Lançamentos
Bugatti Destrier chega com apenas uma unidade no mundo e motor de 1.600 cv

A Bugatti prepara um dos lançamentos mais aguardados do ano automotivo mundial. O Destrier é a nova joia da marca francesa, um hipercarro de exemplar único que estreia oficialmente no dia 16, no Concurso de Elegância de Pebble Beach, na Califórnia.
O evento é o mais prestigiado do planeta para veículos clássicos e raros, e a presença de um modelo tão moderno ali já diz muito sobre a ambição da montadora.
Um hipercarro pensado para virar peça de coleção
O Destrier bebe diretamente da fonte do Bugatti Type 57SC Atlantic, lançado em 1936. Aquele modelo usava a base de um carro de pista, mas trazia uma carroceria tão trabalhada que se tornou um marco na história do automóvel. A nova criação segue esse raciocínio e aposta em uma escultura extrema sobre uma engenharia já consagrada.
A base é o monobloco em fibra de carbono do Bugatti La Voiture Noire, exemplar único lançado em 2021, agora reformulado com um design totalmente novo. O motor é o já conhecido W-16 de oito litros, com quatro turbocompressores e 1.600 cv de potência, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em cerca de 2,4 segundos. Passados cinco anos desde sua estreia, esse conjunto mecânico continua sendo uma referência absoluta entre os motores a combustão.
A Bugatti ainda não revelou dados definitivos sobre potência final, torque e tempo de aceleração, já que o Destrier deve ser mais leve que seus antecessores. Uma curiosidade chama atenção: com apenas um metro de altura, ele se torna o carro mais baixo já produzido pela marca de Molsheim. O diretor de Estilo da Bugatti, Frank Heil, resumiu o projeto como uma busca por proporções extremas, priorizando a pureza da forma em vez da obsessão por efeito solo.
O preço não será divulgado oficialmente, mas estimativas apontam valores acima de US$ 20 milhões, o equivalente a mais de R$ 100 milhões. O uso do Destrier ficará restrito a pistas de competição e eventos como concursos de elegância. Ainda assim, existe uma brecha: a empresa britânica Lanzante já adaptou o exemplar único do La Voiture Noire para rodar em vias públicas, e a mesma solução pode ser oferecida ao futuro dono do Destrier, cujo nome em francês remete a um cavalo jovem, forte e extremamente veloz.
Importados batem recorde de crescimento, mas estoque preocupa
Enquanto a Bugatti trabalha no topo da pirâmide automotiva, o mercado brasileiro de importados segue em ritmo acelerado. Nos primeiros sete meses do ano, 344,1 mil veículos leves e pesados entraram no país, um salto de 25,7% frente ao mesmo período do ano anterior. A China lidera essa expansão com folga: as importações vindas do país mais que dobraram, com alta de 105,4%.
A Argentina segue na direção contrária. O parceiro histórico do Brasil na produção compartilhada de veículos recuou 16,7% nas exportações para cá. Em números absolutos, foram 180,5 mil unidades chinesas contra 101,1 mil argentinas entre janeiro e julho. As exportações brasileiras também caíram, com retração de 20,8% no período.
O estoque de importados chama atenção pelo tamanho fora do padrão histórico. São 360 mil unidades paradas, o equivalente a 142 dias de vendas, quase cinco meses. Os modelos nacionais giram em ritmo bem mais rápido, com apenas 21 dias de estoque, segundo dados da Anfavea. Grande parte desse volume acumulado vem da BYD, que aproveitou incentivos do governo federal para importar em massa elétricos e híbridos desde 2022. A marca chinesa segue com preços agressivos mesmo diante dos juros altos, que encarecem o financiamento de veículos no país.
A própria BYD defende o fim desses incentivos em janeiro do próximo ano, conforme já previsto em lei, sem abrir exceções para concorrentes que chegaram depois. A montadora mantém a meta de assumir a liderança do mercado brasileiro até 2030, hoje ocupando a quarta posição. Do outro lado, o grupo Chery, que reúne marcas como Omoda, Jaecoo, Icaur, Lepas, Exeed, Luxeed, Freelander e Jetour, projeta a primeira colocação para 2031, ano em que o Brasil poderia consumir até cinco milhões de veículos anuais, 70% a mais que o volume atual.
A Anfavea mantém otimismo para 2026, com previsão de crescimento de 12,1% nas vendas totais, número acima da projeção de 8% feita pela Fenabrave. No campo da produção, o Brasil também se destaca: foi o segundo país que mais cresceu entre janeiro e julho deste ano, com alta de 8,8%, atrás apenas da Índia, que avançou 14,5%. A China, maior mercado automotivo do mundo, recuou 4% na produção no mesmo intervalo, enquanto os Estados Unidos tiveram queda de 11,7%.
Elétricos crescem forte nos números, mas ainda andam devagar nas ruas
Os dados sobre eletrificação do mercado brasileiro merecem leitura cuidadosa. O termo “eletrificados” soma elétricos puros e os três tipos de híbridos existentes: o básico, o pleno e o plugável. Comparações feitas sobre bases muito pequenas também tendem a inflar percentuais de crescimento.
A Anfavea aponta que, há um ano, elétricos e híbridos somados não alcançavam 11% das vendas totais. No acumulado deste ano, o crescimento chega a 120,8%, e os elétricos puros venderam 25,8 mil unidades somente em julho, o maior número já registrado. Os dados são reais, mas o contexto importa.
A distribuição das vendas de veículos leves entre janeiro e julho ajuda a entender o cenário completo: carros a gasolina somaram 2,8%, diesel 9,3% (concentrado em picapes médias e alguns SUVs), híbridos 5,9%, híbridos plugáveis também 5,9%, elétricos 7,2% e os modelos flex seguem disparados na frente, com 68,9% do total. O salto de 120,8% reflete justamente essa base ainda pequena. Existe espaço real para os elétricos crescerem no uso urbano, onde funcionam muito bem. Nas estradas, entretanto, o cenário muda: as longas distâncias do território brasileiro dificultam a expansão de redes de recarga, com exceção da rodovia Presidente Dutra, que conecta as duas maiores cidades do país e dá acesso a 36 municípios ao longo de seus 402 km.
Icaur entra no Brasil com foco em SUVs elétricos de alto padrão
O grupo Chery segue expandindo sua presença no Brasil com uma nova marca batizada de Icaur. A operação nasce independente da Caoa Chery e tem estreia prevista para o primeiro trimestre de 2027. Toda a linha será formada por SUVs voltados para os segmentos de preço mais elevados, com design de linhas retas que remetem à tradição da Land Rover, mas com uma leitura moderna e própria.
A estratégia de entrada começa pela importação, com produção local prevista para uma etapa posterior. A marca ainda não definiu se construirá uma fábrica nova ou se vai negociar o uso de uma planta já existente. O Brasil conta hoje com três unidades fabris paradas: a antiga Toyota em Indaiatuba, a Caoa Chery em Jacareí e a Land Rover em Itatiaia.
O modelo de entrada, V23, é um elétrico tradicional do porte de um Renegade, com 136 cv, tração traseira e caixas de roda bem marcadas. Um detalhe interessante é o compartimento externo na tampa do porta-malas, com abertura lateral, criado para guardar cabos de recarga ou itens de trilha. As colunas traseiras não recebem vidros, reforçando o visual mais robusto da carroceria.
Os modelos intermediários V25 e V27 chegam com tecnologia de alcance estendido, conhecida pela sigla EREV, pensada para eliminar a preocupação com recarga em viagens longas. A chinesa Leapmotor já aplica essa solução por aqui no SUV C10. O V27 deve ser o primeiro a desembarcar, equipado com um motor 1.5 turbo de 154 cv que funciona exclusivamente como gerador de energia, enquanto os motores elétricos assumem a movimentação das rodas.
Uma versão mais robusta do V27 promete 455 cv, tração 4×4 e autonomia de até 1.200 km, valor medido pelo ciclo chinês, historicamente mais otimista que a realidade de uso. Para efeito de comparação, o BMW iX3, com 459 cv e lançamento previsto para a próxima semana, é apontado como o elétrico de maior autonomia do mercado e aparece na tabela oficial do Inmetro com 570 km de alcance médio, número mais próximo do uso real no dia a dia brasileiro. O topo de linha da Icaur, o V29, ultrapassa cinco metros de comprimento e também adota a tecnologia EREV, mas seus detalhes técnicos ainda não foram revelados pela marca.







