Jardinagem & Cuidados
Maranta Pavão: por que essa planta abre e fecha as folhas como se estivesse “rezando”?
Entenda a ciência por trás do movimento noturno das folhas e aprenda o passo a passo para cultivar a Calathea makoyana em casa
Publicado
4 semanas atrásem
Por
Mel Maria
Toda noite, sem que ninguém perceba, existe uma planta erguendo suas folhas em silêncio dentro de milhares de casas brasileiras. Ao amanhecer, ela as abre de novo, como se retomasse a rotina do dia. Esse movimento tem nome, tem função biológica e é uma das razões pelas quais a Maranta Pavão conquistou tantos admiradores nos últimos anos.
Como jardineira, recebo com frequência clientes encantados com essa espécie, mas curiosos sobre um detalhe que poucos sabem explicar: por que as folhas se mexem sozinhas? A resposta está ligada à origem da planta e ao ambiente em que ela evoluiu, e entender isso muda completamente a forma como cuidamos dela em casa.
Uma origem mais específica do que parece
A Maranta Pavão, cujo nome científico atual é Goeppertia makoyana (antes classificada como Calathea makoyana), pertence à família Marantaceae. Ela é nativa da Mata Atlântica do Espírito Santo, no leste do Brasil, onde cresce sob o dossel de florestas tropicais úmidas e sombreadas. Essa origem explica praticamente tudo sobre suas exigências de cultivo: luz filtrada, umidade constante e temperatura estável.

A troca do gênero Calathea para Goeppertia aconteceu em 2012, depois de estudos que reorganizaram a família Marantaceae com base em características genéticas. No comércio de plantas, o nome antigo ainda é o mais usado, mas vale saber que cientificamente a espécie já mudou de endereço taxonômico.
O movimento que intriga até quem cultiva há anos
O balanço das folhas, que sobem à noite e se abrem durante o dia, chama-se nictinastia. Ele acontece por causa de uma estrutura chamada pulvino, localizada na base de cada folha, que controla a pressão da água nas células e movimenta o limbo foliar. Esse mecanismo reduz a perda de água durante a noite e otimiza a captação de luz durante o dia, uma adaptação que a planta desenvolveu ao longo de milhões de anos na floresta.
Na prática, esse detalhe funciona como um termômetro de saúde. Uma Maranta Pavão que continua abrindo e fechando as folhas normalmente está confortável com a rotina de rega e luz. Quando esse ritmo trava ou as folhas ficam permanentemente enroladas, é sinal de que algo no ambiente precisa de ajuste.
A espécie também recebeu o Award of Garden Merit da Royal Horticultural Society, reconhecimento dado a plantas com desempenho ornamental consistente, e é classificada como não tóxica para cães e gatos, o que amplia bastante o público que pode cultivá-la sem receio.
Luz indireta, o equilíbrio que ela pede

A Maranta Pavão prefere luz indireta e filtrada, nunca sol direto. Em ambientes internos, o ideal é posicioná-la próxima a uma janela que receba claridade sem exposição direta aos raios solares por longos períodos. Pouca luz atrasa o crescimento e apaga o contraste entre as manchas verdes e o fundo claro da folha, enquanto sol direto queima o tecido foliar em poucas horas.
Substrato e drenagem, a base de tudo
Um substrato rico em matéria orgânica, leve e levemente ácido sustenta o crescimento saudável da planta. Uma mistura equilibrada combina terra vegetal, húmus de minhoca e areia grossa, com adição de casca de pinus ou carvão vegetal para melhorar a aeração das raízes. A drenagem eficiente evita o apodrecimento do rizoma, ponto de origem de novas folhas e principal reserva de energia da planta.
Rega e umidade, o ponto que mais derruba iniciantes
Mantenha o substrato sempre levemente úmido, sem encharcamento. A folhagem é sensível ao contato direto com água, então regue pela base ou pelas bordas do vaso, evitando molhar o limbo foliar. No inverno, reduza a frequência, já que o metabolismo da planta desacelera nessa estação.
A umidade do ar também importa tanto quanto a rega. Ambientes muito secos favorecem o surgimento de pontas ressecadas e atraem ácaros, um dos problemas mais comuns nessa espécie. Borrifar água nas proximidades, sem molhar diretamente as folhas, ou usar uma bandeja com pedras e água ajuda a elevar a umidade relativa ao redor da planta.
Adubação sazonal, sem exageros
Durante a primavera e o verão, um adubo líquido balanceado para plantas ornamentais, aplicado uma vez por mês, sustenta o crescimento de novas folhas. No outono e no inverno, a planta entra em um ritmo mais lento e dispensa fertilização, que nessa fase pode até acumular sais no substrato e prejudicar as raízes.
Multiplicando a coleção
A Maranta Pavão se propaga por divisão do rizoma, geralmente durante a troca de vaso na primavera. Separar touceiras maiores em porções menores, cada uma com raízes e algumas folhas, é a forma mais simples de originar novas mudas sem comprar sementes ou depender de estufa.
Cultivar essa espécie é, de certa forma, aprender a observar. As folhas contam, em tempo real, se algo está certo ou errado no ambiente, e isso transforma o cuidado diário em um exercício de atenção que vai muito além da rotina de regar e adubar. Quem se acostuma a esse ritmo acaba enxergando a planta como companhia, não apenas como decoração.
Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.
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