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São Paulo deve ter mais de 20 mil novos casos de câncer de mama em 2026 — e uma tendência preocupa especialistas
Tem uma notícia que precisa parar o seu feed hoje. Não é sobre tendência de moda, não é sobre fofoca de famoso. É sobre você, sobre a sua mãe, sua irmã, sua amiga mais próxima.
O câncer de mama segue sendo a neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no Brasil, respondendo por cerca de 30% de todos os novos casos diagnosticados no país. E os números para os próximos anos são um sinal de alerta que nenhuma de nós pode ignorar.
O que os dados do INCA revelam sobre 2026
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil durante o triênio 2026-2028. São Paulo, o estado mais populoso do país com cerca de 46 milhões de habitantes, concentra a maior fatia dessas estimativas: somente em 2026, a projeção é de 20.820 diagnósticos no estado. Na capital paulista, esse número chega a 5.840 novos casos.
Parece muito? É porque é. Mas há contexto importante aqui. O mastologista Fábio Bagnoli, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) Regional São Paulo, explica que o volume expressivo de São Paulo nas estatísticas não é coincidência nem apenas reflexo do tamanho da população. “Por ser o estado mais populoso, ter um rastreamento mais efetivo do câncer de mama em comparação com outras unidades da federação e contar com ações mais estruturadas de conscientização sobre a doença, é esperado que São Paulo apareça na estimativa do INCA com a maior projeção de casos”, afirma.
Em outras palavras: parte desse número alto é, paradoxalmente, sinal de que o sistema está funcionando. Diagnosticar mais pode significar rastrear melhor. O problema é quando o diagnóstico chega tarde.
A tendência que está acendendo o alerta entre os especialistas
Aqui mora a parte que mais preocupa quem trabalha na linha de frente da mastologia brasileira. Não é só a quantidade de casos. É o perfil de quem está adoecendo.
Carolina Nazareth Valadares, mastologista e membra da Comissão de Imaginologia Mamária da SBM Regional São Paulo, é direta ao apontar a mudança que observa na prática clínica. “Temos percebido um aumento de casos em pacientes mais jovens relacionado a fatores de risco que ainda necessitam de avaliações mais aprofundadas”, destaca.
Mulheres jovens sendo diagnosticadas com câncer de mama é uma realidade que desafia o imaginário coletivo sobre a doença. Afinal, ainda existe aquela ideia de que é “coisa de mulher mais velha”. Não é mais assim, se é que algum dia foi simples assim.
Genética, Angelina Jolie e o que os genes BRCA têm a ver com isso
Quando o câncer de mama aparece em mulheres jovens, uma das primeiras suspeitas levantadas pelos especialistas é a presença de mutações genéticas hereditárias, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2. Carolina Valadares explica que nesses casos suspeita-se que a paciente seja portadora de uma mutação genética, ou seja, um câncer de origem hereditária.
Esse assunto ganhou holofotes globais em 2013, quando Angelina Jolie publicou um artigo revelando que havia realizado uma mastectomia redutora de risco com reconstrução bilateral após descobrir que era portadora de mutação no gene BRCA1. A atriz, cuja mãe morreu de câncer de ovário, tomou a decisão preventiva diante de um risco que os estudos estimam entre 60% e 80% para o desenvolvimento de câncer de mama ao longo da vida, e entre 20% e 40% para câncer de ovário.
Os casos de origem hereditária representam aproximadamente 5% a 10% do total de diagnósticos de câncer. Não é a maioria, mas é um grupo que precisa de atenção, rastreamento e, sobretudo, acesso à testagem genética.
O que está por trás do aumento entre mulheres jovens sem histórico familiar
Então o que explica o crescimento de casos entre mulheres jovens que não necessariamente carregam uma mutação genética identificada? Fábio Bagnoli é honesto sobre os limites da ciência nesse ponto. Para ele, com exceção das causas associadas a mutações genéticas, ainda não há respostas científicas definitivas para os fatores que explicam esse crescimento.
Porém, ele elenca comportamentos e condições que figuram como fatores de risco relevantes: sedentarismo, consumo de álcool, dieta baseada em ultraprocessados, nuliparidade (mulheres que nunca engravidaram) e ausência de amamentação.
Nenhuma dessas informações serve para culpar ninguém. Serve para entender o cenário e, principalmente, para que cada mulher converse com seu médico sobre seu histórico e seus hábitos.
Por que o diagnóstico precoce ainda é a maior arma que temos
Embora o câncer de mama esteja em declínio como causa de morte em países de alta renda, o Brasil ainda enfrenta uma realidade diferente. A taxa de mortalidade pela doença no país é de aproximadamente 11,7 óbitos por 100 mil mulheres, um dado que evidencia a urgência de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado.
Fábio Bagnoli resume o recado com clareza: “Seja no Estado de São Paulo ou em qualquer outra localidade do país, a estimativa de aumento no número de casos entre 2026 e 2028 é um alerta que não pode ser negligenciado e aponta a necessidade de ações e investimentos que intensifiquem a prevenção e o diagnóstico precoce.”
Quando o câncer de mama é detectado nos estágios iniciais, as chances de cura são significativamente maiores. O rastreamento regular com mamografia, a partir da faixa etária recomendada pelo médico, e o autoexame não substituem um ao outro, mas se complementam.
O que você pode fazer agora
Não existe resposta mágica, mas existe atitude. Marcar aquela consulta que você vem adiando. Conversar com sua ginecologista ou mastologista sobre quando iniciar o rastreamento mamográfico. Verificar se há histórico familiar de câncer de mama ou ovário, o que pode indicar a necessidade de avaliação genética mais cedo.
E, claro, compartilhar esse conteúdo. Porque informação que fica só numa tela não salva ninguém. Mas informação que chega para a pessoa certa, na hora certa, pode mudar o desfecho de uma história. Você conhece alguém que precisa ler isso agora?

Social Midia e crítica de cultura pop, Renata domina o mundo das fofocas e novelas como ninguém. Com uma trajetória em grandes portais de entretenimento, ela traz uma visão divertida e crítica sobre os bastidores do universo das celebridades e das tramas de novelas. Renata é conhecida pelo seu tom bem-humorado e envolvente, que leva os leitores a se sentirem parte dos acontecimentos, discutindo os detalhes de suas novelas favoritas e compartilhando curiosidades imperdíveis das estrelas.
