{"id":54868,"date":"2026-10-21T10:06:27","date_gmt":"2026-10-21T13:06:27","guid":{"rendered":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/?p=54868"},"modified":"2026-10-21T10:06:29","modified_gmt":"2026-10-21T13:06:29","slug":"mel-capanema-indicacao-geografica-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/mel-capanema-indicacao-geografica-parana\/","title":{"rendered":"Mel de Capanema vira a 29\u00aa Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica do Paran\u00e1: entenda como o selo j\u00e1 movimenta o turismo na regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mel produzido em Capanema, no Sudoeste do Paran\u00e1, acaba de se tornar o quarto do estado a receber um selo que poucos produtos conseguem: a garantia oficial de que seu sabor e suas propriedades s\u00f3 existem por causa de um peda\u00e7o espec\u00edfico de natureza preservada. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial concedeu nesta ter\u00e7a-feira (20) a Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica ao mel da regi\u00e3o, reconhecimento que coloca o Paran\u00e1 na lideran\u00e7a nacional, com 29 das 183 IGs j\u00e1 registradas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O selo foi concedido na modalidade Denomina\u00e7\u00e3o de Origem, categoria mais rigorosa dentro do sistema de indica\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas. Ela exige comprova\u00e7\u00e3o de que as qualidades do produto decorrem exclusivamente de fatores naturais e humanos exclusivos daquele territ\u00f3rio. No caso do mel de Capanema, a origem dessas caracter\u00edsticas est\u00e1 na intera\u00e7\u00e3o das abelhas com a flora nativa da Mata Atl\u00e2ntica, preservada no Parque Nacional do Igua\u00e7u, na fronteira entre Brasil e Argentina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma tradi\u00e7\u00e3o de mais de cinco d\u00e9cadas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A apicultura em Capanema n\u00e3o \u00e9 um movimento recente. A atividade tem mais de 50 anos de hist\u00f3ria na regi\u00e3o e est\u00e1 profundamente ligada \u00e0 agricultura familiar. O pedido de reconhecimento foi protocolado pela Associa\u00e7\u00e3o de Apicultores de Capanema e Regi\u00e3o, entidade que re\u00fane produtores vinculados \u00e0 atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, esses apicultores mant\u00eam cerca de 5 mil colmeias espalhadas pela regi\u00e3o e produzem 60 toneladas de mel por ano. Parte dessa produ\u00e7\u00e3o abastece o mercado local e a rede de servi\u00e7os do entorno do Parque Nacional do Igua\u00e7u, enquanto outra parcela segue para estados como S\u00e3o Paulo e Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando o mel vira roteiro tur\u00edstico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica n\u00e3o \u00e9 apenas um registro de propriedade intelectual. Ela tamb\u00e9m funciona como ferramenta de desenvolvimento regional, e \u00e9 justamente esse efeito que j\u00e1 come\u00e7a a aparecer em Capanema. Segundo Irapuan Cortes, diretor-presidente do Viaje Paran\u00e1, a certifica\u00e7\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o direta com o turismo, pois refor\u00e7a o senso de pertencimento regional e d\u00e1 visibilidade a produtos t\u00edpicos dos munic\u00edpios paranaenses. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso das balas de banana de Antonina, lembra ele, mostra como um produto certificado pode se transformar em parte de um passeio e agregar valor a um roteiro tur\u00edstico inteiro. Em Capanema, essa transforma\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou. Alguns api\u00e1rios organizam visitas guiadas em que turistas acompanham de perto o processo de extra\u00e7\u00e3o do mel e conhecem as colmeias. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cleiton Lagemann, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Apicultores de Capanema e Regi\u00e3o, explica que durante essas visitas os produtores oferecem acompanhamento t\u00e9cnico aos visitantes, mostrando cada etapa do tratamento do produto. A atividade j\u00e1 integra a rota tur\u00edstica do munic\u00edpio, e a expectativa \u00e9 que a Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica amplie ainda mais esse fluxo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para produtoras como Salete Manchini, propriet\u00e1ria do Api\u00e1rio Manchini, o turismo representa uma frente adicional de renda que vale a pena desenvolver. Ela conta que o api\u00e1rio est\u00e1 se preparando para ampliar essa oferta, j\u00e1 que o passeio funciona como uma forma de transmitir conhecimento por meio de uma produ\u00e7\u00e3o genuinamente local.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Paran\u00e1 lidera produ\u00e7\u00e3o nacional de mel<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros recentes do setor explicam por que o Paran\u00e1 concentra tantos registros ligados \u00e0 apicultura. Conforme dados da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, o estado foi o segundo maior produtor de mel do Brasil em 2025, com 10,7 mil toneladas colhidas, alta de 7,1% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Em valor de produ\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, o Paran\u00e1 assumiu a primeira posi\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, com R$ 217,7 milh\u00f5es, equivalentes a quase um quinto de todo o valor gerado pela apicultura nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o mel de Capanema, o estado passa a ter quatro m\u00e9is certificados pelo INPI. O primeiro foi o mel de Ortigueira, reconhecido em 2015, seguido pelo mel do Oeste do Paran\u00e1, que abrange 48 munic\u00edpios, certificado em 2017. Em 2021, o mel de melato da Bracatinga do Planalto Sul do Brasil recebeu o selo concedido a Santa Catarina, incluindo 12 munic\u00edpios paranaenses na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o. Capanema fecha esse ciclo mais recente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O papel invis\u00edvel das abelhas na economia rural<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conquista da Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica refor\u00e7a um ponto que costuma passar despercebido fora do universo da apicultura: o trabalho das abelhas vai muito al\u00e9m do pote de mel. Um relat\u00f3rio elaborado pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos, em parceria com a Rede Brasileira de Intera\u00e7\u00f5es Planta-Polinizador, estimou que o servi\u00e7o ecossist\u00eamico de poliniza\u00e7\u00e3o gerou cerca de R$ 43 bilh\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no pa\u00eds em um \u00fanico ano. As abelhas s\u00e3o apontadas pelo estudo como o grupo de polinizadores mais ativo da agricultura brasileira, atuando em mais de 90% das principais culturas agr\u00edcolas j\u00e1 estudadas no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse dado ajuda a entender por que iniciativas como a de Capanema importam al\u00e9m da economia local. Cada colmeia preservada sustenta n\u00e3o s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o de mel, mas tamb\u00e9m parte do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico que garante a poliniza\u00e7\u00e3o de lavouras e \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa ao redor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sebrae aponta ganhos para pequenos produtores<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O apoio t\u00e9cnico tamb\u00e9m teve papel relevante nesse processo. O Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas acompanha produtores de diferentes setores na obten\u00e7\u00e3o de Indica\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas, por entender que o selo amplia as oportunidades de mercado dentro e fora do pa\u00eds. Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, destaca que o reconhecimento da Denomina\u00e7\u00e3o de Origem valida o padr\u00e3o t\u00e9cnico e a identidade do mel produzido em Capanema. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a agricultura familiar da regi\u00e3o, isso significa mais organiza\u00e7\u00e3o produtiva, prote\u00e7\u00e3o da proced\u00eancia no mercado e abertura de canais comerciais com compradores que exigem comprova\u00e7\u00e3o de origem e diferencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Paran\u00e1 acumula sete novos registros s\u00f3 em 2026<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mel de Capanema integra uma safra expressiva de reconhecimentos conquistados pelo Paran\u00e1 neste ano. Somente em 2026, o estado j\u00e1 somou sete novas Indica\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas, incluindo as cervejas artesanais de Guarapuava, o p\u00e3o no bafo de Palmeira, o couro de peixe de Pontal do Paran\u00e1, o ginseng de Quer\u00eancia do Norte, o caf\u00e9 da Serra de Apucarana e as tortas de Carambe\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desempenho confirma uma trajet\u00f3ria que j\u00e1 vinha de 2025, ano em que o Paran\u00e1 obteve oito novos registros, entre eles as ostras do Cabaraquara, a ponc\u00e3 de Cerro Azul e o queijo colonial do Sudoeste do Paran\u00e1. Juntos, esses produtos formam um mapa cada vez mais amplo de identidades regionais reconhecidas oficialmente, que vai do litoral aos Campos Gerais e passa por munic\u00edpios pequenos que encontram no selo uma forma concreta de proteger sua economia local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Capanema, o pr\u00f3ximo cap\u00edtulo j\u00e1 est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o. Com o registro oficial em m\u00e3os, a expectativa dos apicultores \u00e9 transformar visitas pontuais em um fluxo tur\u00edstico mais estruturado, consolidando o mel n\u00e3o apenas como produto de exporta\u00e7\u00e3o regional, mas como porta de entrada para conhecer um peda\u00e7o da Mata Atl\u00e2ntica que segue de p\u00e9 gra\u00e7as, em parte, ao trabalho silencioso das abelhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reconhecimento do INPI confirma que as caracter\u00edsticas do mel t\u00eam origem na flora nativa da Mata Atl\u00e2ntica preservada no entorno do Parque Nacional do Igua\u00e7u, e a apicultura da regi\u00e3o j\u00e1 atrai visitantes interessados em conhecer o processo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":990034,"featured_media":54869,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[708],"tags":[],"ppma_author":[710],"class_list":["post-54868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eco-clima-sustentabilidade","author-suzanamachado"],"authors":[{"term_id":710,"user_id":990033,"is_guest":0,"slug":"suzanamachado","display_name":"Suzana Machado","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/34744d3f8b3d8a95e0f9e2e4eb3bd970696971266240a79032684ab62a41bbaf?s=96&d=mm&r=g","author_category":"","first_name":"Suzana","last_name":"Machado","user_url":"","job_title":"","description":"M\u00e3e, empreendedora, educadora e apaixonada por plantas e animais. Suzana acredita que o cuidado e a empatia s\u00e3o as bases de qualquer desenvolvimento saud\u00e1vel. Formada em Administra\u00e7\u00e3o e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, comanda sua pr\u00f3pria loja (MF Feminina) e cuida de suas plantas. No Ellas Magazine, Suzana transforma sua viv\u00eancia em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets, jardinagem, natureza e dicas de beleza."}],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/creditos_carina_pelegrini_2.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990034"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54868"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54868\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54870,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54868\/revisions\/54870"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54869"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54868"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=54868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}