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A taxa das blusinhas incomodou, mas a indústria têxtil tem argumentos que você precisa conhecer

A Abit rebate críticas à taxa das blusinhas e defende que a medida corrige uma desigualdade tributária histórica. Entenda o que está em jogo para a moda brasileira.

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Você ficou brava quando viu que a blusinha de R$ 60 da Shein passou a custar mais? Faz sentido. Mas a história por trás dessa taxa é mais complexa do que parece no carrinho de compras.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, a Abit, veio a público rebater um estudo que criticava a chamada taxação das blusinhas — e os argumentos merecem atenção de qualquer mulher que compra moda, seja no app importado ou na loja do bairro.

O que diz o estudo criticado pela Abit

Um levantamento encomendado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) apontou que o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 — sancionado pelo presidente Lula em meados de 2024 e vigente desde agosto do mesmo ano — teria encarecido os produtos para o consumidor sem gerar empregos ou renda de forma clara no Brasil.

Ou seja: a consumidora pagou mais caro, e a indústria local não teria se beneficiado de forma direta. É o tipo de conclusão que irrita qualquer pessoa.

A resposta da indústria brasileira

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit, não concordou com essa leitura. Para ele, avaliar a medida apenas pelo impacto imediato em emprego é uma análise incompleta da realidade.

“Não se trata de uma política de geração instantânea de empregos, mas sim de uma condição necessária para o investimento produtivo”, afirmou Pimentel. “Sem previsibilidade e igualdade mínima de competição, não ocorrem investimentos e, portanto, não há geração sustentável de empregos.”

A lógica é a seguinte: durante anos, as plataformas internacionais de moda — como Shein, Shopee e AliExpress — venderam para o Brasil com uma carga tributária muito menor do que a enfrentada por quem produz aqui. Costureiras, tecelões, confecções nacionais e marcas brasileiras competiam em condições desiguais. A taxa veio para reduzir essa distorção.

Um movimento que o mundo já está fazendo

Aqui está um ponto que costuma passar despercebido no debate: o Brasil não está sozinho nessa decisão. A União Europeia eliminou a isenção de IVA para pequenas encomendas internacionais. Os Estados Unidos estão revisando as regras do chamado regime de minimis, que isentava de impostos remessas de baixo valor, diante do crescimento explosivo das importações digitais.

Ou seja, as principais economias do mundo estão percebendo que o modelo de compras internacionais sem tributação adequada cria uma porta lateral para burlar sistemas fiscais. Será que faria sentido o Brasil nadar contra essa maré?

Mas o preço para a consumidora subiu. E agora?

Esse é o ponto mais sensível. Os dados mostram que as compras internacionais de pequeno valor cresceram de cerca de US$ 2,7 bilhões para US$ 3,3 bilhões, o que indica que o consumo não parou — mas é inegável que uma parcela do público sentiu o impacto no bolso.

A posição da Abit é que o caminho certo não é reverter a taxa, mas sim reduzir o Custo Brasil — a carga tributária e os encargos que encarecem a produção nacional — para que as marcas brasileiras consigam competir com mais eficiência.

A entidade também lembra que uma grande plataforma internacional anunciou recentemente a criação de uma rede de produção no Brasil, o que seria exatamente o efeito esperado: quem quer acessar o mercado brasileiro que venha produzir aqui, seguindo as mesmas regras de todo mundo.

O que está em jogo para a moda brasileira

Além da tributação, a Abit chama atenção para outro ponto que raramente entra no debate: a fiscalização regulatória. Produtos importados precisam cumprir as mesmas exigências técnicas, sanitárias e de segurança aplicadas à produção nacional. Não basta pagar imposto; é preciso jogar com as mesmas regras do começo ao fim.

A taxa das blusinhas pode ter incomodado na hora da compra. Mas o debate real é sobre que tipo de indústria têxtil o Brasil quer ter daqui a dez anos — e se as marcas e trabalhadores nacionais terão condições de existir nesse mercado. Essa é a pergunta que fica.

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