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O carro que a Ferrari “errou” virou o mais caro já vendido em leilão

A internet detonou o primeiro elétrico da Ferrari assim que ele foi apresentado. Meses depois, alguém pagou US$ 40 milhões por uma unidade dele. Plot twist digno de novela das nove.
O Luce, carro que rompeu décadas de tradição a combustão da marca italiana, acabou de bater o recorde mundial de maior valor pago por um carro novo em leilão. A venda aconteceu durante a Monterey Car Week, evento badalado da Califórnia que reúne colecionadores dispostos a gastar fortunas em nome da exclusividade.
O carro que ninguém queria virou o mais caro do leilão
Vamos direto ao ponto: o Luce nasceu sob polêmica. Quando a Ferrari revelou seu primeiro modelo 100% elétrico em maio, o mercado reagiu com desconfiança. As ações da marca caíram em Milão, fãs históricos torceram o nariz para o design de cinco lugares e quatro portas, e as redes sociais viraram um festival de memes questionando se a Ferrari tinha perdido a essência.
A unidade vendida no leilão, porém, não é um Luce qualquer. É o “Chassis 0”, o primeiro exemplar de produção de todo o programa. Criado pela divisão Tailor Made em parceria com o centro de design da marca, o carro recebeu acabamento exclusivo, rodas específicas e pinças de freio personalizadas. Uma peça única, sem réplicas possíveis.
O comprador preferiu manter a identidade em sigilo. Já o destino do dinheiro é público: os US$ 40 milhões vão inteiros para projetos educacionais da Ferrari Foundation, nos Estados Unidos e em outros países.
Ferrari bateu seu próprio recorde
O valor supera em mais de 50% a marca anterior, que também pertencia à Ferrari. Em 2025, uma versão única do Daytona SP3 havia sido vendida por US$ 26 milhões. A própria marca segue quebrando seus recordes, ano após ano, com carros que nunca vão rodar em uma concessionária comum.
Esse resultado expõe a lógica que colecionadores de luxo entendem bem: raridade vale mais que consenso popular. A opinião da internet sobre o design não define o valor de um carro assim. Existe um único exemplar no mundo, e isso, para quem compra nesse universo, é o verdadeiro produto.
A crítica nas redes não freou os pedidos
O contraste entre a recepção pública e o resultado do leilão diz muito sobre como funciona o mercado de superesportivos. Enquanto usuários debatiam se a Ferrari havia traído sua própria história ao lançar um elétrico, a montadora seguia recebendo encomendas.
O CEO Benedetto Vigna defendeu a aposta publicamente e afirmou que o Luce tem potencial para atrair tanto a clientela tradicional quanto um público novo, que talvez nunca tivesse considerado a marca antes. No mês passado, a empresa declarou estar satisfeita com o volume de pedidos, embora não tenha divulgado números oficiais.
Personalização virou o verdadeiro motor de faturamento
A companhia também revisou para cima sua projeção de resultados para 2026, depois de superar as expectativas do mercado financeiro no segundo trimestre. Entre os fatores citados pela própria Ferrari está justamente a procura por personalização, que veio acima do esperado.
As ações da Ferrari acumulam alta de quase 14,65% no ano. No pré-mercado de Nova York, os papéis operavam em leve alta nesta manhã, cotados perto de US$ 420.
O Luce segue dividindo opiniões nas redes. No fim das contas, quem está disposto a pagar US$ 40 milhões decide o valor real de um carro. Os comentários da internet não pesam nessa conta.






