Sabe aquela tarde em que você quer um filme com “poderes”, mas sem a correria de efeitos especiais e vilão que destrói a cidade inteira? Poderes Extraordinários (no original, Fast Color) é a escolha certa. O filme de ficção científica de 2018, dirigido por Julia Hart, aparece hoje na Sessão da Tarde e merece espaço na sua lista, principalmente se você gosta de histórias femininas, de laços entre mãe e filha e de um visual que parece pintura.
Já aviso: quem espera um herói de capa e soco no ar vai estranhar. Quem topa uma história de super-heroínas contada devagar, com silêncio, olhar e muita cor, vai se apaixonar.
Sobre o que é Poderes Extraordinários
A trama acompanha Ruth, vivida por Gugu Mbatha-Raw, uma mulher que vaga pelo meio-oeste americano em um futuro próximo. O cenário é seco, empoeirado, sem chuva há anos. Ruth sofre convulsões que provocam terremotos, e esse dom incontrolável faz dela alvo de agentes que querem capturá-la para estudos.
Em fuga, ela decide voltar para a fazenda onde cresceu, onde moram a mãe, Bo (Lorraine Toussaint), e a filha, Lila (Saniyya Sidney), que Ruth deixou para trás. É aí que o filme mostra a que veio: o grande conflito não está na perseguição, e sim no reencontro entre três mulheres que carregam o mesmo segredo e uma história cheia de mágoa.
Três gerações, um dom de família
A ideia mais bonita do roteiro, assinado por Julia Hart ao lado de Jordan Horowitz, é tratar o poder como herança. Ele passa de mãe para filha e se manifesta de formas diferentes em cada uma. Bo domina o dom com serenidade, Ruth ainda tropeça nele e Lila está descobrindo o que consegue fazer.
Dessa forma, a ficção científica vira uma metáfora fácil de entender. Quantas de nós já herdamos de mães e avós coisas que não sabíamos nomear, como força, medo, teimosia e talento? O filme coloca isso na tela com sensibilidade, sem precisar explicar demais.
Gugu Mbatha-Raw entrega tudo
Gugu Mbatha-Raw carrega o longa com uma atuação contida, cheia de cansaço e culpa. Ruth é uma mãe que se afastou por medo de machucar quem ama, e a atriz transmite isso em pequenos gestos. Lorraine Toussaint rouba cenas como a matriarca firme, e a jovem Saniyya Sidney faz de Lila uma menina curiosa e sem exageros.
O elenco ainda conta com David Strathairn, no papel do gentil Ellis, e Christopher Denham, como Bill, o homem que persegue Ruth. A química entre as três protagonistas sustenta o filme inteiro, e funciona.
Um visual que faz você parar de rolar o celular
Se tem um ponto alto aqui, é a estética. O filme brinca com cores para mostrar o que os poderes fazem, e as cenas em que a matéria se desfaz em partículas luminosas são de encher os olhos. Todo esse colorido contrasta com o tom árido da paisagem, e o contraste rende imagens dignas de feed do Pinterest.
A trilha e o ritmo acompanham a proposta: tudo é calmo, quase contemplativo. Aliás, essa calma é o que divide opiniões. Quem gosta de ação constante pode achar lento, porém quem curte um drama de ficção científica mais intimista vai aproveitar cada minuto dos 102 minutos de duração.
Vale a pena assistir?
Meu veredito: sim, e com gosto. Poderes Extraordinários é um daqueles filmes que a gente descobre por acaso e recomenda para a amiga no mesmo dia. A classificação indicativa é de 14 anos, o que combina com a temática mais séria, com trauma, perda e reconciliação.
O desfecho traz esperança e um respiro bonito para a história, sem entregar spoiler. Se quiser entender melhor cada detalhe depois, vale pesquisar as explicações sobre o final, que rendem boas conversas.

Suzana é mãe, empreendedora, educadora e apaixonada por animais. Formada em Administração e Pedagogia, leciona e dedica parte de sua rotina à proteção animal, além de comandar sua própria loja, a MF Feminina. No Ellas Magazine, assina os conteúdos sobre moda, beleza, comportamento, maternidade, pets e os mais variados temas do universo feminino.






