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Dinossauros na Amazônia: novos vestígios revelam um capítulo inesperado da pré-história brasileira
Publicado
9 meses atrásem
Por
Mel Maria
Resumo
• Pesquisadores identificaram mais de dez pegadas de dinossauros na Bacia do Tacutu, em Roraima, revelando a presença inédita desses animais na Amazônia.
• As marcas têm mais de 103 milhões de anos e indicam a passagem de diferentes grupos, incluindo tipos ágeis, herbívoros bípedes e espécies com armaduras dorsais.
• A região preservou as pegadas graças a antigos vales úmidos, onde a lama endurecia rapidamente e resistia ao soterramento ao longo de milênios.
• As primeiras descobertas ocorreram em 2014, mas só ganharam análise detalhada anos depois, com o uso de técnicas como a fotogrametria 3D.
• Estimativas atuais sugerem centenas de pegadas na Bacia do Tacutu, redesenhando o mapa da pré-história brasileira e ampliando o entendimento sobre a presença de dinossauros no país.
A ideia de dinossauros deixando rastros na Amazônia sempre pareceu improvável. Entretanto, a região guarda histórias que o tempo insistiu em esconder. Aliás, apesar de o Brasil já ter fornecido diversas pistas sobre a presença desses animais pré-históricos, faltava justamente a confirmação de que eles haviam habitado ou atravessado o extremo norte do país. Agora, essa lacuna finalmente começa a ser preenchida.
Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima acabam de revelar um achado sem precedentes: mais de dez pegadas fossilizadas foram identificadas na Bacia do Tacutu, no município de Bonfim, a poucos quilômetros da fronteira com a Guiana. Segundo os estudos iniciais, essas marcas têm mais de 103 milhões de anos, atravessando o período entre o Jurássico e o Cretáceo.
As pistas deixadas pelos gigantes
Embora ainda não seja possível determinar precisamente quais espécies deixaram as marcas, as características dos rastros apontam para grupos distintos. Entre eles, aparecem possíveis registros de dinossauros com garras afiadas e postura ágil, outros com hábitos herbívoros que caminhavam apoiados sobre dois membros, além de tipos protegidos por uma estrutura semelhante a uma armadura dorsal.
Esses vestígios reforçam que diferentes dinossauros conviveram e atravessaram a região — um cenário muito distinto da floresta densa que conhecemos hoje. Além disso, as pegadas ajudam a reconstruir paisagens perdidas no tempo, oferecendo pistas de como aqueles animais se moviam, onde se alimentavam e de quais ambientes dependiam.
O desafio de encontrar fósseis na Amazônia
A raridade de registros fossilíferos na Amazônia não é coincidência. O clima úmido, os solos ácidos e os processos naturais de intemperização costumam degradar rapidamente qualquer material orgânico. Entretanto, a Bacia do Tacutu ofereceu uma combinação rara: um vale antigo, repleto de canais fluviais, onde a lama úmida endurecia pouco depois de receber as marcas deixadas pelos animais.
Como explicou o pesquisador responsável pela descoberta, “O Tacutu seria um vale com diversos canais de rios que fluíam juntos. Era um local com muita água e muita vegetação.”
Essa lama endurecida se transformou, ao longo de milênios, em rochas resistentes o bastante para sobreviver à erosão. Assim, pegadas que desapareceriam em poucos dias em outras regiões acabaram preservadas por milhões de anos.
Além disso, uma pequena faixa de vegetação tipo savana no local possibilitou que as rochas ficassem expostas para análise, revelando pegadas, troncos fossilizados e até impressões de folhas.
Uma descoberta que quase se perdeu no tempo
As primeiras pegadas haviam sido encontradas ainda em 2014, durante uma atividade de campo da UFRR. Porém, sem especialistas na universidade e sem o equipamento necessário, o material permaneceu sem análise por anos. O professor responsável pelo grupo relatou que evitar a divulgação precoce era questão de proteger a pesquisa:
“Se na época a gente divulgasse isso, viriam outras pessoas e tomariam a pesquisa para eles”, contou.
Somente em 2021 o estudo foi retomado, já com novas tecnologias à disposição. Entre elas, a fotogrametria, técnica que permite reconstruir digitalmente modelos tridimensionais extremamente fiéis das pegadas. A metodologia viabilizou descrições mais precisas e a identificação de novos afloramentos fossilíferos na região.
O que esses vestígios significam para a ciência
As estimativas mais recentes indicam que podem existir centenas de pegadas distribuídas pela Bacia do Tacutu. Parte delas está localizada em áreas privadas, o que traz desafios adicionais para a continuidade dos estudos. Além disso, há registros em terras indígenas, onde as pesquisas avançam com monitoramento cuidadoso e autorização das comunidades.
Ainda assim, o fato inegável é que a descoberta já redesenha o mapa da presença dos dinossauros no Brasil. A Amazônia, antes considerada improvável para registros desse tipo, agora revela que sua história é muito mais antiga e complexa do que imaginávamos.
E, assim, cada nova pegada encontrada se transforma numa peça vital para remontar um passado que parecia perdido — um tempo em que gigantes caminhavam por um território que, milhões de anos depois, se tornaria a maior floresta tropical do mundo.
Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.
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