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Comportamento

Síndrome da abelha rainha: por que algumas chefes tratam outras mulheres pior que os homens tratam

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Ela chegou lá. Batalhou, engoliu sapo, provou seu valor mil vezes mais do que qualquer homem no mesmo cargo precisou provar. E aí, no topo, decidiu que ninguém mais vai subir por ela. Se você já teve uma chefe que parecia torcer contra você, calma, você não está exagerando. Isso tem nome, tem estudo por trás e um comportamento muito específico: a síndrome da abelha rainha.

O termo nasceu nos Estados Unidos, lá nos anos 1970, quando um grupo de pesquisadores percebeu um padrão intrigante em ambientes corporativos dominados por homens. Mulheres que conquistavam posições de liderança, em vez de abrirem caminho para outras mulheres, passavam a agir como se fossem a exceção da regra. Competitivas, distantes, às vezes até mais duras com subordinadas do que com subordinados. O trono é individual, e ai de quem tentar dividir a coroa.

O que é, afinal, a síndrome da abelha rainha

A definição é direta: mulheres em cargos de poder que dificultam, consciente ou inconscientemente, o crescimento de outras mulheres ao redor. É um tratamento desigual, puro e simples, em que colegas ou subordinadas do sexo feminino recebem mais cobrança, menos apoio e quase nenhuma generosidade, enquanto os homens da equipe seguem tranquilos, recebendo elogios e oportunidades de bandeja.

E o pior: quem vive isso raramente identifica o próprio comportamento. A abelha rainha genuinamente acredita que está apenas sendo profissional, que está “só sendo justa”. Só que a régua, misteriosamente, nunca é a mesma para todo mundo.

De onde vem esse instinto de competição entre mulheres

Aqui é onde a fofoca vira reflexão. A culpa não é individual, é estrutural. O ambiente corporativo, historicamente, criou as condições perfeitas para esse comportamento nascer. Durante décadas, empresas reservaram uma única vaga de destaque para “a mulher” da diretoria, do time, da reunião. Uma cadeira, várias candidatas. E o que isso ensina, na prática? Que outras mulheres são concorrência, não aliadas.

Some a isso a pressão estética, a cobrança dupla entre carreira e maternidade, e a diferença salarial que ainda persiste no mercado brasileiro, e você tem a receita perfeita para transformar sororidade em desconfiança. A abelha rainha não nasceu assim. Ela foi treinada pelo sistema para sobreviver sozinha, e sobreviver sozinha virou o único “glow up” possível dentro daquela lógica tóxica.

Isso também acontece fora do escritório

A rivalidade entre mulheres segue exatamente a mesma lógica em qualquer ambiente competitivo, dentro ou fora do trabalho. Quantas tramas de novela giram em torno da protagonista que só se sente segura quando é a única em evidência? A ficção reflete um padrão real, e é por isso que essas histórias conectam tanto com quem já sentiu na pele o clima de “só cabe uma aqui”.

Nos bastidores da vida real, celebridades e influenciadoras vivem essa dinâmica todos os dias. Basta acompanhar qualquer treta que estoura nas redes: quase sempre existe uma disputa por espaço, atenção e validação por trás. A internet ama dramatizar, mas a raiz do problema é exatamente a mesma discutida em qualquer sala de reunião.

Como identificar se você está lidando com uma abelha rainha

O padrão se repete com uma precisão quase cômica. Elogios generosos para os homens da equipe e cobrança implacável para as mulheres. Ideias femininas ignoradas até serem repetidas por um colega homem, momento em que, magicamente, viram brilhantes. Comentários sutis sobre aparência, tom de voz ou “postura pouco profissional” direcionados quase sempre às colegas mulheres. E, principalmente, um silêncio ensurdecedor na hora de indicar alguém para uma promoção.

Se esse cenário parece familiar, respire. O problema não está no seu desempenho. É um comportamento estrutural que se repete há décadas e que só começou a ser nomeado, discutido e enfrentado nos últimos anos.

O caminho é sororidade, não competição

A boa notícia é que esse padrão vem mudando, especialmente com mulheres em cargos de liderança fazendo questão de romper o ciclo. Mentoria entre mulheres, grupos de apoio dentro das empresas e políticas de equidade têm mostrado resultado real. Quando uma mulher no topo escolhe abrir espaço em vez de fechar a porta, o efeito se multiplica para toda a equipe, e isso sim entrega tudo o que a liderança deveria representar.

Reconhecer a síndrome da abelha rainha é o primeiro passo para não reproduzi-la. Vale o alerta para quem está subindo agora: sucesso que isola não é sucesso completo. O verdadeiro poder está em levar outras mulheres junto.

E você, já cruzou o caminho de alguma abelha rainha na carreira? Ou pior, já se pegou agindo como uma?

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