Beleza
Os Anos 80 voltaram: desta vez a beleza veio com sobrancelha grossa, volume e nenhuma desculpa!

Tem uma foto que não sai da cabeça de quem a vê. Maria Bethânia, 1983, capa do álbum Ciclo, com sobrancelhas densas no lugar, cabelo com volume que o vento não domaria e uma presença que dispensava filtro, retoque ou legenda explicativa. Ela simplesmente estava lá, inteira. E, pasme, esse visual está mais atual do que qualquer trend que o algoritmo empurrou para o seu feed essa semana.
A estética dos anos 80 sempre foi intensa por natureza. Era a década do exagero calculado, do brilho proposital, do cabelo que anunciava a chegada antes da pessoa. Só que havia algo naquele período que o mundo da beleza atual está correndo para recuperar: a aceitação da beleza real. Sobrancelhas não desenhadas a compasso, pele com textura, cabelos com personalidade. O que hoje chamamos de “natural” era simplesmente o padrão.
A sobrancelha que a geração fio a fio perdeu
Durante anos, sobrancelhas finas e arqueadas dominaram as bancadas de maquiagem. O resultado foi uma geração inteira de mulheres que depilariam até o fio do meio sem pestanejar. A boa notícia, aliás, é que essa fase ficou para trás de vez.
A sobrancelha natural, densa e com o crescimento respeitado, que Maria Bethânia carregava como traço de identidade na fase do Ciclo, voltou com tudo. Contudo, a volta não é sobre abandono de cuidado, ela é sobre intencionalidade. A sobrancelha de hoje, inspirada na era 80, é penteada, fixada com gel transparente e deixada na sua forma orgânica. Nada de desenhar arcos perfeitos. O imperfeito virou o ponto de chegada.
Para quem perdeu fios por anos de depilação excessiva, a solução está no sérum para sobrancelhas, produto que ganhou espaço nas farmácias e perfumarias brasileiras e promete estimular o crescimento. O processo é lento, pede paciência, mas o resultado conversa diretamente com a estética que o mercado de beleza elegeu como a mais sofisticada do momento.
Volume é poder: o cabelo dos anos 80 ressignificado
Quem acompanhou a trajetória artística de Maria Bethânia sabe que o cabelo nunca foi detalhe secundário. Era estrutura, era atitude, era parte da mensagem. O volume generoso que marcou os anos 80 não era vaidade excessiva, era afirmação.
O cabelo volumoso está de volta às passarelas, aos editoriais e, cada vez mais, às ruas. A diferença em relação à versão original é que a técnica evoluiu. O brushing clássico, que segurava o volume com escova redonda e muito calor, divide espaço agora com métodos que preservam a saúde dos fios. O difusor, por exemplo, tornou-se o melhor amigo de quem tem cabelo cacheado ou ondulado e quer aquele efeito encorpado sem abrir mão da hidratação.
Para cabelos lisos que desejam o mesmo resultado, a técnica do blow dry com escova de cerdas naturais entrega o volume setentista-oitentista sem parecer fantasia. O segredo está na raiz: levantar os fios ainda úmidos e secar de baixo para cima. Simples, eficiente e com um resultado que qualquer editorial de moda pagaria para capturar.
A pele que respira: fim da cobertura total
O conceito de beleza que o álbum Ciclo simbolizava não combinava com cobertura total de pele. A estética daquele período, especialmente na fotografia artística brasileira, valorizava a textura, a expressão, a pele que parecia pertencer a alguém que viveu e tem histórias para contar.
A base de cobertura leve e o concealer aplicado apenas onde necessário são os aliados diretos dessa proposta. O mercado de beleza percebeu o movimento e hoje a maioria das grandes marcas investe em fórmulas de acabamento natural, que equilibram uniformização de tom com respeito à textura original da pele.
O blush, outro elemento que os anos 80 amavam, também mudou de endereço no rosto. Saiu das maçãs do rosto em círculos perfeitos e foi para o nariz, a ponta da testa e as têmporas, criando aquele efeito de quem acabou de voltar de uma caminhada ao ar livre. O blush solar, como o mercado batizou a técnica, é um dos efeitos mais pesquisados em tutoriais de maquiagem atualmente.
Maturidade como estética, não como desculpa
Existe uma conversa importante que a redescoberta da estética dos anos 80 traz consigo: a beleza madura como escolha estética consciente, não como limitação. Maria Bethânia, em 1983, não estava se desculpando por nada. Ela tinha 37 anos, sobrancelhas com textura, uma presença construída ao longo de anos de palco, e entregou uma imagem que permanece referência décadas depois.
A lógica que impôs à mulher mais velha um visual sempre polido, sempre “controlado”, sempre voltado para a aparência de juventude está sendo questionada em voz alta. A tendência do envelhecimento consciente vai além do skincare, ela passa pela escolha de como se apresentar ao mundo sem abrir mão de si mesma.
O cabelo grisalho que muitas mulheres escolhem manter, as marcas de expressão que deixam de ser cobertas por camadas de base, a sobrancelha que cresceu sem intervenção agressiva: tudo isso compõe um visual que a estética dos anos 80 já ensaiava, mesmo sem nomear dessa forma.
Como montar um look inspirado nessa estética hoje
O caminho mais direto para aplicar essa referência no cotidiano começa pela sobrancelha. Pare de tirar o excesso e dê tempo para os fios retornarem. Enquanto isso, pentear para cima com gel fixador já transforma o visual de forma imediata.
No cabelo, o volume é a diretriz. Seja com difusor, seja com escova, o objetivo é criar corpo, especialmente na raiz. Produtos como mousse volumizadora e spray de raiz são aliados práticos para quem não tem tempo para um processo longo de secagem.
Na maquiagem, a proposta é pele com acabamento natural, blush generoso e olho com lápis esfumado, o famoso smoky em versão menos dramática, apenas para dar profundidade ao olhar. Batom em tons terrosos ou vermelho clássico, outro ícone dos anos 80, fecha a composição sem esforço.
O conjunto resulta em um visual que a indústria da moda chama de quiet luxury com atitude, mas que, na prática, é apenas uma mulher que conhece o próprio estilo e não precisa de validação para usá-lo.
Você apostaria nessa estética no dia a dia? Porque a pergunta real é: por que levou tanto tempo para ela voltar?
Mãe, empreendedora, educadora e apaixonada por animais. Suzana acredita que o cuidado e a empatia são as bases de qualquer desenvolvimento saudável. Formada em Administração e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, à proteção animal e comanda sua própria loja (MF Feminina), onde faz o comercio de roupas femininas, lingeries, cosméticos, perfumaria e produtos de beleza. No Ellas Magazine, Suzana transforma sua vivência em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets e dicas de beleza.