Jardinagem
Sua roseira te dá poucas flores? O erro está no que você faz (ou não faz) em agosto
Agosto é o mês decisivo para a poda de roseiras e para garantir uma floração forte na primavera. Veja o que fazer agora para não errar.

Toda mulher que já plantou uma roseira conhece a expectativa. Você rega, observa, espera a primavera chegar torcendo por um jardim florido e, às vezes, a planta simplesmente não entrega o que promete. Poucas flores, galhos desengonçados, aquele aspecto de “murchou antes de nascer”. Já parou pra pensar que talvez o problema não seja a planta, e sim o que você fez (ou deixou de fazer) meses antes? O destino da sua roseira não se decide na primavera. Ele se decide agora, em agosto.
Esse é o mês em que a roseira ainda está em dormência, mas já se prepara pra acordar. E é exatamente essa janela que decide se o seu jardim vai virar assunto entre as vizinhas ou vai continuar sendo aquele cantinho que você evita fotografar pro feed.
Por que agosto é o mês que sua roseira está esperando
As roseiras entram em um ciclo de repouso durante o inverno. É a versão vegetal daquela pausa necessária: a planta reduz a atividade, guarda energia e, sem folhas nem flores pra sustentar, fica muito mais resistente a cortes. É justamente por isso que agosto é considerado o momento certo para a poda radical, aquela mais intensa, que deixa a roseira “sem graça” por algumas semanas. Só que é exatamente esse corte que separa os jardins que explodem em flores dos que ficam só na promessa.
Com a proximidade da primavera, os dias ficam mais longos e a incidência de sol aumenta. A planta aproveita isso pra produzir mais energia por fotossíntese, o que estimula o crescimento de folhas novas e, principalmente, de botões florais. Podar antes desse processo começar é o que direciona toda essa energia pros lugares certos, em vez de deixar a planta gastar força em galho fraco que não vai virar flor nenhuma.
A poda que realmente faz diferença
Esquece a ideia de aparar levinho só pra “arrumar” a aparência. A poda de agosto é pra valer, e não tem meio-termo aqui. O recomendado é cortar bem rente, deixando a planta com aproximadamente um terço do tamanho que tinha, sempre respeitando de quatro a seis gemas (aqueles pontinhos salientes no caule) acima do solo ou do ponto de enxerto.
O corte precisa ser diagonal, feito logo acima de uma gema voltada pra fora da planta. Essa técnica direciona o crescimento do novo galho pra longe do centro da roseira, evitando que os ramos cresçam se cruzando e disputando espaço e luz entre eles. Parece detalhe técnico demais? É, mas é esse tipo de detalhe que separa uma roseira murcha de uma que vira point do quintal.
Todo galho fino, seco, doente ou que cresce pra dentro da planta precisa sair, sem dó. Ramos que se cruzam também devem ser eliminados, porque o atrito entre eles cria feridas que viram porta de entrada pra fungos e doenças. O resultado dessa faxina é uma planta que concentra força em menos ramos, só que muito mais vigorosos, e são justamente esses ramos fortes que sustentam uma floração generosa lá na frente.
O detalhe que a maioria esquece depois de podar
Cortar é só metade do trabalho, e é aqui que muita gente erra. Depois da poda, os ferimentos na planta ficam expostos e vulneráveis. Aplicar uma pequena quantidade de própolis ou pasta cicatrizante em cada corte acelera a cicatrização e reduz bastante o risco de infecção por fungos, que adoram esse tipo de abertura recém-feita.
Retirar todo o material podado de perto da planta também é obrigatório. Deixar galho e folha cortada largados no chão, ao pé da roseira, é praticamente um convite pra pragas e doenças se instalarem justamente na hora em que a planta está mais frágil.
Vale reforçar a adubação logo depois da poda. Um composto orgânico ou um adubo rico em fósforo e potássio ajuda a direcionar a energia da planta pra formação de raízes fortes e, na sequência, pros botões florais. O fósforo é o nutriente mais associado à produção de flores, então garantir que ele esteja disponível no solo agora é o que vai pagar o boleto lá na primavera.
Roseira trepadeira pede outro cuidado
Se a sua for do tipo roseira trepadeira, o processo é diferente, e aqui não cabe generalizar. Essas variedades não recebem a poda radical de agosto, porque seus ramos principais, que chegam a três ou quatro metros, formam a estrutura da planta ao longo de anos. O cuidado nesse caso se resume a remover madeira velha, doente ou morta e podar os ramos laterais que saem da estrutura principal, deixando só dois “olhos” em cada um. É uma poda mais discreta, mas que facilita a floração da temporada seguinte sem destruir a arquitetura que a planta levou tempo pra formar.
O que esperar depois da poda
Nas primeiras semanas após o corte, a roseira vai parecer sem graça, quase pelada. Isso é absolutamente normal, e é esse “reset” que prepara o terreno pro que vem depois. Conforme os dias ficam mais quentes e ensolarados, os primeiros brotos avermelhados começam a surgir nas gemas que sobraram. Esses brotos viram folha e, semanas depois, viram botão floral.
Quem faz esse cuidado direito em agosto costuma ver a diferença já em setembro e outubro: roseira mais cheia, galhos mais fortes e flores maiores do que em anos anteriores. Vale a paciência de aturar a planta feia por algumas semanas? Vale, e muito.
Regou, adubou, podou certinho? Agora é só deixar a primavera fazer a parte dela. E se der tudo certo, aquele jardim que você sempre quis mostrar nos stories finalmente vai ter motivo pra aparecer.
Mãe, empreendedora, educadora e apaixonada por animais. Suzana acredita que o cuidado e a empatia são as bases de qualquer desenvolvimento saudável. Formada em Administração e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, à proteção animal e comanda sua própria loja (MF Feminina), onde faz o comercio de roupas femininas, lingeries, cosméticos, perfumaria e produtos de beleza. No Ellas Magazine, Suzana transforma sua vivência em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets e dicas de beleza.