É fácil culpar o celular pela insônia — e com razão: o excesso de luz azul, os estímulos constantes, as notificações infinitas… Mas, acredite, ele está longe de ser o único vilão. Se você anda acordando cansada, com dor de cabeça ou sentindo que o travesseiro não está dando conta de repor sua energia, talvez o problema esteja em costumes aparentemente inofensivos que fazem parte da sua rotina. E o pior: muitos deles passam despercebidos.
Segundo a neurologista Ana Claudia Souza, especialista em medicina do sono, “o que você faz nas últimas horas do dia influencia diretamente a forma como seu cérebro e seu corpo entendem que é hora de desligar”. E não é preciso virar sua vida de cabeça para baixo. Com pequenos ajustes, é possível reconquistar noites mais tranquilas e restauradoras. Abaixo, veja quais hábitos comuns merecem sua atenção – e como eles podem estar sabotando seu descanso silenciosamente.
Chegar na cama com a mente acelerada é um convite à insônia
Quem nunca foi deitar revivendo a reunião do dia, planejando as tarefas do dia seguinte ou relembrando conversas difíceis? O problema é que o sono precisa de uma transição. Dormir não é como apertar um botão: é um processo fisiológico que exige desaceleração.

Para o neurologista Marco Abud, “o ideal é criar um ritual noturno que prepare o cérebro para o repouso”. Isso pode ser tão simples quanto tomar um banho morno, ler algumas páginas de um livro leve ou até ouvir uma playlist relaxante. Evitar estímulos intensos — como discussões, tarefas domésticas ou rolar o feed freneticamente — é essencial.
Jantar pesado demais pode transformar sua noite em um pesadelo
Aquele pratão de massa ou o hambúrguer devorado tarde da noite pode até acalmar o estômago na hora, mas o preço chega durante o sono. A digestão lenta compromete a fase mais profunda do descanso, podendo causar refluxo, desconforto e até pesadelos.

A nutricionista funcional Carla Mota recomenda que a última refeição completa seja feita até três horas antes de deitar. “Se der fome mais tarde, prefira algo leve, como um chá de camomila com uma fatia de pão integral ou uma banana amassada com aveia”, indica. E atenção com o álcool: ele pode até dar sonolência no início, mas fragmenta o sono ao longo da noite.
Horários aleatórios bagunçam o relógio biológico
Dormir cada dia em um horário diferente pode parecer inofensivo, especialmente nos fins de semana. Mas essa oscilação desregula o ritmo circadiano — o nosso relógio interno — e pode provocar cansaço crônico, alterações de humor e até dificuldade de concentração.
Estudos mostram que manter uma rotina regular de sono, mesmo nos sábados e domingos, melhora a qualidade do descanso e reforça a imunidade. Um truque simples é definir um “alarme do sono”, que avise quando é hora de iniciar o ritual de relaxamento. Assim, o corpo se acostuma e começa a “pedir cama” naturalmente.
Cafeína e nicotina: dois inimigos disfarçados de aliados
Tomar um cafezinho depois do jantar ou dar aquela última tragada antes de dormir pode parecer relaxante. Mas, na prática, são substâncias que deixam o sistema nervoso em estado de alerta — o oposto do que o corpo precisa para adormecer.

A cafeína pode permanecer ativa por até seis horas no organismo. Já a nicotina tem efeito estimulante imediato. Se o seu sono anda agitado, experimente trocar o café da tarde por chá de ervas e evite fumar nas horas que antecedem a noite. Seu corpo agradece — e sua mente também.

Especialista em Moda e estilo pessoal, Clara é apaixonada por transformar o guarda-roupa de suas leitoras em uma expressão autêntica de sua personalidade. Formada em Design de Moda, Clara escreve com o intuito de trazer dicas acessíveis e práticas, que valorizam cada tipo de corpo e estilo. Suas matérias vão além das tendências: Clara acredita que a moda é uma forma de empoderamento e autoconhecimento, inspirando leitoras a se expressarem com confiança.