Cabelos
Por que a franja se chama franja? A origem surpreendente por trás do corte mais repetido da história

Toda vez que alguém corta franja achando que está seguindo uma trend do momento, está na verdade repetindo um gesto de mais de cinco mil anos. Parece exagero, mas não é!
O corte que hoje lota vídeos de “transformação” no feed tem passagem confirmada pelo Egito Antigo, por um imperador romano e por um músico árabe-espanhol que, sem querer, foi um dos primeiros influenciadores de beleza da história. E o nome “franja” nem nasceu no cabelo. Essa é a parte que ninguém te conta.
De onde vem a palavra franja
“Franja” chegou ao português pelo francês “frange”, termo usado para descrever tanto o cabelo caído sobre a testa quanto os fios soltos na borda de um tecido. A raiz é ainda mais antiga: vem do latim “fimbria”, que nomeava a borda franjada de um tecido, provavelmente derivada de “fibra”.
Curioso, né? O nome do corte veio emprestado da costura, não do salão. Antes de virar sinônimo de cabelo cortado na testa, “franja” descrevia aquele acabamento com fios soltos na ponta de uma toalha ou cortina. A lógica visual segue a mesma até hoje: fios que emolduram uma borda. No caso do cabelo, a borda é o rosto.
Egito Antigo já tinha franja e ninguém fala sobre isso
Ninguém sabe precisar quem cortou a primeira franja da história. Mas os egípcios já usavam perucas com corte reto na altura da testa desde 3000 a.C., segundo registros estudados por historiadores da moda. A imagem mais forte associada ao estilo, a de Cleópatra com franja reta e cabelo escuro, é mito puro. Não existe comprovação histórica desse visual específico para a rainha. O que sustentou o estilo por séculos foi a lenda em torno dela, não um retrato real.
Roma criou o corte antes de qualquer editorial de moda
O marco histórico rastreável de fato está em Roma. Augusto, primeiro imperador romano, usava o cabelo penteado em uma franja curta que emoldurava a testa. O corte pegou entre os imperadores seguintes e ganhou apelido: “Corte César”. Um chefe de estado criando tendência capilar dois mil anos antes de qualquer red carpet existir. Se isso não é autoridade em moda, o que é?
O nome esquecido por trás da popularização na Europa
Aqui entra o dado que praticamente ninguém conhece. As raízes rastreáveis da franja como moda europeia remontam a Ziryab, músico e figura renascentista nascido no Iraque e radicado na Espanha. No século IX, ele foi peça central na disseminação de padrões de estética na corte de Córdoba, incluindo cortes de cabelo com franja, de acordo com relatos históricos sobre sua influência cultural. Antes de qualquer revista francesa, foi um artista árabe quem colocou o estilo em circulação no continente europeu.
Séculos depois, a franja reaparece associada a Joana d’Arc, retratada em pinturas históricas com um corte curto e reto. O estilo virou símbolo de força, e a moda recupera essa associação toda vez que quer comunicar atitude.
De Cleópatra do cinema a ícone pop brasileiro
O corte se consolidou no imaginário popular graças ao cinema. Nos anos 1960, o filme “Cleópatra”, com Elizabeth Taylor, reacendeu o interesse pela franja e influenciou coleções e campanhas por anos. No Brasil, a história seguiu caminho próprio. Nos anos 1970, apareceu ligada ao mullet, corte usado por artistas sertanejos como Chitãozinho & Xororó. Nos anos 1980, Rita Lee tornou a franja parte da própria identidade visual. Nos anos 1990, atrizes de novela levaram variações do corte para um público ainda maior. Cada década reinventou a mesma ideia com a cara do seu tempo.
Por que ninguém consegue se livrar da franja de vez
A franja tem uma característica rara entre cortes de cabelo: ela é cíclica, não linear. Some por alguns anos e volta com uma variação nova. Franjão frontal, franjinha curtinha, franja repartida ao meio, franja lateral. O nome muda. O conceito de emoldurar o rosto com fios segue igual desde o Egito Antigo.
Será que existe algum corte de cabelo com currículo tão longo quanto esse? Difícil achar. Da próxima vez que bater aquela vontade de cortar franja, vale lembrar que essa decisão está conectada a uma peruca egípcia, a um imperador romano e a um músico árabe-espanhol. E aí, você é do time que já teve franja ou ainda tá com medo de encarar a tesoura? Conta pra gente.

Mãe, empreendedora, educadora e apaixonada por animais. Formada em Administração e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, à proteção animal e comanda sua própria loja (MF Feminina). No Ellas Magazine, Suzana transforma sua vivência em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets e dicas de beleza.






