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O sérum amazônico que nasceu no quintal e levou mãe e filho a um negócio milionário

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maefilho - O sérum amazônico que nasceu no quintal e levou mãe e filho a um negócio milionário

A história por trás da Ekilibre Amazônia parece roteiro de filme: um advogado que larga a carreira tradicional, uma farmacêutica que decide apostar no sonho do filho e uma floresta que se torna laboratório vivo de inovação. O resultado? Uma marca de cosméticos naturais que ultrapassou a marca de R$ 2 milhões em faturamento e agora prepara os primeiros passos rumo ao mercado internacional.

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Fundada por Kairós Kanavarro e Zezé Freitas, a Ekilibre Amazônia nasceu de inquietações pessoais e se consolidou como um negócio que une ciência, ancestralidade e propósito. Mais do que vender protetor solar, sérum amazônico ou creme facial natural, a empresa construiu um modelo que conecta floresta, comunidades e consumo consciente.

A viagem que mudou tudo

Antes de existir como CNPJ, a marca começou como inquietação. Em 2008, Kairós decidiu interromper a advocacia em São Paulo e viajar pela América Latina. O plano de dois meses se transformou em três anos e meio de imersão em 14 países, com contato direto com comunidades indígenas e ribeirinhas. Ali, ele conheceu de perto o uso tradicional de plantas e ingredientes que, até então, estavam distantes da indústria cosmética convencional.

Ao retornar ao Brasil, a decisão foi radical: abandonar o Direito e trabalhar com plantas. Segundo ele, a escolha pelos cosméticos naturais aconteceu porque são produtos presentes na rotina diária, impossíveis de ignorar. Assim, começaram as primeiras formulações artesanais, produzidas em casa, com ingredientes simples e processos experimentais.

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Zezé Freitas, farmacêutica experiente e usuária fiel de dermocosméticos, inicialmente estranhou a mudança. Contudo, passou a testar as fórmulas desenvolvidas pelo filho e gradualmente substituiu seus produtos tradicionais pelos novos cremes artesanais. O que era ceticismo virou sociedade. A partir dali, mãe e filho se tornaram sócios de um projeto que misturava ciência e floresta.

Da venda em praça à primeira loja

O passo seguinte levou Kairós à Amazônia, mais precisamente a Alter do Chão, no Pará. A produção ainda era pequena: sabonetes e desodorantes vendidos diretamente em feiras e praças, expostos em cestas de palha. A resposta do público foi imediata. Em poucos minutos, os produtos se esgotavam.

A percepção da demanda incentivou a abertura da primeira loja física em 2012, com investimento inicial de R$ 10 mil. Era um começo modesto, mas já havia ali um diferencial importante: a decisão de produzir na região, utilizando ativos amazônicos e fortalecendo a cadeia local.

A formalização veio apenas em 2016, marcando uma nova fase. Zezé passou a atuar diretamente na expansão em São Paulo, hoje principal mercado consumidor da marca. A combinação da formação farmacêutica dela com a visão estratégica de Kairós estruturou o crescimento.

O protetor solar que virou carro-chefe

Entre os produtos da Ekilibre Amazônia, o protetor solar físico se tornou destaque. Diferente dos filtros químicos convencionais, ele forma uma barreira que reflete a luz solar. Com fórmula enxuta e proposta mais limpa, conquistou consumidores atentos à composição dos produtos que aplicam na pele diariamente.

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O portfólio inclui ainda desodorante natural, sérum amazônico com óleos vegetais, creme facial noturno com manteigas de cupuaçu e murumuru, além de uma linha infantil certificada como natural, orgânica, vegana e kosher. Aliás, todas as fórmulas passam por processos de rastreabilidade e certificações que garantem pureza e origem dos insumos.

O modelo de negócio também evoluiu. Hoje, a receita se divide entre B2C, com vendas em e-commerce e marketplaces, e B2B, com produção para marcas terceiras. O tíquete médio varia conforme o canal, mas o crescimento mais acelerado vem do comércio digital.

Amazônia como cadeia produtiva e propósito

Um dos diferenciais da marca está na relação direta com comunidades fornecedoras. A empresa trabalha com cerca de 30 a 35 parceiros na floresta, adquirindo matérias-primas sem intermediários. Em alguns casos, financiou certificações orgânicas e ajudou na estruturação formal de pequenos produtores.

Esse modelo, entretanto, traz desafios logísticos. Parte das embalagens vem do Sudeste, segue para a Amazônia para envase e retorna ao principal centro consumidor. Ainda assim, o compromisso com a produção local permanece como pilar estratégico.

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Em 2026, a empresa inaugura uma nova fábrica em Manaus, com incentivos da Zona Franca. A expectativa é ampliar a produção, fortalecer o braço B2B e preparar terreno para a expansão internacional.

Rumo aos Estados Unidos e Europa

Após faturar R$ 1,8 milhão em 2024 e ultrapassar R$ 2 milhões em 2025, a projeção é alcançar R$ 3 milhões em 2026. O plano inclui entrada nos mercados europeu e norte-americano, especialmente na Flórida e na Califórnia, regiões com forte consumo de protetor solar e crescente busca por cosméticos naturais certificados.

A estratégia de marketing combina presença ativa no Instagram, investimento mensal consistente em tráfego pago e foco em performance no Google e marketplaces. Contudo, o discurso da marca vai além de números.

Para Kairós, o legado envolve fortalecer a cadeia produtiva amazônica e gerar riqueza na região. Já Zezé enxerga a missão como uma forma de mostrar ao próprio povo amazônico o valor da biodiversidade local.

Em um mercado saturado de promessas, a Ekilibre Amazônia construiu algo raro: um negócio que equilibra ciência, ancestralidade e visão empresarial. E, ao que tudo indica, essa história está apenas começando.