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Jardinagem & Cuidados

Louro-americano é um dos arbustos mais vistosos da América do Norte: veja como cultivar em vasos e jardins com flores abundantes

Nativo das montanhas dos Estados Unidos, o Kalmia latifolia conquistou jardins pelo mundo com sua floração intensa e um detalhe curioso: suas próprias flores lançam pólen nos insetos que pousam nelas.

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Louro-americano é um dos arbustos mais vistosos da América do Norte: veja como cultivar em vasos e jardins com flores abundantes

Existe um arbusto que resolveu um problema de polinização de um jeito que nenhuma outra planta que conheço resolveu: ele lança o próprio pólen em cima dos insetos que pousam nele. É o louro-americano, o Kalmia latifolia, e essa característica sozinha já bastaria para justificar um espaço dele em qualquer jardim.

Trabalho com plantas há anos e confesso que poucas espécies me surpreendem tanto quanto essa. Quando um inseto pousa em uma das flores, os estames, que estavam sob tensão, se soltam de repente e projetam o pólen a distâncias de até 15 centímetros. Foi um fenômeno tão intrigante que, na década de 1950, o físico Lyman Briggs, já aposentado do National Bureau of Standards dos Estados Unidos, dedicou uma série de experimentos só para entender a mecânica por trás desse movimento.

De onde vem essa planta

O louro-americano é nativo do leste da América do Norte, onde cresce espontaneamente em encostas de montanha e florestas, geralmente em solos ácidos e úmidos. Pertence à família Ericaceae, a mesma dos rododendros e das azaleias, o que explica muita coisa sobre suas exigências de cultivo, como veremos adiante.

louro-americano
Imagem: todd.boland

No Brasil, é conhecido também como louro-da-montanha, ouro-da-serra ou pau-de-colher. Nos Estados Unidos, virou símbolo estadual: é a flor oficial de Connecticut e da Pensilvânia, dois estados onde o arbusto forma densos aglomerados na paisagem natural. A madeira da planta, inclusive, já teve uso prático no passado, servindo para fabricar colheres, tigelas e engrenagens de relógios de madeira no início do século 19, o que dá origem a um dos seus apelidos populares.

Características que chamam atenção

É um arbusto perenifólio, ou seja, mantém as folhas o ano inteiro, sem perdê-las no outono ou inverno. Costuma alcançar entre 2 e 4 metros de altura, com folhas elípticas, verde-escuras e brilhantes, de textura levemente coriácea, parecidas às dos rododendros.

As flores nascem em inflorescências do tipo corimbo, na primavera e no início do verão, e variam entre o branco e o rosa, com um desenho em forma de estrela que faz cada flor parecer pintada à mão. É essa combinação de floração abundante com folhagem persistente que torna o louro-americano tão procurado para paisagismo em climas de inverno frio, onde poucas espécies mantêm verde o jardim durante os meses mais rigorosos.

Um alerta importante antes de plantar

Toda parte do louro-americano contém grayanotoxina e arbutina, substâncias tóxicas para seres humanos e para diversos animais, incluindo cães, gatos, cavalos, cabras e bovinos. Folhas, flores, ramos e até o pólen carregam essas toxinas, e há registros de mel produzido a partir do néctar dessa planta que também ficou contaminado, causando sintomas neurológicos e gastrointestinais em quem consumiu.

Isso não significa que a planta deva ser descartada do projeto paisagístico. Significa apenas que, em casas com crianças pequenas, cães ou outros animais que costumam mastigar folhagens, vale posicionar o arbusto em áreas de acesso mais controlado do jardim, longe do alcance direto.

Como cultivar o louro-americano

Luz

O ideal é oferecer luz indireta e abundante, evitando o sol direto nos horários mais quentes do dia. Uma estratégia que costumo recomendar é plantar sob a copa de árvores caducifólias, que garantem sombra parcial no verão e permitem a entrada de luz no inverno, quando perdem as folhas.

Substrato e pH

Assim como os rododendros e as azaleias, essa planta exige solo ácido, leve e bem drenado. Uma mistura equilibrada é terra vegetal, areia e turfa, na proporção de 2:1:1, mantendo o pH entre 4,5 e 5,5. Solos alcalinos ou calcários prejudicam seriamente o desenvolvimento da planta, e quando isso acontece, é possível corrigir com sulfato de alumínio ou enxofre agrícola.

Rega

O substrato precisa permanecer úmido, sem encharcamento. No verão, a rega costuma ser necessária a cada dois ou três dias, e no inverno esse intervalo pode se estender para cinco ou seis dias, sempre observando o clima local e a umidade real do solo antes de regar.

Adubação

Fertilizantes formulados para plantas acidófilas funcionam bem, aplicados a cada 15 ou 20 dias durante a primavera e o verão, período de crescimento ativo. No outono e no inverno, a planta entra em repouso vegetativo, e adubar nessa fase tende a fazer mais mal do que bem.

Poda

Não é obrigatória, mas ajuda a manter a forma do arbusto e a remover ramos secos ou doentes. O momento ideal é logo após a floração, usando uma tesoura afiada e higienizada, cortando sempre acima de um nó ou gema.

No paisagismo

O louro-americano rende bem tanto isolado, como peça de destaque em pátios e entradas, quanto em grupos, formando cercas-vivas informais ou maciços. Em local com sombra parcial, a folhagem tende a crescer mais aberta e a floração fica mais discreta, então, para quem busca uma explosão de flores, o equilíbrio entre luz e sombra faz toda diferença no resultado final.

Louro-americano é um dos arbustos mais vistosos da América do Norte: veja como cultivar em vasos e jardins com flores abundantes
Imagem: ncbotanicalgarden

Existem variedades naturais e cultivares selecionados com diferentes portes e tonalidades de flor, entre eles Kalmia latifolia ‘Angustata’, ‘Fuscata’, ‘Myrtifolia’ e ‘Polypetala’, cada um com particularidades de folha e floração que ampliam as possibilidades de uso paisagístico.

Poucas plantas conseguem unir beleza, resistência ao frio e um mecanismo de polinização tão incomum. O louro-americano é um daqueles arbustos que, uma vez que ganham espaço em um jardim, dificilmente passam despercebidos, seja pela cor das flores, seja pela história curiosa por trás delas.

  • Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
    Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.