Jardinagem & Cuidados
Por que o amaranto virou tendência em vasos e canteiros: fácil cultivo, folhas vibrantes e grão nutritivo
Entenda por que essa planta rústica conquistou jardineiros de todos os níveis e como aproveitar suas folhas e grãos em casa
Publicado
51 minutos atrásem
Por
Mel Maria
Existe uma planta que muita gente já viu crescendo à beira de estradas e terrenos baldios sem imaginar que ela está entre os alimentos mais completos já estudados pela nutrição moderna. O amaranto é isso. Uma espécie considerada mato em boa parte do país e, ao mesmo tempo, cultivada com orgulho em jardins, hortas e até em programas de segurança alimentar em outros continentes.
Trabalho com plantas há anos e posso dizer que poucas espécies me surpreenderam tanto quanto o amaranto. Ele entrega cor, textura e ainda carrega uma história alimentar que remonta às civilizações pré-colombianas, quando já era tratado como grão essencial ao lado do milho e do feijão.
Uma planta com raízes profundas na história americana
O amaranto (Amaranthus spp.) é originário das regiões tropicais e subtropicais das Américas. Antes da chegada dos europeus, o grão já ocupava lugar central na alimentação de povos mesoamericanos. Registros históricos indicam que dezessete províncias enviavam mais de 20 mil toneladas de amaranto por ano como tributo à antiga Tenochtitlán, hoje Cidade do México. Esse volume mostra a escala que a cultura já tinha muito antes de qualquer estudo científico confirmar seu valor nutricional.

Hoje o gênero reúne mais de sessenta espécies catalogadas, com folhagens que variam do verde intenso ao vermelho vibrante e ao roxo profundo, além de inflorescências em espiga que podem aparecer em tons de vermelho, amarelo e laranja. É essa variação visual que faz o amaranto se destacar em qualquer canteiro, mesmo entre plantas ornamentais mais tradicionais.
Como cultivar amaranto sem complicação
O que mais recomendo o amaranto para quem está começando na jardinagem é a facilidade de manejo. Ele tolera calor e período de seca com uma resiliência que poucas plantas ornamentais oferecem, e isso o torna uma escolha segura para quem tem pouco tempo disponível para cuidados diários.
Alguns pontos que fazem diferença real no cultivo:
Escolha um local com sol pleno ou meia sombra, garantindo pelo menos seis horas de luz direta por dia. O solo precisa ser bem drenado e enriquecido com matéria orgânica, já que encharcamento é o principal fator que compromete o desenvolvimento das raízes. Regue com regularidade nas primeiras semanas, mantendo o solo levemente úmido, e reduza a frequência conforme a planta se estabelece, já que exemplares adultos toleram bem períodos mais secos.
Vale lembrar que o amaranto se adapta tanto a canteiros quanto a vasos e floreiras, o que amplia bastante as possibilidades para quem cultiva em espaços menores, como varandas e sacadas.
As variedades que mais chamam atenção
Entre as espécies mais conhecidas, três se destacam pela beleza e pela versatilidade:
Amaranthus caudatus, popularmente chamado de rabo de raposa, apresenta inflorescências longas e pendentes que criam um efeito cascata muito procurado em jardins de composição mais dramática.

Amaranthus tricolor reúne folhas multicoloridas em tons de verde, vermelho e amarelo na mesma planta, funcionando quase como uma peça de arte viva dentro do jardim.
Amaranthus cruentus combina inflorescências vermelhas intensas com folhagem variável, sendo também a espécie mais associada ao uso culinário e à produção de grãos.
Do jardim para a mesa: o lado nutricional que poucos conhecem
Aqui está um dado que costuma surpreender quem enxerga o amaranto apenas como planta ornamental. Segundo parâmetros da FAO e da Organização Mundial da Saúde, que avaliam a qualidade proteica dos alimentos numa escala de até 100, o amaranto atinge 75 pontos. Para efeito de comparação, a soja fica em 68, o trigo em 60 e o milho em 44. A digestibilidade do grão chega a 93%, um índice considerado alto entre os alimentos vegetais.
Parte dessa qualidade vem da presença expressiva de lisina, um aminoácido essencial que o corpo humano não produz sozinho e que aparece em quantidade escassa na maioria dos cereais tradicionais. Quando combinado com arroz, trigo ou leguminosas, o amaranto ajuda a formar um perfil de aminoácidos comparável ao de proteínas de origem animal.
O grão também não contém glúten, o que amplia seu uso entre pessoas celíacas, e concentra quantidades relevantes de cálcio, magnésio, ferro e fibras, com baixos níveis de compostos que costumam reduzir a absorção de minerais em outros cereais.
Na prática, isso significa que quem cultiva a variedade Amaranthus cruentus em casa pode colher bem mais do que uma planta bonita. As folhas jovens podem ser usadas como hortaliça, refogadas ou em saladas, enquanto os grãos maduros se transformam em farinha, flocos ou cereal cozido.
Um espaço garantido no jardim e na alimentação
O amaranto ocupa um lugar raro entre as plantas que cultivamos. Une apelo visual imediato, facilidade de manejo e um potencial alimentar que ainda é subaproveitado no Brasil, mesmo com pesquisas da Embrapa já indicando cultivares adaptados ao clima do Cerrado. Quem decide experimentar essa espécie costuma sair da experiência com uma nova planta favorita e, muitas vezes, com uma nova ideia do que colocar no prato.
Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.
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