Jardinagem & Cuidados
Essa planta batizada de asa-de-anjo enche a casa de perfume na primavera: veja os cuidados para o jasmim-estrela florir sem parar
Conhecida também como jasmim-asa-de-anjo, a espécie tropical pede poucos cuidados e recompensa com flores brancas em forma de estrela do fim da primavera ao verão.
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1 hora atrásem
Por
Mel Maria
Existe uma planta que viajou de um arquipélago no meio do Pacífico até virar presença comum em varandas de apartamento no Brasil, e poucas pessoas sabem disso quando param para sentir o perfume dela pela janela. O jasmim-estrela, também chamado de jasmim-asa-de-anjo, é essa planta.
O Jasminum nitidum tem origem no Arquipélago Bismarck, no Pacífico, uma região de ilhas vulcânicas próxima à Papua-Nova Guiné. De lá, a espécie se espalhou por jardins tropicais e subtropicais do mundo todo, e encontrou no clima brasileiro condições quase ideais para se desenvolver. Ela pertence à família Oleaceae, a mesma da oliveira e do jasmim-comum, o que explica o parentesco visual entre essas plantas: folhagem brilhante, ramos flexíveis e flores perfumadas.

O nome “asa-de-anjo” vem justamente do formato das pétalas, finas e alongadas, que se abrem como pequenas asas ao redor do centro amarelo da flor.
Características que ajudam a reconhecer a espécie
O jasmim-estrela tem porte arbustivo e semi-lenhoso, com ramos longos e pendentes que se ramificam bastante. Dependendo das condições de cultivo e do suporte disponível, ele pode se comportar como arbusto compacto ou esticar os ramos por vários metros, funcionando quase como trepadeira quando tem onde se apoiar.
As folhas são verde-escuras, brilhantes e coriáceas, com pontas afiadas e disposição oposta nos ramos. Já as flores nascem em cachos, principalmente na primavera e no verão, e escondem um detalhe que passa despercebido em quem só vê a planta já florida: os botões surgem em tom vinho, quase roxo, e só depois se abrem em um branco puro, com cinco pétalas estreitas e centro amarelo. Esse contraste entre o botão escuro e a flor clara é um dos traços mais bonitos da espécie e um bom motivo para fotografar a planta antes da abertura total das flores.
Uma espécie que também chamou atenção da pesquisa científica
Um levantamento conduzido pela Universidade Agrícola de Tamil Nadu, na Índia, avaliou sete espécies de jasmim pouco exploradas comercialmente e apontou o Jasminum nitidum como uma das mais promissoras entre elas. O motivo: a planta floresce o ano inteiro, mesmo fora da safra das espécies comerciais mais tradicionais, e seus botões mantêm boa qualidade por até 12 horas em temperatura ambiente e por até 60 horas quando armazenados refrigerados entre 7°C e 8°C. Isso coloca o jasmim-estrela como uma alternativa interessante inclusive para quem cultiva flores com fins comerciais, não apenas ornamentais.

É um dado que reforça algo que quem cultiva a planta já percebe na prática: ela floresce com uma regularidade que poucas espécies do gênero conseguem sustentar.
Como cultivar o jasmim-estrela em vaso
Luz. A planta precisa de sol direto durante algumas horas do dia para florescer bem. Em ambientes internos, o vaso deve ficar próximo a uma janela bem iluminada, recebendo luz por um período razoável ao longo do dia. Pouca luz resulta em folhagem bonita, mas floração fraca ou inexistente.
Substrato e adubação. O ideal é um substrato fértil, bem drenado e enriquecido com matéria orgânica. A adubação a cada dois meses, com fertilizante orgânico ou químico seguindo a recomendação do fabricante, ajuda a manter o vigor da planta e estimula novas floradas.
Rega. O solo deve permanecer sempre levemente úmido, sem encharcamento. Raízes encharcadas por longos períodos costumam ser a principal causa de problemas em vasos, então a atenção à drenagem do recipiente é tão importante quanto a frequência da rega em si.
Pragas e manutenção
O jasmim-estrela é resistente e exige pouca manutenção no dia a dia, mas não está imune a cochonilhas, pulgões e ácaros. Esses três costumam aparecer quando a planta passa por estresse hídrico ou fica em ambiente muito abafado, sem circulação de ar. Ao notar qualquer sinal de infestação, um inseticida natural ou específico para o problema costuma resolver rapidamente, sem necessidade de medidas mais drásticas.
Poda: quando fazer e por quê
A poda não é obrigatória, mas ajuda a controlar o tamanho da planta, estimular novas floradas e dar forma mais compacta aos ramos. O momento certo para podar é sempre depois da floração, removendo ramos mais velhos ou que já perderam vigor. Podar antes da florada compromete os cachos que estariam prestes a abrir.
Multiplicação: duas formas simples de propagar a planta
A estaquia é o método mais usado: corta-se um ramo semi-lenhoso de cerca de 15 centímetros, retiram-se as folhas da base e o ramo é plantado em substrato úmido e arenoso até enraizar.
A alporquia é uma alternativa um pouco mais trabalhosa, mas eficiente: faz-se um corte circular na casca de um ramo ainda na planta-mãe, envolve-se o local com musgo úmido e plástico, e espera-se o surgimento de raízes ali mesmo. Depois de enraizado, basta cortar o ramo abaixo das raízes e plantá-lo em um vaso próprio.
Por que vale a pena ter um jasmim-estrela em casa
Poucas plantas equilibram tão bem baixa exigência de cuidado e alto retorno sensorial. O jasmim-estrela floresce em cachos, perfuma o ambiente sem exagero e ainda carrega uma origem geográfica curiosa, que poucas pessoas conhecem quando compram a muda no viveiro. Para quem tem espaço limitado, é uma das poucas espécies capazes de entregar volume de floração em vaso sem exigir um jardim inteiro à disposição.
Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.
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