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Verona, o irmão esquecido do Apollo, guarda uma história curiosa da indústria automotiva brasileira; entenda o motivo

O Verona, lançado no Brasil em 1989, foi um dos primeiros carros desenvolvidos pela Autolatina e compartilhou muitas semelhanças com o Escort, seu irmão menor.

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Existe um tipo de carro que carrega mais história do que quilometragem. O Verona é um desses casos. Ele nasceu em um momento peculiar da indústria automotiva brasileira, quando Ford e Volkswagen decidiram unir forças e criar a Autolatina, uma joint venture que misturou engenharia, plataformas e identidades de duas marcas rivais. O Verona foi o primeiro carro genuíno dessa parceria, chegando ao mercado antes mesmo do seu irmão de plataforma, o Volkswagen Apollo.

Lançado em dezembro de 1989, o sedã surgiu com a missão de enfrentar o Chevrolet Monza, então líder de um segmento que vivia seus anos mais aquecidos. Derivado da base do Ford Escort, o Verona ganhou uma carroceria própria, desenvolvida especialmente para o Brasil, com traços que remetiam ao Ford Sierra europeu. Décadas depois, o carro segue despertando curiosidade entre entusiastas e colecionadores que buscam peças raras da era pós-redemocratização da indústria automotiva no Brasil.

Motores que marcaram uma geração

O Verona chegou às concessionárias com duas opções principais de motorização. A versão de entrada usava o motor 1.6 CHT, com 77 cv de potência, suficiente para o uso urbano da época, mas sem grandes pretensões esportivas. Já a versão intermediária trazia o lendário motor 1.8 AP, conhecido pela robustez e pela presença marcante em diversos modelos da Autolatina ao longo de décadas. Com ele, o Verona ia de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos e alcançava 170 km/h de velocidade máxima, números respeitáveis para um sedã de passeio no fim dos anos 80.

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O topo de linha, no entanto, era outra história. A versão equipada com motor AP 2.0 injetado entregava 120 cv de potência e 18,4 kgfm de torque, um salto considerável em relação às demais configurações. Essa variante representava o auge tecnológico da época para o segmento, com injeção eletrônica substituindo o carburador e proporcionando resposta mais linear e consumo mais controlado.

Os pontos de atenção que todo comprador precisa conhecer

Carro antigo pede olhar atento, e o Verona não foge à regra. A suspensão costuma ser o ponto mais sensível do modelo. As buchas se desgastam com o tempo e geram ruídos característicos, além de comprometer a estabilidade em curvas e frenagens mais bruscas. A troca periódica desses componentes é praticamente obrigatória para quem pretende manter o carro em condições seguras de uso.

Outro detalhe importante é a altura do veículo. O Verona é baixo, característica que reforçava seu apelo de conforto e estabilidade na época, mas que hoje representa um desafio em ruas com lombadas altas, buracos e obstáculos urbanos. Raspagens no assoalho e no para-choque dianteiro são queixas recorrentes entre proprietários, principalmente em cidades com infraestrutura mais precária.

Conforto depende muito da versão escolhida

Antes de fechar negócio, vale entender que nem todo Verona oferece o mesmo nível de conforto. As versões de entrada costumam vir sem ar-condicionado e sem direção hidráulica, itens que hoje são considerados básicos, mas que na época eram tratados como opcionais de luxo. Quem busca um carro para uso diário, e não apenas para exibir em encontros de clássicos, deve priorizar as versões mais completas, geralmente equipadas com esses recursos de série.

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Manutenção exige dedicação, mas recompensa quem entende de mecânica

A manutenção do Verona é acessível para quem já tem familiaridade com carros da era pré-eletrônica embarcada. As versões com carburador demandam ajustes periódicos e limpezas para manter o desempenho e a economia de combustível dentro do esperado. Ignorar essa rotina resulta em falhas de marcha lenta e consumo elevado.

Vazamentos de óleo e água são outro ponto que merece inspeção regular, assim como o estado das mangueiras do sistema de arrefecimento. Componentes elétricos também pedem atenção redobrada, já que peças originais estão cada vez mais raras no mercado, e boa parte da reposição depende de desmanches ou fornecedores especializados em carros antigos.

Vale a pena ter um Verona hoje?

O Verona ocupa um lugar curioso na memória automotiva brasileira. Ele representa um momento de transição da indústria nacional, quando duas gigantes decidiram dividir plataformas para reduzir custos e sobreviver a um mercado ainda fechado às importações. Para quem enxerga carro como patrimônio afetivo, o Verona entrega exatamente isso: história, robustez mecânica e um design que remete a uma época em que sedãs médios eram sinônimo de status.