Papo Pet
Seu pet pode estar sofrendo agora com os fogos da Copa — veja como ajudar

A cada gol do Brasil, a rua vira festa. Fogos, buzina, grito, aquele vizinho batendo panela igual não tem amanhã. Só que enquanto a gente comemora, tem uma criatura de quatro patas debaixo da cama, tremendo, com o coração disparado. E ela não faz ideia do porquê.
As oitavas de final trazem esse tipo de emoção que só o futebol proporciona. Só que para os pets, essa fase da Copa pode significar dias de puro terror. E, sinceramente, é um desleixo comum das famílias não pensar nisso antes do apito inicial.
Por que o barulho da Copa mexe tanto com cães e gatos
A audição de cães e gatos é muito mais apurada que a nossa. Isso é fato, sem discussão. Onde a gente escuta um estouro, eles escutam uma explosão ensurdecedora vinda de um lugar que não conseguem identificar. O cérebro do animal simplesmente não tem como processar aquele som como algo inofensivo.
O resultado é uma cascata de estresse animal que pode aparecer em minutos: tremores, respiração ofegante, salivação em excesso, orelha baixa, rabo entre as pernas, pupila dilatada. Alguns param de comer. Outros vomitam, têm diarreia ou destroem tudo pela frente numa tentativa desesperada de aliviar a ansiedade.
Cada Copa que passa, o mesmo cenário se repete em milhões de casas brasileiras. E cada Copa, muita gente ainda é pega de surpresa. Como se o gol fosse imprevisível, mas o sofrimento do pet, esse sim, dava pra ver chegando.
Cão e gato não reagem igual, e isso muda tudo
Aqui vai um ponto que pouca gente presta atenção: cachorro e gato não lidam com o medo de fogos de artifício da mesma forma.
O cão costuma externar. Ele late, geme, corre atrás do dono, busca colo, gruda no humano como se aquilo fosse resolver o problema (spoiler: às vezes resolve mesmo). Já o gato faz o oposto. Ele desaparece. Vai para debaixo do sofá, atrás do guarda-roupa, em cima do armário, qualquer lugar onde ninguém o encontre.
Isso significa que a estratégia de acolhimento precisa ser diferente para cada espécie. Cachorro se beneficia de companhia e rotina mantida. Gato precisa de esconderijo garantido e zero perseguição. Forçar um gato assustado a sair do esconderijo só piora tudo, e ele não vai te agradecer por isso.
Como preparar a casa antes da bola rolar
A prevenção começa muito antes do apito inicial. Escolher um cômodo mais silencioso da casa, de preferência longe de janelas viradas para a rua, já é um primeiro passo enorme. Fechar portas, cortinas e janelas ajuda a abafar o som que vem de fora.
Ligar a televisão ou uma playlist em volume moderado também funciona como um mascarador de ruído bem eficiente. O objetivo é criar uma bolha de normalidade dentro de casa enquanto lá fora o mundo pega fogo, literalmente.
Deixar água disponível, brinquedos por perto e permitir que o animal fique exatamente onde ele se sente seguro faz parte do pacote de cuidado. Ninguém deve ser obrigado a “encarar o medo” nessa hora. Isso vale para gente e para bicho, e é básico.
O risco invisível: fuga durante a comemoração
Um dos momentos mais perigosos da Copa para os pets não é durante o jogo. É logo depois do gol, quando todo mundo sai correndo, abre portão, grita na rua, entra e sai de casa sem pensar duas vezes.
Nesse instante de euforia coletiva, o animal assustado enxerga uma brecha e foge. Portão aberto, porta escancarada, visita entrando sem cuidado: qualquer descuido vira uma fuga que pode terminar em acidente de trânsito ou em um pet perdido na cidade. E depois, claro, vem o desespero de procurar em grupo de bairro no WhatsApp.
Checar fechaduras, avisar visitas para terem atenção redobrada e manter o pet identificado com plaquinha ou microchip são medidas simples que fazem toda a diferença nessas horas.
Atitudes que só pioram a situação
Bronca não resolve medo. Prender o animal para “ele se acostumar” também não resolve. E dar qualquer medicamento por conta própria, sem indicação veterinária, é um erro que pode sair caro, e caro no sentido mais grave possível.
Quando o quadro é recorrente, intenso ou envolve automutilação, agressividade ou tentativa constante de fuga, a saída é buscar acompanhamento profissional. Existem tratamentos comportamentais e, em alguns casos, medicação prescrita que fazem diferença real na qualidade de vida do animal durante períodos como esse.
A Copa passa em poucas semanas. O trauma que ela pode deixar num pet despreparado dura muito mais tempo que isso.
E aí, seu pet já passou por algum surto de pânico em dia de jogo?
Mãe, empreendedora, educadora e apaixonada por animais. Suzana acredita que o cuidado e a empatia são as bases de qualquer desenvolvimento saudável. Formada em Administração e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, à proteção animal e comanda sua própria loja (MF Feminina), onde faz o comercio de roupas femininas, lingeries, cosméticos, perfumaria e produtos de beleza. No Ellas Magazine, Suzana transforma sua vivência em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets e dicas de beleza.