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Jardinagem & Cuidados

Maranta zebrina: por que essa espécie da Mata Atlântica ganhou premiação internacional e conquistou quem cultiva em casa

Nativa das florestas brasileiras, a espécie reclassificada como Goeppertia zebrina fecha as folhas ao anoitecer e se adapta bem a ambientes com pouca luz

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Maranta zebrina: por que essa espécie da Mata Atlântica ganhou premiação internacional e conquistou quem cultiva em casa

Toda vez que alguém entra na Mel Garden e vê uma maranta zebrina pela primeira vez, a reação é quase sempre a mesma: um segundo de silêncio e depois a pergunta “essa listra é natural?”. É natural, sim, e é exatamente esse desenho que fez dessa planta brasileira uma das espécies mais procuradas por quem gosta de folhagem com personalidade.

A maranta zebrina, cujo nome científico atual é Goeppertia zebrina, passou por uma reclassificação botânica nos últimos anos. Ela era conhecida como Calathea zebrina, e ainda aparece assim em muitos catálogos e lojas, mas os estudos de taxonomia moveram boa parte do antigo gênero Calathea para o gênero Goeppertia. Na prática, para quem cultiva em casa, isso não muda nada no dia a dia da planta. Mas é um dado que vale conhecer, porque explica por que você vai encontrar os dois nomes em vendas e artigos diferentes.

Uma planta genuinamente brasileira

Diferente do que muita gente pensa, a maranta zebrina não é uma espécie qualquer da América do Sul. Ela é endêmica do Brasil, típica da Mata Atlântica no sudeste do país, onde cresce no chão das florestas densas, protegida da luz direta pelas copas das árvores altas. Essa origem explica quase todo o comportamento da planta em cultivo doméstico: ela vem de um ambiente sombreado, úmido e com temperatura estável, e é isso que ela vai continuar buscando dentro da sua casa.

Maranta zebrina: por que essa espécie da Mata Atlântica ganhou premiação internacional e conquistou quem cultiva em casa
Imagem: spagnholplantas

Essa característica de espécie nativa também deu à maranta zebrina um reconhecimento pouco comentado: ela recebeu o Award of Garden Merit da Royal Horticultural Society, uma das instituições de jardinagem mais respeitadas do mundo. É um selo dado a plantas que se destacam por beleza, resistência e facilidade de cultivo, e coloca a espécie brasileira ao lado de plantas premiadas em coleções botânicas de referência internacional.

O movimento que intriga quem cultiva pela primeira vez

O que mais chama atenção em quem cultiva a maranta zebrina pela primeira vez não são só as listras. É o movimento das folhas. Durante o dia, elas se abrem para captar o máximo de luz possível, e ao entardecer se recolhem, quase como se a planta estivesse indo dormir. Esse comportamento tem nome na botânica: nictinastia, um movimento regulado por um relógio biológico interno da planta, ligado à variação de luz e temperatura ao longo do dia.

Boa parte das espécies da família Marantaceae, que reúne mais de 500 espécies tropicais, apresenta esse mesmo padrão. É por isso que muita gente também chama esse grupo de “plantas-oração”, pela forma como as folhas se erguem no final do dia, como se estivessem em posição de reza.

As folhas grandes e ovaladas, que costumam medir entre 15 e 30 centímetros, ainda trazem outro contraste interessante: verde-escuro com listras claras na parte de cima, e um tom arroxeado por baixo, visível quando a planta se movimenta ou quando a folha é levantada. É esse jogo de cores que faz da maranta zebrina uma escolha tão usada em composições de jardim de sombra e em vasos decorativos dentro de casa.

Cultivo: o que realmente importa

Trabalhando com plantas todos os dias, reparo que a maioria dos problemas com a maranta zebrina vem de excesso de zelo, não de negligência. As pessoas regam demais ou colocam a planta perto de uma janela com sol direto pensando em ajudar, e é exatamente o oposto do que ela precisa.

Maranta zebrina: por que essa espécie da Mata Atlântica ganhou premiação internacional e conquistou quem cultiva em casa
Imagem: golkhune.nafas

Substrato: prefira uma mistura leve e bem drenada, com terra vegetal, húmus de minhoca e areia ou perlita. Substrato compactado retém água em excesso e favorece o apodrecimento das raízes, que é a principal causa de morte dessa espécie em ambiente doméstico.

Luz: luz indireta e filtrada é a regra. Um ambiente perto de uma janela protegida por cortina, ou um cômodo com boa luminosidade natural sem sol direto, funciona bem. Sol forte queima as folhas e desbota o padrão de listras, que é justamente o que torna a planta atraente.

Rega: regue quando a superfície do substrato estiver seca ao toque, evitando acúmulo de água no prato do vaso. Água em temperatura ambiente e sem cloro em excesso ajuda bastante. Borrifar as folhas em dias secos aumenta a umidade do ar ao redor da planta, algo que ela aprecia por vir de um ambiente de floresta úmida.

Adubação: um adubo orgânico ou mineral diluído, aplicado a cada 15 ou 30 dias durante primavera e verão, sustenta o crescimento nas estações em que a planta está mais ativa. No inverno, o ideal é reduzir ou suspender a adubação.

Multiplicando a planta em casa

A propagação mais simples é por divisão de rizoma. Retira-se a planta do vaso, separam-se as porções do rizoma com cuidado, garantindo que cada parte tenha ao menos um broto e algumas raízes, e planta-se cada divisão em vaso próprio com substrato rico em matéria orgânica.

A estaquia é uma alternativa quando não há rizomas disponíveis, embora exija mais paciência. Corta-se um pedaço do caule com cerca de 10 centímetros, retiram-se as folhas da base, e planta-se em substrato úmido, protegido do sol direto até o enraizamento.

Por que ela continua conquistando espaço

Em um momento em que cada vez mais gente cultiva plantas dentro de apartamentos pequenos, com pouca luz natural e rotina apertada para cuidados complexos, a maranta zebrina resolve um problema real: entrega visual exuberante sem exigir estrutura de jardim ou luz abundante. Ela é prova de que uma planta nativa brasileira pode competir de igual para igual com espécies importadas quando o assunto é decoração de interiores, e ainda carrega a vantagem de estar adaptada ao clima do país onde a maioria de nós vive.

Quem já tem uma em casa sabe: o movimento diário das folhas transforma o cultivo em algo quase contemplativo, uma pausa pequena no meio da rotina para notar que a planta, literalmente, está acompanhando o ritmo do dia.

  • Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
    Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.