Jardinagem & Cuidados
Orquídea capuz de freira: como cuidar da terrestre mais fácil de cultivar
Nativa de pântanos da Ásia e da Oceania, essa orquídea terrestre perdoa esquecimentos e recompensa com até 25 flores por haste.
Publicado
4 semanas atrásem
Por
Mel Maria
Tem uma orquídea na minha floricultura que os clientes sempre param para perguntar o nome duas vezes, porque acham que ouviram errado. Capuz de freira. E o curioso é que ela nem é a mais difícil de cuidar. Pelo contrário: entre as orquídeas terrestres, a Phaius tankervilleae é considerada uma das mais tolerantes a erros de iniciante.
O apelido vem do formato da flor. As pétalas se fecham sobre o labelo criando um contorno que lembra o hábito usado por freiras, com a parte externa clara e o interior em tons mais escuros. Já o nome científico carrega uma homenagem pouco conhecida: Lady Emma Tankerville, colecionadora britânica de plantas exóticas do século 18, esposa do quarto Conde de Tankerville. A espécie foi batizada em sua honra depois que ela cultivou exemplares vindos da Ásia em sua propriedade na Inglaterra.
Na natureza, a planta ocupa áreas alagadas e úmidas de países como Índia, China, Malásia, Filipinas, Indonésia e Austrália, muitas vezes em altitudes acima de 1.000 metros. O gênero Phaius reúne cerca de 50 espécies espalhadas por regiões tropicais, incluindo Madagascar e o leste da África, o que explica a resistência da planta a variações de clima quando cultivada fora do habitat original.
Características que ajudam no reconhecimento
É uma planta terrestre, perene, com pseudobulbos ovoides que armazenam água e nutrientes, e folhas grandes, plissadas e coriáceas que nascem direto do solo. A altura costuma ficar entre 40 e 50 centímetros, mas a haste floral pode ultrapassar isso e se projetar bem acima da folhagem, carregando até 25 flores em uma única inflorescência.

Cada flor tem a face externa clara e o labelo em tons de rosa, vermelho ou roxo, com um perfume suave que se espalha pelo ambiente nos dias mais quentes. A floração dura entre duas e três semanas, um tempo generoso se comparado a outras orquídeas ornamentais.
Época de floração
O período mais comum é o final do inverno e o início da primavera, quando a queda de temperatura e a redução da umidade funcionam como um gatilho natural para a planta. Em cultivo doméstico, com boas condições de luz e adubação, é possível ver florações fora dessa janela, embora a primavera continue sendo a época de pico.
O vaso e o substrato que ela pede
Ela se adapta bem tanto ao plantio direto no solo quanto ao cultivo em vasos, contanto que a drenagem seja eficiente. Uso uma mistura de terra vegetal, casca de pinus e um pouco de material fibroso, o suficiente para reter umidade sem encharcar as raízes. Vasos largos e não muito fundos funcionam melhor, porque acompanham o crescimento lateral dos pseudobulbos ao longo das estações.
Luz e ventilação

Sombra parcial é a regra. O sol direto nas horas mais quentes queima as folhas e compromete a aparência da planta, mesmo sem impedir a floração. Prefiro posicionar meus exemplares perto de janelas com luz indireta forte ou sob uma tela de sombreamento que retenha cerca de 30% da radiação. Circulação de ar ajuda a prevenir fungos, mas correntes de ar frio direto devem ser evitadas, especialmente abaixo de 5°C.
Rega e adubação ao longo do ano
A umidade constante é importante, mas o encharcamento é o principal erro que vejo entre quem começa a cultivar essa espécie. Regas mais frequentes no verão, reduzidas no inverno, mantêm o equilíbrio que a planta precisa. Na primavera e no verão, quando o crescimento está ativo, um fertilizante balanceado para orquídeas aplicado a cada 15 dias sustenta tanto o desenvolvimento vegetativo quanto a floração seguinte.
Multiplicando novas mudas

A propagação mais simples é por divisão dos rizomas, feita logo após a floração. Cada muda separada precisa levar ao menos três pseudobulbos para se estabelecer bem no novo vaso. Também é possível multiplicar por sementes em substrato esterilizado, mas esse caminho exige mais tempo e controle de condições, sendo mais comum em viveiros especializados do que em cultivo doméstico.
Um dado que gosto de compartilhar com quem visita a floricultura: em algumas regiões tropicais, quando plantada diretamente no solo e sem manejo, essa orquídea pode se naturalizar e se espalhar com facilidade, prova de como sua rusticidade vai além do vaso. É esse mesmo vigor que torna a capuz de freira uma porta de entrada tranquila para quem quer sair das orquídeas mais comuns e experimentar uma espécie terrestre sem medo de errar.
Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.
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