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Para os pets, festa vira trauma: fogos assustam 8 em cada 10 animais no Brasil

Datas comemorativas costumam ser associadas a alegria, encontros e celebrações, mas, para muitos animais de estimação, esses períodos são marcados por medo intenso e sofrimento. O barulho de fogos e rojões segue sendo uma das principais causas de estresse extremo entre pets, criando um cenário que vai muito além de um simples susto momentâneo e pode deixar marcas duradouras no comportamento e na saúde dos animais.
Uma pesquisa recente revelou que 84% dos animais de estimação têm medo de fogos de artifício, e cerca de oito em cada dez sofrem diretamente com a poluição sonora provocada pelos estampidos. O dado ajuda a explicar por que tantos tutores relatam situações de fuga, acidentes e mudanças repentinas de comportamento sempre que o som das explosões começa a ecoar.
Quando o barulho vira ameaça real à segurança dos pets
O impacto do som alto não se limita ao desconforto. Mais da metade dos tutores ouvidos afirmou que seus animais já fugiram ou que conhecem casos de pets que escaparam de casa em momentos de pânico. O medo súbito faz com que cães e gatos tentem se esconder, atravessem portões, pulem muros ou corram sem direção, aumentando o risco de atropelamentos e desaparecimentos.
Esse cenário se reflete diretamente na rotina de clínicas veterinárias, especialmente em épocas festivas. Profissionais relatam atendimentos frequentes de animais com problemas de saúde ou alterações comportamentais associadas ao estresse causado pelos fogos, o que reforça a gravidade do tema e o quanto ele ainda é subestimado no dia a dia.
Ansiedade, estresse e reações físicas provocadas pelos rojões
O medo desencadeado pelos estampidos provoca respostas intensas no organismo dos pets. Grande parte dos animais apresenta ansiedade extrema, acompanhada de aceleração dos batimentos cardíacos, respiração ofegante e sinais claros de estresse fisiológico. Em muitos casos, o pânico se manifesta por comportamentos destrutivos, tentativas de fuga, vocalizações excessivas e até automutilação.

Além disso, não são raras as situações em que o estresse afeta o sistema digestivo, resultando em vômitos, diarreia e perda de apetite. Em quadros mais graves, a agitação pode levar a quedas, fraturas e contusões, especialmente em animais idosos ou de pequeno porte.
O medo que não termina com o fim dos fogos
Um dos aspectos mais preocupantes apontados pelo levantamento é que o impacto do barulho de fogos pode ultrapassar o momento da queima. Em muitos casos, o pavor evolui para um transtorno de comportamento crônico, fazendo com que o animal continue reagindo com medo a sons semelhantes, mesmo fora de períodos festivos.
Tremores, desorientação, busca excessiva por colo, tentativas constantes de se esconder e choro frequente passam a fazer parte da rotina desses pets. Esse tipo de resposta prolongada compromete o bem-estar emocional e afeta diretamente a qualidade de vida dos animais e de seus tutores.
Como os tutores tentam proteger seus animais
Diante desse cenário, muitos responsáveis adotam estratégias para reduzir os efeitos da poluição sonora dentro de casa. Criar um ambiente mais seguro, com portas e janelas fechadas, oferecer objetos familiares, brinquedos e petiscos, além de usar sons ambientes ou música para abafar os estampidos, são medidas comuns.
Há também um número significativo de tutores que optam por não levar seus pets a praias, festas ou locais públicos durante o fim do ano, justamente para evitar a exposição ao barulho. Em casos mais sensíveis, tratamentos específicos e o uso de medicamentos acabam sendo considerados para ajudar no manejo do medo.
A opinião da sociedade sobre fogos com barulho
A discussão sobre os fogos de artifício tem ganhado espaço fora do universo pet. Uma parcela expressiva da população acredita que a soltura deveria ser proibida ou, ao menos, restrita a fogos silenciosos, especialmente em áreas públicas. Entre tutores e profissionais da área veterinária, cresce o entendimento de que os rojões com estampido causam mais prejuízos do que benefícios.
Esse movimento reflete uma mudança de consciência coletiva, que passa a enxergar as celebrações sob uma ótica mais empática e responsável, considerando não apenas o entretenimento humano, mas também o impacto direto sobre animais, idosos, crianças e pessoas sensíveis ao ruído.

Formada em administração e apaixonada por animais, Suzana dedica sua vida a causas que promovem o bem-estar animal. Com uma habilidade única para transformar sua paixão em palavras, ela escreve sobre pets e o mundo animal de forma envolvente e informativa. Defensora ativa dos direitos dos bichinhos, Suzana alia conhecimento e sensibilidade para inspirar leitores a cuidarem melhor de seus amigos de quatro patas. Seu estilo cativante e cheio de empatia conecta amantes de animais, trazendo dicas, histórias curiosidades que fazem a diferença na vida de tutores e pets.




