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Hyundai i20 Ultimate: vale a pena comprar? Hatch de visual polêmico faz 17 km/l na estrada e vem bem equipado, mas o preço pesa

Você viu a traseira do novo Hyundai i20 Ultimate e pensou “o que foi isso”? Bem-vinda ao clube. As lanternas estreitas do hatch lançado em junho viraram assunto obrigatório e ofuscaram todo o resto. Só que existe um carro inteiro por trás desse visual.
Ele faz 17 km/l na estrada, traz duas telas de 12,3 polegadas e assistências de condução avançadas para o segmento. A resposta curta para vale a pena comprar é sim, com uma condição: negociar o preço de R$ 139.990. Vamos aos detalhes.
Visual que divide opiniões da frente aos faróis
A dianteira do i20 traz iluminação em LED integrada de ponta a ponta, formando um desenho em “H”. A traseira segue a linha minimalista, com lanternas estreitas, e é ali que os críticos concentram o fogo.
Usável ou só para a passarela? Usável, desde que você goste de carro com opinião própria. Quem prefere o visual discreto vai levar um tempo para se acostumar. Quem busca personalidade encontra um design que faz o vizinho olhar duas vezes no estacionamento. Carro que gera debate já conquistou a atenção que muito lançamento morno nunca consegue.
Cabine com tela dupla e acabamento simples, porém bem feito
Por dentro, o i20 segue a nova identidade visual da Hyundai, com linhas ousadas. Na versão topo de linha, a combinação de tons claros e escuros deixa o ambiente mais moderno. O acabamento é simples, sem materiais macios ao toque, mas bem executado. Ninguém vai chamar a cabine de luxuosa, e ela também não precisa disso para funcionar bem.

O palco principal é o painel com duas telas de 12,3 polegadas lado a lado: uma para o quadro de instrumentos, outra para a central multimídia, com conexão sem fio para Android e Apple e interface de fácil operação. Logo abaixo, os comandos físicos do ar-condicionado digital ficam na vertical, o que permite ajustar a temperatura sem caçar botão na tela. O carregador de celular por indução tem superfície de borracha que mantém o aparelho na posição ideal de recarga, um detalhe que evita o smartphone dançando na primeira curva.
Espaço interno: entre-eixos de 2,58 m e porta-malas de 346 litros
Aqui o i20 dá um upgrade claro sobre o HB20. O entre-eixos de 2,58 metros acomoda melhor os ocupantes, inclusive no banco traseiro, onde compactos costumam apertar. Para 4,13 metros de comprimento, é uma distância generosa entre os eixos.
O porta-malas de 346 litros fica acima da média dos hatches compactos e se aproxima do volume de alguns SUVs. Na conta prática, a capacidade de carga é de 435 kg. Cinco adultos de 75 kg somam 375 kg e sobram 60 kg para bagagem, então a viagem em família com todos os lugares ocupados pede mala enxuta.
Suspensão bem acertada e freios a disco nas quatro rodas
É ao volante que o glow up em relação ao HB20 aparece. A nova plataforma trouxe uma posição de guiar mais ergonômica e um comportamento exemplar. As suspensões, com McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, foram muito bem acertadas. Elas entregam conforto sem prejudicar a dirigibilidade nem a estabilidade em curvas mais rápidas.
A nova arquitetura também trouxe freios a disco nas quatro rodas e freio de estacionamento eletrônico, itens que reforçam a sensação de segurança no dia a dia.
Pneus de perfil baixo e frente baixa: o que esperar em rua esburacada
A versão Ultimate calça pneus 205/50 R17, de perfil um pouco baixo. Em asfalto irregular, o impacto das rodas chega aos ocupantes e o incômodo aparece. A dianteira baixa também exige atenção para não raspar o assoalho em valetas mais fundas.
Se a sua rotina inclui buraco, lombada e rampa de garagem, faça o test-drive justamente nesse tipo de trajeto. É ali que a vida real do carro começa.
Motor 1.0 turbo de 115 cv rende mais do que a ficha sugere
O motor 1.0 turbo flex é o mesmo de HB20 e Creta e perdeu potência recentemente, de 120 cv para 115 cv, para se adequar às leis de emissões e aos benefícios fiscais. Na ficha técnica, parece pouco. Na rua, o motorista se surpreende ao pisar no acelerador em arrancadas e retomadas.

Os números ajudam a entender. O torque de 17,5 kgfm aparece cedo, a 1.500 rpm, e o carro pesa 1.205 kg, o que resulta em cerca de 10,5 kg para cada cavalo. O motor trabalha mais “cheio” na faixa dos 3.000 rpm e, nas rodovias, acompanha carros mais potentes com pouco esforço. O câmbio automático de seis marchas e a tração dianteira completam o conjunto. Nos dados oficiais, o 0 a 100 km/h leva 11,7 segundos e a velocidade máxima é de 184 km/h. Na planilha, discreto. No asfalto, competente.
Consumo: 17 km/l na estrada e 10 km/l na cidade
Sem nenhum tipo de eletrificação, o i20 mantém o consumo comedido. Na avaliação, a média com gasolina na cidade ficou quase sempre em 10 km/l no trânsito de São Paulo. Na estrada, o hatch fez 17 km/l com três adultos, duas crianças, porta-malas cheio e quase nenhuma preocupação em economizar.
Comparando com o Inmetro, a rodovia superou o número oficial de 14,3 km/l com gasolina em quase 3 km/l. Na cidade, os 10 km/l ficaram abaixo dos 12,6 km/l oficiais. Com etanol, os índices do Inmetro são de 8,8 km/l no ciclo urbano e 10,1 km/l no ciclo de estrada. Com o tanque de 50 litros, a conta de padaria indica cerca de 850 km de autonomia na estrada e 500 km na cidade, usando as médias medidas com gasolina.
Ficha técnica do Hyundai i20 Ultimate
- Motor: dianteiro, transversal, três cilindros, 1.0 turbo, duplo comando de 12 válvulas com variação na admissão e no escape, acionamento por corrente, flex. Dividido com HB20 e Creta.
- Potência: 115 cv a 6.000 rpm. Cinco cavalos a menos que antes, sem perder a disposição.
- Torque: 17,5 kgfm a 1.500 rpm. Força disponível cedo, o que explica as boas retomadas.
- Câmbio e tração: automático de 6 marchas, tração dianteira.
- Direção: elétrica.
- Suspensão: McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. Responsável pelo equilíbrio entre conforto e estabilidade.
- Freios: discos ventilados na frente e sólidos atrás, com ABS e EBD. Disco nas quatro rodas.
- Rodas e pneus: liga leve de 17 polegadas, 205/50 R17. Visual esportivo, mas sensível a buracos.
- Dimensões: 4,13 m de comprimento, 1,78 m de largura, 1,50 m de altura e 2,58 m de entre-eixos. O entre-eixos generoso rende espaço a bordo.
- Peso em ordem de marcha: 1.205 kg. Leve o suficiente para o motor 1.0 turbo render bem.
- Porta-malas: 346 litros. Acima da média dos hatches compactos.
- Capacidade de carga: 435 kg. Cinco adultos ocupam boa parte dela.
- Tanque: 50 litros. Base para a autonomia de viagem.
- Desempenho: 0 a 100 km/h em 11,7 s e máxima de 184 km/h.
- Consumo Inmetro (etanol/gasolina): 8,8 km/l e 12,6 km/l na cidade; 10,1 km/l e 14,3 km/l na estrada.
Hyundai i20 Ultimate vale a pena comprar?
Vale, quando se olha o que o carro entrega como produto: bom nível de equipamentos, assistências de condução (ADAS) avançadas para o segmento, motorização eficiente e boa dirigibilidade. O ponto sensível é o preço. A tabela marca R$ 139.990 (setembro de 2026), e a unidade testada custava R$ 141.690, uma diferença de R$ 1.700. Para os pobres mortais que precisam financiar, é conta que pede calculadora, ainda mais em um mercado cada vez mais exigente por SUVs e por carros com alguma eletrificação.
Entre os pontos fortes estão o desempenho, o baixo consumo, a suspensão, o pacote de equipamentos e as assistências de condução. Do outro lado ficam o preço pouco competitivo, os pneus de perfil baixo que sofrem com a buraqueira, a dianteira que raspa com facilidade, o visual polêmico e a ausência de opção eletrificada. Logo, o i20 Ultimate fecha bem com quem prioriza dinâmica, tecnologia e economia na estrada, e pede negociação firme na concessionária para ficar realmente competitivo.
Agora a pergunta que não quer calar: a traseira do i20 é ousadia genial ou surto coletivo do design?







