Antigos
Ford Corcel II tem história, charme e um legado que a indústria brasileira não esquece

Tem carro que não é só carro. O Ford Corcel II é desse time, aquele tipo de veículo que carrega junto uma fatia inteira da memória afetiva do Brasil. Lançado em 1977, ele chegou ao mercado como a evolução direta do modelo anterior e rapidamente se tornou presença constante nas ruas, nas garagens de família e, inevitavelmente, nas histórias que as pessoas contam até hoje.
A década de 70 foi um momento de ebulição para a indústria automotiva brasileira. O país crescia, as cidades se expandiam e a demanda por carros confiáveis, econômicos e modernos aumentava na mesma velocidade. A Ford leu esse movimento com atenção e respondeu com um projeto que ia além de uma simples atualização do Corcel original.
Design que falava a língua do seu tempo
O visual do Ford Corcel II foi uma virada de chave. As linhas angulares e robustas que definiram sua carroceria refletiam exatamente o que as tendências internacionais de design automotivo pregavam naquele período.

A frente mais alongada, os faróis retangulares e a grade dianteira redesenhada davam ao carro uma aparência ao mesmo tempo elegante e assertiva, algo raro para um compacto nacional da época.
A traseira também recebeu tratamento cuidadoso, com lanternas mais amplas que harmonizavam com o conjunto e reforçavam a impressão de um carro bem resolvido visualmente.

A nova carroceria ainda trouxe ganhos práticos: melhor aerodinâmica e mais espaço interno, dois argumentos que qualquer comprador levava a sério.
Interior que entregava mais do que prometia
Entrar no Corcel II era uma experiência diferente do que o mercado oferecia na concorrência. Os bancos mais ergonômicos, com revestimento de qualidade superior, tornavam as viagens longas muito mais agradáveis.

O painel de instrumentos ganhou mostradores novos, com leitura mais intuitiva, e o sistema de ventilação foi completamente reformulado.

O detalhe que mais encantava quem comprava o carro na época? O rádio AM/FM de série. Parece simples agora, mas em 1977 isso representava um salto real em termos de equipamento para um carro popular brasileiro.
Motor CHT e o talento para a economia
Sob o capô vivia o motor CHT 1.4, uma unidade já reconhecida pela durabilidade e pelo baixo consumo de combustível. Com 68 cavalos de potência, o desempenho era adequado para o uso urbano e para as estradas da época, sem surpresas desagradáveis. A transmissão manual de quatro marchas contribuía para uma condução fluida, e a suspensão recalibrada entregava um equilíbrio consistente entre conforto e estabilidade.
Esse conjunto mecânico fez do Corcel II uma das escolhas mais racionais do mercado brasileiro nos anos 70 e 80. Família grande, bolso apertado, estrada longa: o carro dava conta de tudo sem reclamar.
As atualizações que mantiveram o Corcel II relevante
A Ford não deixou o modelo envelhecer parado. Em 1980, chegou a versão LDO, com acabamento superior e itens que beiravam o luxo para os padrões da época, como vidros elétricos e direção hidráulica. Para um carro popular nacional, isso era território praticamente inexplorado.

Logo depois, o motor CHT 1.6 entrou em cena, trazendo mais potência e desempenho, acompanhado de melhorias no sistema de freios e na suspensão. Cada atualização reforçava a longevidade do projeto e mantinha o Corcel II competitivo frente a uma concorrência que também evoluía.
O legado que o tempo não apagou
Hoje, o Ford Corcel II ocupa um lugar especial no coração dos colecionadores e entusiastas de carros clássicos brasileiros. Exemplares bem conservados ainda aparecem em encontros, feiras e nas ruas de cidades do interior, mantendo viva a memória de um carro que foi muito mais do que transporte.

Ele representa um Brasil que apostava na própria indústria, que valorizava o projeto nacional e que encontrava no automóvel popular um símbolo de progresso. Cinquenta anos depois do seu lançamento, o Corcel II ainda provoca aquele sorriso involuntário em quem o vê passar.
Você se lembra de alguém da sua família que tinha um? Porque esse carro sempre tem uma história junto.


