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A invasão da beleza asiática chegou ao Brasil e ninguém está imune

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Reparou quantos produtos com nome em coreano estão passando pelo seu feed ultimamente? Não é impressão sua, amiga. A beleza asiática deixou de ser aquele segredinho de quem importava produto escondido e virou o assunto do momento nas prateleiras brasileiras. Os números entregam tudo: as exportações de cosméticos da Coreia do Sul para o Brasil cresceram um absurdo de 951% só em 2025, somando US$ 54,36 milhões, segundo dados do Korea Customs Service. Do outro lado do mapa, a China também fez a lição de casa. As importações brasileiras de itens de beleza e higiene chinesas saltaram de US$ 157,7 milhões em 2024 para US$ 220,3 milhões em 2025, conforme levantamento da ABIHPEC.

Isso aqui não é modinha de internet. O K-Beauty e o C-Beauty viraram categoria consolidada, com dinheiro pesado por trás. E para não perder espaço na disputa, as marcas asiáticas descobriram a fórmula: juntar forças.

Quando a concorrência virou aliança: nasce o grupo que quer dominar sua nécessaire

Chega o Klasmē Group, recém-anunciado e com fome de virar a principal ponte entre a Ásia e a consumidora brasileira. Até a última sexta-feira, dia 4, a empresa era a junção de duas marcas: a Klasmē, que representa Coreia do Sul, Japão e Taiwan e desembarcou por aqui em 2018, e a Miya Kea, japonesa conhecida pelo foco em colágeno.

Na Beauty Fair, em São Paulo, veio o anúncio que o setor esperava. O grupo oficializou a virada de posicionamento e soltou de uma vez seis marcas asiáticas novas no mercado nacional: Florasis, O.TWO.O, GOGO TALES, VEECCI, Skinever e Tang Dynasty. Todas chinesas, cada uma com uma especialidade dentro do universo beleza.

A ambição é grande: virar a principal porta de entrada de marcas asiáticas no Brasil, que já é o terceiro maior consumidor de beleza do mundo. Nada mal pra quem está de olho em crescer. As projeções sustentam a aposta: o mercado de C-Beauty deve chegar a US$ 20 bilhões até 2030, segundo estimativas da Future Market Insights e da Grand View Research. Já o mercado global de K-Beauty deve alcançar US$ 34,4 bilhões até 2034, com crescimento médio de 8,61% ao ano, aponta o IMARC Group.

Por que você (sim, você) está comprando tanto produto coreano e chinês

Tem gente que acha que é só curiosidade passageira. Não é. O interesse do público brasileiro pela beleza asiática é sério, e os números de estoque comprovam. Marcas como COSRX, Beauty of Joseon, SKIN1004, Anua, Medicube e Torriden aparecem e somem rapidinho das prateleiras das farmácias brasileiras. Esse tipo de rotatividade é o maior sinal de que a demanda é genuína, não fabricada.

O mercado brasileiro de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos movimentou US$ 37,4 bilhões em 2024, segundo a ABIHPEC. É um bolo gigante, e a disputa por ele está longe de ser tranquila. Natura e O Boticário seguem dominando pelo reconhecimento de marca e pelo preço competitivo. No último ano, O Boticário faturou R$ 9,9 bilhões no país, enquanto a Natura chegou a R$ 13,4 bilhões. Competir com esses gigantes, e ainda com multinacionais como o grupo L’Óreal, exige mais do que hype. Exige estratégia. E é justamente aí que a Ásia está apostando as fichas.

O segredo não é copiar a tendência, é traduzir ela pro Brasil

A estratégia do Klasmē Group não é trazer o que está bombando lá fora e torcer para dar certo aqui. Existe todo um trabalho de adaptação por trás de cada lançamento. Segundo o grupo, a diferenciação real está em enxergar além da tendência: cada produto passa por uma análise cuidadosa sobre o que realmente faz sentido para a rotina e as expectativas da consumidora brasileira.

O portfólio recém-lançado prova essa diversidade. A Florasis, criada em Hangzhou, mistura conceitos da Medicina Tradicional Chinesa com biotecnologia em itens de maquiagem com embalagens esculpidas em relevo artístico. Chique, né? Já a O.TWO.O e a GOGO TALES, nascidas em Guangzhou, apostam em produtos multifuncionais, alta fixação e uma linguagem visual voltada para o público jovem.

Para quem curte um olhar marcante, a VEECCI é especialista em olhos e sobrancelhas, com fórmulas líquidas de alta precisão. A Skinever, desenvolvida em Seul, foca no cuidado com a pele usando ativos queridinhos do skincare coreano, como centelha asiática, chá-verde e arbutina. E para quem sofre com fios danificados por química, a Tang Dynasty entra com tratamentos capilares à base de colágeno e óleo de argan.

Nenhuma marca entra nesse time só porque está em alta na Ásia no momento. Existe uma avaliação prévia sobre a proposta de valor, o grau de inovação dos produtos, o potencial real de mercado e, principalmente, o quanto aquela marca conversa com a diversidade do público brasileiro.

Não basta vender on-line: a experiência física entrou no jogo

Ter site bonito e frete rápido já não é suficiente para consolidar marca de beleza no Brasil, e o Klasmē Group sabe disso. Por isso a expansão passa também pelo ponto físico. O grupo abriu espaço no Mata Lab, hub de curadoria de beleza dentro do Complexo Matarazzo, em São Paulo, e instalou um quiosque no Catarina Fashion Outlet, em São Roque.

A companhia já opera nos Estados Unidos e no Paraguai, e os próximos passos devem seguir a mesma lógica: diversificar canais de venda e ampliar a oferta de C-Beauty e K-Beauty. O grupo não abriu números de faturamento, mas deixou claro que a consolidação do portfólio brasileiro depende de quanto essas categorias novas vão conseguir se firmar no varejo nacional.

Uma coisa é certa: a onda asiática na beleza não é mais tendência de nicho. É movimento de mercado, com dinheiro pesado, estratégia e planejamento de longo prazo por trás. E pelo visto, ela só está começando. Você já testou algum lançamento dessas marcas ou ainda está de olho esperando o produto certo aparecer no feed?