u00eas abre uma pergunta que o planejamento urbano brasileiro ainda n\u00e3o respondeu: quais esp\u00e9cies est\u00e3o sendo plantadas nas pra\u00e7as, avenidas e parques do pa\u00eds, e com que crit\u00e9rio. Enquanto cidades como Pequim e Sydney j\u00e1 t\u00eam dados sobre o pr\u00f3prio verde urbano, o Brasil segue sem um mapeamento equivalente, mesmo cultivando em larga escala g\u00eaneros que a ci\u00eancia j\u00e1 classificou entre os mais reativos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa torre meteorol\u00f3gica de mais de cem metros de altura, no centro de Pequim, uma equipe de pesquisadores instalou sensores para medir, minuto a minuto, o que a cidade &#8220;respirava&#8221;. A inten\u00e7\u00e3o original era simples: entender o peso do tr\u00e2nsito e das f\u00e1bricas na polui\u00e7\u00e3o por oz\u00f4nio. O resultado surpreendeu os pr\u00f3prios cientistas. Uma parte [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":990033,"featured_media":54282,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[708],"tags":[],"ppma_author":[710],"class_list":["post-54281","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eco-clima-sustentabilidade","author-suzanamachado"],"authors":[{"term_id":710,"user_id":990033,"is_guest":0,"slug":"suzanamachado","display_name":"Suzana Machado","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/34744d3f8b3d8a95e0f9e2e4eb3bd970696971266240a79032684ab62a41bbaf?s=96&d=mm&r=g","author_category":"","first_name":"Suzana","last_name":"Machado","user_url":"","job_title":"","description":"M\u00e3e, empreendedora, educadora e apaixonada por plantas e animais. Suzana acredita que o cuidado e a empatia s\u00e3o as bases de qualquer desenvolvimento saud\u00e1vel. Formada em Administra\u00e7\u00e3o e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, comanda sua pr\u00f3pria loja (MF Feminina) e cuida de suas plantas. No Ellas Magazine, Suzana transforma sua viv\u00eancia em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets, jardinagem, natureza e dicas de beleza."}],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/arvore.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990033"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54281"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54283,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54281\/revisions\/54283"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54281"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=54281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}