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Papo Pet

Pomada feita com “sangue de dragão” da Amazônia cicatriza feridas de pets em menos de 14 dias

Uma pesquisadora do Acre, um ingrediente misterioso da floresta e uma tecnologia que pode mudar o mercado pet nacional. Essa combinação improvável pode estar prestes a chegar às prateleiras

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A floresta amazônica esconde ingredientes que a ciência ainda está aprendendo a usar. Um deles tem nome de filme de fantasia — “sangue de dragão” — mas efeitos muito reais sobre feridas em animais domésticos.

É a partir dessa substância, combinada com derivados da taboca amazônica, um tipo de bambu nativo da região, que a startup Cicapete está desenvolvendo uma pomada cicatrizante para cães e gatos. O produto nasceu no Acre, dentro de um doutorado, e chegou ao grande público durante o Bioeconomy Amazon Summit, em Belém.

O que é o “sangue de dragão” e por que ele importa para o seu pet

O nome impressiona, mas a substância não é nenhum mistério para as comunidades tradicionais da Amazônia. O “sangue de dragão” é uma resina vermelha extraída de certas espécies de árvores da floresta, conhecida há gerações por suas propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias. A diferença agora é que ele está sendo estudado em laboratório com rigor científico.

A pesquisadora Adna Maia, fisioterapeuta especializada em Saúde da Mulher e Oncologia, foi quem transformou esse conhecimento ancestral em pesquisa aplicada durante seu doutorado na Rede Bionorte — programa que reúne instituições da Amazônia Legal com foco em ciência e biodiversidade. A fórmula da Cicapete combina a resina com a carboximetilcelulose extraída da taboca, usada como base do produto.

Os primeiros testes em ambiente controlado foram animadores. Depois, vieram os testes em animais. Os resultados chamaram atenção da equipe: o processo de cicatrização acontecia em menos de 14 dias. Para um mercado pet que movimenta bilhões no Brasil e ainda carece de opções terapêuticas naturais de qualidade, isso é bastante relevante.

Como a ideia virou startup — e por que o Sebrae entrou no caminho

A pesquisa de Adna não tinha o mercado pet como destino original. O foco inicial era outro. Foi uma consultoria do Sebrae que redirecionou o projeto para um produto que pudesse chegar mais rápido ao consumidor. Dessa orientação nasceu a Cicapete. O grupo recebeu um aporte inicial de R$ 30 mil para os primeiros testes laboratoriais e a estruturação da ideia.

Vale lembrar que transformar pesquisa acadêmica em produto é um dos maiores gargalos da ciência brasileira. Muitas teses ficam paradas em prateleiras de universidades sem jamais gerarem impacto real. A Cicapete é, nesse sentido, um caso que vai na contramão desse padrão.

Bioeconomia com comunidades reais envolvidas

Um dos aspectos mais interessantes da Cicapete vai além da química da pomada veterinária. A cadeia produtiva do produto foi pensada para incluir comunidades tradicionais e agricultores familiares que já lidam com as matérias-primas da floresta. A proposta é que a extração sustentável do “sangue de dragão” e da taboca gere renda para quem já vive da floresta, em vez de simplesmente explorar recursos sem retorno local.

Além disso, o grupo trabalha em estratégias de reflorestamento das espécies usadas na fórmula, garantindo que o fornecimento seja sustentável a longo prazo. É bioeconomia funcionando de verdade — com floresta em pé, tecnologia de ponta e gente local no centro da cadeia.

Quando o produto chega ao mercado?

A expectativa da equipe é concluir até dezembro as etapas necessárias para validação junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O processo inclui certificação, transferência de tecnologia entre universidades e patenteamento da fórmula. Os testes já realizados formam uma base sólida para essa fase burocrática.

O mercado pet brasileiro é um dos maiores do mundo e cresce consistentemente a cada ano. Uma pomada cicatrizante com ativos amazônicos, cadeia produtiva sustentável e resultados laboratoriais comprovados tem tudo para encontrar espaço nesse setor. Agora é esperar pela aprovação oficial.

Enquanto isso, a floresta segue guardando seus segredos e a ciência acreana segue descobrindo-os, um doutorado de cada vez.

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