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Jardinagem & Cuidados

Plantas rezadeiras: os principais tipos de maranta e o segredo por trás das folhas que se dobram à noite

Conheça os principais tipos de maranta, da tricolor à araruta, e veja como cultivar essas plantas rezadeiras em casa com poucos cuidados.

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Plantas rezadeiras: os principais tipos de maranta e o segredo por trás das folhas que se dobram à noite

Toda noite, sem exceção, existe uma planta na minha loja que se move sozinha. As folhas sobem, se dobram para cima e ficam paradas naquela posição até o sol voltar a nascer. Quem vê pela primeira vez costuma achar que ela está doente.

Na verdade, é exatamente o contrário: esse movimento é um sinal de que a planta está funcionando como deveria. Estou falando da maranta, uma das plantas de interior mais procuradas nos últimos anos, e que reúne espécies com personalidades bem diferentes entre si.

A família das plantas que rezam

As marantas pertencem à família Marantaceae e dividem esse comportamento noturno com parentes próximas, como as calateias e as ctenanthes. O nome científico do fenômeno é nictinastia, palavra que vem do grego e significa, literalmente, “fechar durante a noite”. A explicação por trás disso é mais interessante do que parece. Na base de cada folha existe uma pequena estrutura chamada pulvino, que funciona como uma dobradiça viva.

Plantas rezadeiras: os principais tipos de maranta e o segredo por trás das folhas que se dobram à noite
Imagem: nathmezzalira

Ao longo do dia, células dentro do pulvino absorvem água e mantêm a folha aberta, captando o máximo de luz possível. Quando a noite chega, essas mesmas células liberam água e a folha se ergue, num movimento que ajuda a planta a reduzir a perda de umidade e a se proteger do relento.

Esse comportamento não é exclusividade da maranta. Faz parte de uma resposta que a planta desenvolveu ao longo de milhares de anos vivendo sob a copa de árvores maiores, em florestas tropicais da América do Sul e da América Central, onde a luz chega filtrada e a umidade é praticamente constante. Entender essa origem ajuda a explicar quase tudo sobre como cuidar dela em casa.

Os tipos de maranta mais cultivados

Entre as dezenas de espécies existentes, algumas se destacam pela facilidade de cultivo e pela beleza das folhas.

A Maranta leuconeura, também chamada de maranta-tricolor ou maranta-pavão, é a mais popular entre elas.

tipos de maranta

Suas folhas verde-escuras, marcadas por manchas rosadas e nervuras esbranquiçadas, formam um dos padrões mais fotografados entre as plantas de interior.

A Maranta arundinacea, conhecida como araruta, tem uma particularidade que foge do universo puramente ornamental: seus rizomas produzem um amido comestível, usado há séculos na culinária e ainda hoje presente na indústria alimentícia.

tipos de maranta
Imagem: plantropicalnew

As folhas são verde-claras, com manchas escuras e nervuras claras bem marcadas.

A Maranta bicolor, ou maranta-pena-de-pavão, exibe folhas verdes salpicadas de branco e vermelho, um contraste que a torna ideal para vasos suspensos ou como forração em arranjos maiores.

Plantas rezadeiras: os principais tipos de maranta e o segredo por trás das folhas que se dobram à noite
Imagem: ooljee_works

Já a Maranta kerchoveana, apelidada de maranta-rabo-de-macaco, tem folhas verdes com manchas escuras que lembram pegadas e nervuras num tom rosado sutil.

tipos de maranta
Imagem: yordan_avd

É considerada uma das mais resistentes do grupo, o que a torna uma boa porta de entrada para quem está começando a cultivar a espécie.

Luz, água e substrato: o trio que define o sucesso

Todas essas espécies compartilham exigências parecidas, herdadas do ambiente de floresta onde nasceram. Prefira um local claro, mas sem sol direto batendo nas folhas, já que a insolação forte queima o tecido e desbota as cores que tornam a planta tão atraente. Ambientes muito escuros também prejudicam, deixando a folhagem opaca e menos vibrante.

Na rega, o objetivo é manter o substrato levemente úmido, nunca encharcado. Espere a superfície secar antes de regar novamente e evite deixar água acumulada no prato do vaso, o que costuma apodrecer as raízes com facilidade. Use água em temperatura ambiente e, se possível, evite molhar diretamente as folhas.

Quanto ao substrato, um solo rico em matéria orgânica e bem drenado faz toda a diferença. Uma mistura de terra vegetal, areia e húmus de minhoca costuma funcionar bem na maioria dos casos.

Adubação e cuidados contra pragas

As marantas não são plantas exigentes em nutrientes, mas respondem bem a uma adubação orgânica a cada dois meses, com torta de mamona, farinha de ossos ou húmus de minhoca. Já em relação a pragas, fique atenta a cochonilhas, pulgões e ácaros, que costumam aparecer em ambientes muito secos. Óleo de neem e sabão de coco diluído em água resolvem a maioria dos casos sem precisar recorrer a produtos químicos agressivos.

Doenças fúngicas também merecem atenção, principalmente quando o solo fica encharcado por muito tempo. Manter a drenagem em dia e evitar molhar as folhas reduz bastante o risco de manchas e apodrecimento.

No fim das contas, cultivar maranta é acompanhar um pequeno espetáculo diário dentro de casa. A planta avisa quando está incomodada, comemora quando está bem cuidada e, todas as noites, lembra a quem passa por perto de que existe muito mais movimento no reino vegetal do que os olhos costumam perceber à primeira vista.

  • Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
    Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.