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Comportamento

Dormir roncando todas as noites pode indicar risco de pressão alta perigosa, revela pesquisa com mais de 12 mil pessoas

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Um hábito considerado banal por muita gente pode estar escondendo um risco sério para o coração. O maior estudo já realizado sobre o assunto encontrou uma ligação direta entre o ronco noturno frequente e a hipertensão descontrolada, principalmente entre homens de meia-idade com sobrepeso. A descoberta acende um sinal de atenção para quem costuma ignorar esse som repetitivo durante o sono, tratando-o apenas como um incômodo doméstico.

A pesquisa foi conduzida por especialistas em sono da Flinders University e publicada na revista científica Nature Digital Medicine. O trabalho reuniu mais de 12 mil participantes ao redor do mundo durante nove meses, tornando-se o levantamento mais amplo já feito sobre a relação entre ronco e pressão arterial.

O que a pesquisa descobriu sobre o ronco

Os cientistas identificaram que 15% dos participantes, majoritariamente homens acima do peso, roncam por mais de 20% do tempo total de sono, em média. Esse grupo apresenta maior probabilidade de desenvolver pressão arterial elevada e hipertensão não controlada.

O estudo utilizou uma combinação inédita de tecnologias para chegar a esses números. Sensores instalados sob os colchões monitoraram o ronco e episódios de apneia do sono durante toda a noite. Ao mesmo tempo, os participantes usaram monitores de pressão arterial domésticos registrados pela agência regulatória americana FDA. Essa metodologia permitiu captar dados objetivos, sem depender apenas de relatos dos próprios voluntários.

Segundo os autores da pesquisa, essa é a primeira vez que a ciência consegue apontar, com base em medições reais e prolongadas, uma conexão significativa entre roncar regularmente durante a noite e apresentar pressão alta.

Por que o ronco afeta a saúde do coração

O ronco prejudica a qualidade do sono de forma silenciosa. Quando a respiração é interrompida ou dificultada durante a noite, o corpo entra em um estado de alerta constante, mesmo que a pessoa não perceba isso ao despertar. Essa má qualidade do descanso noturno aumenta o risco de desenvolver hipertensão ao longo do tempo.

A hipertensão sustentada representa um problema grave. Quando não é identificada e tratada, pode evoluir para complicações sérias, como insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, doenças cardíacas e problemas renais. O corpo humano não tolera bem a pressão elevada por períodos longos, e os efeitos costumam aparecer de forma progressiva, muitas vezes sem sintomas claros até que o quadro já esteja avançado.

Quem está mais exposto a esse risco

O perfil mais afetado pela combinação entre ronco e hipertensão é o de homens de meia-idade com sobrepeso. O excesso de peso contribui diretamente para o estreitamento das vias respiratórias durante o sono, o que intensifica o ronco e aumenta a chance de episódios de apneia.

O consumo frequente de álcool e o tabagismo também pioram esse quadro, pois ambos os hábitos relaxam a musculatura da garganta e agravam a obstrução das vias aéreas durante a noite. Outro fator que merece atenção é o uso de medicamentos para dormir sem orientação médica: alguns remédios relaxam excessivamente os músculos da região e acabam intensificando o ronco em vez de melhorar o sono.

Como reduzir o ronco no dia a dia

Pequenas mudanças de hábito ajudam a diminuir a intensidade do ronco. A perda de peso está entre as medidas mais eficazes para quem está acima do peso ideal, porque reduz a pressão sobre as vias respiratórias durante o sono.

Dormir de lado também traz resultados expressivos. Essa posição evita que a língua e os tecidos da garganta bloqueiem parcialmente a passagem de ar, algo que costuma ocorrer quando a pessoa dorme de barriga para cima. Existem travesseiros e cunhas específicas para facilitar essa adaptação, além do método caseiro de fixar uma bola de tênis nas costas da roupa de dormir, o que torna desconfortável permanecer na posição errada.

Evitar bebidas alcoólicas próximo do horário de dormir e cortar o cigarro são medidas que reduzem diretamente a inflamação e o relaxamento excessivo da garganta. Pílulas para dormir também merecem atenção: em muitos casos, elas pioram o quadro em vez de resolver o problema.

Quando buscar ajuda médica

Roncar de forma isolada, sem outros sintomas, nem sempre indica um problema grave. A atenção deve aumentar quando o ronco vem acompanhado de sinais como cansaço extremo durante o dia, sensação de sono não reparador ou pausas na respiração percebidas pelo parceiro ou parceira durante a noite.

Nesses casos, a recomendação médica é buscar avaliação especializada. Um estudo do sono pode identificar com precisão se há apneia associada e orientar o tratamento adequado antes que o quadro evolua para hipertensão ou outras complicações cardiovasculares.

A pesquisa da Flinders University reforça um ponto importante para a prática médica: o ronco deixa de ser apenas uma questão de convivência e passa a ocupar espaço central na avaliação de risco cardiovascular. Os pesquisadores já indicam que o próximo passo é investigar se tratamentos voltados especificamente para o ronco conseguem reduzir a hipertensão e os riscos associados a ela.