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Mundo Botânico & Ciência

Fruta com cheiro de chocolate e outra parecida com amora gigante surpreendem moradores do Paraná; conheça as espécies

Táiuva, oiti e gabiroba-do-campo integram a flora nativa que cresce em calçadas e campos do estado, muitas vezes sem serem reconhecidas por quem passa perto

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Fruta com cheiro de chocolate e outra parecida com amora gigante surpreendem moradores do Paraná; conheça as espécies
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O Paraná guarda uma biodiversidade vegetal que raramente chama atenção fora dos círculos de pesquisa. Entre árvores de calçada e vegetação de campo nativo, crescem frutas que surpreendem pelo cheiro, pela textura ou pela forma incomum. Algumas caem nas ruas de cidades como Londrina sem que os moradores saibam identificá-las.

Outras sobrevivem escondidas em remanescentes de campo, estudadas por universidades e empresas de pesquisa agropecuária que enxergam nelas um potencial ainda pouco explorado.

Três espécies resumem bem essa diversidade: a taiúva, o oiti e a gabiroba-do-campo. Cada uma carrega uma história própria, ligada à botânica, à cultura popular e, em alguns casos, à ciência aplicada.

Taiúva desafia a aparência da amora com uma estrutura própria da Mata Atlântica

A taiúva, cujo nome científico é Maclura tinctoria, pertence à família Moraceae, a mesma da amora, da jaca e da figueira. É justamente esse parentesco botânico que explica a semelhança visual com uma amora de grandes proporções, embora a fruta siga uma estrutura própria, composta por várias unidades fundidas em um único corpo irregular.

A árvore pode ultrapassar 30 metros de altura e desenvolve raízes tabulares bem visíveis na base do tronco. Quando ferida, a casca libera um látex característico, resultado da presença de tubos laticíferos na madeira. Historicamente, a taiúva teve papel econômico relevante: sua madeira resistente a cupins foi usada em construção naval e mobiliário, e de seu tronco se extraíam corantes amarelados empregados até em tingimento de tecidos.

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O fruto maduro é comestível, doce e carnoso, mas a identificação correta é indispensável antes de qualquer consumo. Frutos de aparência parecida podem pertencer a espécies distintas, e a confusão entre elas é um risco real para quem não conhece a vegetação nativa.

Oiti cheira a chocolate e esconde propriedades nutricionais pouco conhecidas

Em Londrina e em outras cidades do Norte do Paraná, é comum encontrar frutos escuros e compridos espalhados pelas calçadas sob a sombra de árvores frondosas. São frutos de oiti (Licania tomentosa), espécie nativa do Brasil muito usada na arborização urbana justamente pela copa densa e pelas raízes profundas, que reduzem o risco de danificar calçadas e tubulações, um dos motivos pelos quais paisagistas continuam recomendando a espécie para ruas e praças.

O fruto chega a medir entre 13 e 15 centímetros de comprimento, com polpa firme e pastosa, frequentemente comparada à de uma batata-doce cozida, envolvendo um caroço grande que ocupa boa parte do interior. O aroma adocicado, parecido com o de chocolate, é o que mais chama atenção de quem encontra o fruto pela primeira vez.

Além da curiosidade sensorial, estudos sobre a composição do oiti apontam a presença de compostos bioativos, incluindo gorduras do tipo ômega-3, e a planta é historicamente associada ao uso popular no alívio de processos inflamatórios. A árvore também é lenta para amadurecer: pode levar até 15 anos para atingir o porte adulto, o que reforça seu papel como patrimônio arbóreo de longo prazo nas cidades onde foi plantada décadas atrás.

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Gabiroba-do-campo atrai pesquisadores por um potencial ainda pouco explorado

Diferente das árvores urbanas, a gabiroba-do-campo cresce rente ao solo, em touceiras baixas típicas de áreas de campo nativo. O nome popular é usado para designar diferentes espécies do gênero Campomanesia, da família Myrtaceae, a mesma da pitanga e da goiaba, o que exige cuidado na identificação precisa de cada planta.

Na Região Metropolitana de Curitiba, a espécie ganhou um capítulo recente e pouco divulgado. A Estação Ecológica Teresa Urban, no bairro Alto Boqueirão, é hoje uma das últimas áreas públicas da capital com vegetação de campo natural preservada, e se tornou campo de estudo de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná e da Embrapa.

O interesse não é apenas botânico: a fruta é vista como promissora tanto pelo valor nutricional quanto pela possibilidade de fornecer óleos essenciais de interesse para a indústria farmacêutica. Outras duas áreas de pesquisa no estado acompanham a espécie, uma em Vila Velha, nos Campos Gerais, e outra na Mata do Uru, na Lapa.

Os frutos amadurecem com coloração amarelada e sabor marcante, mas o pequeno porte da planta e sua presença restrita a ambientes de campo nativo ajudam a explicar por que a gabiroba-do-campo permanece desconhecida da maioria da população, mesmo sendo parente próxima de frutas populares nas feiras.

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Biodiversidade do Paraná vai além do que chega à mesa

Taiúva, oiti e gabiroba-do-campo mostram que a riqueza vegetal paranaense não se limita às espécies cultivadas em larga escala. Árvores de calçada, remanescentes de Mata Atlântica e fragmentos de campo nativo preservam frutos que carregam história, uso tradicional e, em alguns casos, potencial econômico ainda em fase de investigação científica.

Encontrar esses frutos pelo caminho é, antes de tudo, um convite à atenção. A aparência curiosa ou o cheiro inesperado não substituem a identificação segura da espécie, e o consumo sem confirmação técnica deve ser evitado.

Mas reconhecer essas plantas, e entender por que universidades e órgãos públicos dedicam tempo a estudá-las, ajuda a enxergar a arborização urbana e os campos nativos como parte de um patrimônio vivo que segue, em boa parte, invisível para quem passa ao lado todos os dias.

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  • Mãe, empreendedora, educadora e apaixonada por plantas e animais. Suzana acredita que o cuidado e a empatia são as bases de qualquer desenvolvimento saudável. Formada em Administração e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, comanda sua própria loja (MF Feminina) e cuida de suas plantas. No Ellas Magazine, Suzana transforma sua vivência em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets, jardinagem, natureza e dicas de beleza.