Comportamento
O Dia dos Pais que ninguém comemora com elas (e devia)

O Dia dos Pais 2026 cai em 9 de agosto e, pra um exército de mulheres brasileiras, essa data bate diferente. Elas criam sozinhas. Educam sozinhas. Tomam decisão importante sozinhas, no meio da madrugada, sem ninguém pra dividir o peso. É a dupla função parental rodando 24h, todos os dias do ano, sem folga e sem crédito.
Já parou pra pensar quantas mulheres você conhece que fazem isso na prática e nunca ganharam um “parabéns” por isso? Pois é. O Brasil tem milhões de lares chefiados só por mulheres, segundo o IBGE, e o número não para de crescer. “Mãe que também é pai” deixou de ser figura de linguagem. Virou rotina, virou boleto, virou conversa difícil sobre sexualidade na mesma tarde em que teve bronca por nota baixa.
O peso emocional que ninguém coloca na conta
Fazer os dois papéis ao mesmo tempo é uma cisão diária de identidade. Ela dá o colo e também impõe o limite. Aplica a disciplina e oferece o acolhimento, no mesmo fôlego, sem intervalo. Ensina a lidar com o mundo lá fora e ainda protege da dureza desse mesmo mundo.
Isso tem nome: sobrecarga mental. É viver em estado de alerta permanente, calculando o próximo passo da criança sem parceiro pra rachar a conta emocional. O corpo cobra a fatura. A mente também. E o Dia dos Pais chega como um espelho incômodo: ela segura tudo, mas ninguém lembrou de perguntar como ela está.
Por que essa data pesa tanto pra quem cria sozinha
Data comemorativa reforça papel tradicional, isso é fato. Tem o dia da mãe, tem o dia do pai, e a mulher que ocupa os dois lugares fica sem representação em nenhum dos dois calendários. Ela segura a rotina inteira e ainda assim não se sente contemplada em agosto. Faz sentido isso incomodar? Faz.
O combo orgulho e cansaço aparece toda vez. Orgulho por dar conta sozinha. Cansaço por nunca ter uma pausa reconhecida por ninguém. Validação emocional pesa tanto quanto qualquer presente embrulhado.
Como equilibrar a data sem virar exaustão
Reconhecer o próprio esforço é o primeiro movimento, e ele começa com ela mesma. Vale reservar um pedaço da data só pra si, sem culpa: um café em silêncio, uma mensagem carinhosa pra uma amiga, uma pausa de cinco minutos antes da correria engolir o dia inteiro. Quem faz o trabalho de duas pessoas precisa aprender a se celebrar quando ninguém mais faz isso primeiro.
Conversar com os filhos sobre a data, numa linguagem que a idade deles entenda, ressignifica o momento dentro de casa. Explicar que a família tem uma configuração própria fortalece o vínculo e evita comparação dolorosa com outros modelos de família.
Buscar rede de apoio muda o jogo. Grupo de mães solo, terapia, ou simplesmente uma conversa franca com quem vive a mesma realidade alivia o peso que a data reativa, ano após ano.
O Dia dos Pais 2026 vai continuar sendo, pra muita mulher, o lembrete de que ela faz o trabalho de duas pessoas sozinha. Mas também pode virar a chance perfeita de dizer isso em voz alta, sem pedir desculpa por ocupar esse espaço duplo. E você, conhece alguma mãe que também é pai?
Mãe, empreendedora, educadora e apaixonada por animais. Suzana acredita que o cuidado e a empatia são as bases de qualquer desenvolvimento saudável. Formada em Administração e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, à proteção animal e comanda sua própria loja (MF Feminina), onde faz o comercio de roupas femininas, lingeries, cosméticos, perfumaria e produtos de beleza. No Ellas Magazine, Suzana transforma sua vivência em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets e dicas de beleza.