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Louis Vuitton e Singer criam dois Porsche 911 que parecem saídos de um cofre de colecionador

Pebble Beach é o tipo de lugar onde milionários vão para ver metal brilhar. E nesta semana, durante a Monterey Car Week, a Louis Vuitton decidiu dar seu recado mais caro até agora: dois Porsche 911 reconstruídos, assinados em parceria com a Singer, a oficina americana que transforma o clássico alemão em obra de arte rodante. A internet do universo automotivo já está em polvorosa. E tem motivo de sobra.
Essa é a primeira vez que a maison francesa e a Singer trabalham juntas. E o ponto de partida do projeto é quase engraçado de tão desproporcional ao resultado final: tudo começou com um pedido de relógio. Quem imaginaria que um simples acessório de painel viraria dois carros dignos de leilão?
Como um relógio virou dois carros de colecionador
Rob Dickinson, ex-vocalista da banda britânica Catherine Wheel e fundador da Singer em 2009, queria um relógio de painel destacável inspirado no Tambour, peça de assinatura da relojoaria da Louis Vuitton. Simples assim. Só que a ideia cresceu rápido demais para caber em um painel só.
O projeto virou a personalização completa de dois veículos, com os ateliês de relojoaria, marroquinaria e moda da grife trabalhando lado a lado com a equipe de design da Singer. A La Fabrique du Temps, sede suíça da relojoaria da Louis Vuitton, assina o relógio que deu origem a tudo isso.
O cabriolet inspirado em lancha e Costa Oeste
Um dos carros leva a assinatura de Nicolas Ghesquière, diretor artístico das coleções femininas da Louis Vuitton, e recebe o nome Classic Turbo. É um cabriolet branco marfim, com acabamentos em madeira nobre que remetem a lanchas clássicas e ao estilo de vida da Costa Oeste americana. A estética entrega exatamente o que promete: elegância náutica em quatro rodas.

Ghesquière já tinha flertado com o universo automotivo antes. Em 2014, sua primeira campanha para a Louis Vuitton usou um Maserati Boomerang de 1972 como cenário, estrelada pela modelo Freja Beha Erichsen. O carro sempre foi parte do vocabulário visual do designer.
O coupé com rack para prancha de surfe
O segundo modelo aposta em safira e azul cobalto, cores que dialogam direto com a identidade visual da grife. Ele vem equipado com rack de teto que comporta baú, prancha de surfe ou par de esquis. É o carro pensado para quem trata o automóvel como extensão do estilo de vida.
Os detalhes escondidos são o verdadeiro luxo aqui. Flores do monograma aparecem gravadas nos furos de ventilação dos bancos de couro, no para-sol e nos encostos de cabeça. A tipografia usada em componentes de relógios foi replicada nas tampas de combustível e óleo. É o tipo de acabamento que só quem abre o carro de perto consegue notar. Esse luxo trabalha em detalhes discretos, pensados para quem sabe onde olhar.
Cápsulas de moda feitas sob medida para cada carro
Cada Porsche sai da oficina acompanhado de uma coleção cápsula exclusiva, criada especialmente para combinar com o veículo. O Classic reúne 17 peças: jaqueta de corrida, jeans, tênis, luvas de direção, capacete, a icônica bolsa Keepall, uma prancha de surfe e um par de esquis assinados pela Louis Vuitton. A jaqueta usa o mesmo couro do estofamento do carro. O jeans traz uma etiqueta discreta da parceria com a Singer na cintura.
O Classic Turbo, versão assinada por Ghesquière, vai além: são 22 peças, com terno sob medida em seda paraquedas, luvas de direção, tênis, capacete, o relógio Tambour Automatic e uma seleção de bolsas que inclui Alma, Express, Noé, Cruiser e Petite Malle. Um guarda-roupa completo, pensado para nascer junto com o carro.
Os valores dos dois modelos não foram revelados nem pela Louis Vuitton, nem pela Singer. E quem precisa perguntar o preço já não é o público desse projeto.
O automobilismo sempre esteve no DNA da grife
A relação da Louis Vuitton com carros não nasceu agora. No início do século 20, os irmãos gêmeos Pierre e Jean Vuitton, netos do fundador da casa, projetaram um veículo próprio só para exibir os baús e malas sob medida da marca. Décadas depois, nos anos 1990, a grife passou a organizar ralis de carros clássicos ao redor do mundo, com edições do Concours d’Élégance em Paris, Londres e Nova York.
Essa parceria com a Singer entra em uma sequência de movimentos recentes da Louis Vuitton no universo automotivo, que inclui o patrocínio à Fórmula 1 e a preparação para o Louis Vuitton Dolomites Classic Run, rali marcado para setembro. Será o primeiro evento do tipo organizado pela casa em 14 anos.
Entre relógios, bolsas e agora dois Porsche de tirar o fôlego, a Louis Vuitton mostra até onde a alta-costura consegue chegar quando encontra o mundo automotivo pela frente. Luxo automotivo e moda, aqui, viraram uma coisa só.







