Meu Bebê
Peito murcho não é falta de leite: a mudança que assusta mães (mas é totalmente normal)

Você olha para o peito, que antes ficava cheio e até doía, e pensa: “Cadê o leite?” O seio está mais mole, o bebê mama em minutos e ainda faz aquela cara de indignação no peito. Dá um frio na barriga, não dá? A cabeça começa a conspirar: será que meu leite secou? Respira. Porque o que está acontecendo provavelmente é o contrário do que você imagina.
Nos primeiros dias e semanas após o nascimento, o organismo materno entra em modo de superprodução. O corpo ainda não sabe exatamente quanto o bebê mama, então fabrica leite em abundância, como se fosse errar pelo excesso. Resultado: peito cheio, vazamentos, cólicas de leite e aquela sensação de urgência constante.
Conforme o bebê vai mamando em livre demanda, o organismo começa a calibrar a produção. Ele aprende. Ajusta. E passa a fabricar leite na medida certa, no momento certo: principalmente durante a própria mamada, não antes dela.
A especialista em amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, explica que esse ajuste é fisiológico e esperado. “Quando o bebê nasce, o corpo da mulher ainda não sabe quanto ele mama. Então produz leite em abundância. Só que, conforme o bebê mama em livre demanda, o organismo entende qual é a necessidade real e ajusta a produção”, conta ela.
Esse processo costuma se estabilizar entre a 6ª e a 12ª semana de vida. A partir daí, cerca de 80% do leite é produzido durante a sucção, não antes. O peito fica mais mole entre as mamadas, sim. Isso não é sinal de esvaziamento. É sinal de que tudo está funcionando.
A tal “crise dos 3 meses” que ninguém te avisou
Por volta do terceiro mês, entra em cena um fenômeno que deixa muitas mães no limite: o bebê começa a se comportar de forma completamente diferente no peito. Mama por uns minutinhos, larga, olha para o lado, volta, se irrita, repete o ciclo. Parece que está com raiva do peito ou que o leite sumiu de vez.
Nessa fase, ele está mais curioso com o mundo, mais distraído e precisa fazer um pouco mais de esforço para sugar, já que o leite agora é produzido durante a mamada. Bruna Ramos reforça que esse esforço não é um problema, e vai além: “A sucção ativa fortalece a musculatura da face e contribui para o desenvolvimento oral.”
Então aquela cena de bebê “brigando” no peito pode ser lida de outra forma: ele está trabalhando. Está se desenvolvendo. Está exatamente onde deveria estar.
O ganho de peso também muda, e isso é normal
Outro fator que alimenta a insegurança das mães nessa fase é o ritmo de crescimento do bebê. Nos primeiros meses, os ganhos de peso são impressionantes. Depois, começam a desacelerar, e muitas mulheres relacionam isso diretamente ao leite.
A especialista esclarece que o bebê, ao ficar mais ativo, passa a gastar mais energia. “É esperado que o ritmo de ganho de peso diminua em comparação aos primeiros meses. Isso não significa que há pouco leite”, garante Bruna.
Quando vale mesmo se preocupar?
A preocupação real tem endereço certo. Se o bebê mama em livre demanda, está crescendo, se desenvolvendo, faz bastante xixi e ganha peso, não há motivo para acionar o alarme. Segundo Bruna Ramos, “não há motivo para pensar em baixa produção” nesse contexto.
O que pode interferir de verdade na amamentação é o uso de bicos artificiais. Chupeta e mamadeira podem gerar o que especialistas chamam de confusão de fluxo, afetando a sucção e toda a dinâmica da amamentação. Se a mãe está usando esses recursos com frequência e percebendo dificuldades, vale conversar com uma consultora de amamentação antes de qualquer conclusão.
Peito murcho não é sinônimo de pouco leite
Bruna Ramos resume com precisão o que toda mãe precisa ouvir: “Peito murcho não é sinônimo de pouco leite. Vazamento não é termômetro de produção. E bebê que mama rápido não significa que está passando fome. Muitas vezes, é apenas o corpo funcionando como deveria.”
Entender o que está por trás dessas mudanças faz toda a diferença. A amamentação tem fases, tem ajustes, tem momentos que parecem caos e são, na verdade, evolução. A culpa que muitas mães carregam nessa fase, achando que o corpo as traiu, quase sempre é injusta.
“Essa fase passa. Entender o que está acontecendo traz segurança e ajuda a mãe a viver a amamentação com mais leveza e menos culpa”, conclui Bruna.
Sobre Bruna Ramos:
Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.
Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde. Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças. Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.
https://www.instagram.com/obebe_chegou/

Maira Morais, é Mãe, Makeup e influenciadora digital que se destaca no universo da beleza por sua criatividade e técnica refinada. No mercado a anos, decidiu compartilhar dicas de maquiagens, beleza, maternidade e demais inspirações para o universo das mulheres.




