Jardinagem & Cuidados
Plantas rezadeiras: os principais tipos de maranta e o segredo por trás das folhas que se dobram à noite
Conheça os principais tipos de maranta, da tricolor à araruta, e veja como cultivar essas plantas rezadeiras em casa com poucos cuidados.
Publicado
3 semanas atrásem
Por
Mel Maria
Toda noite, sem exceção, existe uma planta na minha loja que se move sozinha. As folhas sobem, se dobram para cima e ficam paradas naquela posição até o sol voltar a nascer. Quem vê pela primeira vez costuma achar que ela está doente.
Na verdade, é exatamente o contrário: esse movimento é um sinal de que a planta está funcionando como deveria. Estou falando da maranta, uma das plantas de interior mais procuradas nos últimos anos, e que reúne espécies com personalidades bem diferentes entre si.
A família das plantas que rezam
As marantas pertencem à família Marantaceae e dividem esse comportamento noturno com parentes próximas, como as calateias e as ctenanthes. O nome científico do fenômeno é nictinastia, palavra que vem do grego e significa, literalmente, “fechar durante a noite”. A explicação por trás disso é mais interessante do que parece. Na base de cada folha existe uma pequena estrutura chamada pulvino, que funciona como uma dobradiça viva.

Ao longo do dia, células dentro do pulvino absorvem água e mantêm a folha aberta, captando o máximo de luz possível. Quando a noite chega, essas mesmas células liberam água e a folha se ergue, num movimento que ajuda a planta a reduzir a perda de umidade e a se proteger do relento.
Esse comportamento não é exclusividade da maranta. Faz parte de uma resposta que a planta desenvolveu ao longo de milhares de anos vivendo sob a copa de árvores maiores, em florestas tropicais da América do Sul e da América Central, onde a luz chega filtrada e a umidade é praticamente constante. Entender essa origem ajuda a explicar quase tudo sobre como cuidar dela em casa.
Os tipos de maranta mais cultivados
Entre as dezenas de espécies existentes, algumas se destacam pela facilidade de cultivo e pela beleza das folhas.
A Maranta leuconeura, também chamada de maranta-tricolor ou maranta-pavão, é a mais popular entre elas.

Suas folhas verde-escuras, marcadas por manchas rosadas e nervuras esbranquiçadas, formam um dos padrões mais fotografados entre as plantas de interior.
A Maranta arundinacea, conhecida como araruta, tem uma particularidade que foge do universo puramente ornamental: seus rizomas produzem um amido comestível, usado há séculos na culinária e ainda hoje presente na indústria alimentícia.

As folhas são verde-claras, com manchas escuras e nervuras claras bem marcadas.
A Maranta bicolor, ou maranta-pena-de-pavão, exibe folhas verdes salpicadas de branco e vermelho, um contraste que a torna ideal para vasos suspensos ou como forração em arranjos maiores.

Já a Maranta kerchoveana, apelidada de maranta-rabo-de-macaco, tem folhas verdes com manchas escuras que lembram pegadas e nervuras num tom rosado sutil.

É considerada uma das mais resistentes do grupo, o que a torna uma boa porta de entrada para quem está começando a cultivar a espécie.
Luz, água e substrato: o trio que define o sucesso
Todas essas espécies compartilham exigências parecidas, herdadas do ambiente de floresta onde nasceram. Prefira um local claro, mas sem sol direto batendo nas folhas, já que a insolação forte queima o tecido e desbota as cores que tornam a planta tão atraente. Ambientes muito escuros também prejudicam, deixando a folhagem opaca e menos vibrante.
Na rega, o objetivo é manter o substrato levemente úmido, nunca encharcado. Espere a superfície secar antes de regar novamente e evite deixar água acumulada no prato do vaso, o que costuma apodrecer as raízes com facilidade. Use água em temperatura ambiente e, se possível, evite molhar diretamente as folhas.
Quanto ao substrato, um solo rico em matéria orgânica e bem drenado faz toda a diferença. Uma mistura de terra vegetal, areia e húmus de minhoca costuma funcionar bem na maioria dos casos.
Adubação e cuidados contra pragas
As marantas não são plantas exigentes em nutrientes, mas respondem bem a uma adubação orgânica a cada dois meses, com torta de mamona, farinha de ossos ou húmus de minhoca. Já em relação a pragas, fique atenta a cochonilhas, pulgões e ácaros, que costumam aparecer em ambientes muito secos. Óleo de neem e sabão de coco diluído em água resolvem a maioria dos casos sem precisar recorrer a produtos químicos agressivos.
Doenças fúngicas também merecem atenção, principalmente quando o solo fica encharcado por muito tempo. Manter a drenagem em dia e evitar molhar as folhas reduz bastante o risco de manchas e apodrecimento.
No fim das contas, cultivar maranta é acompanhar um pequeno espetáculo diário dentro de casa. A planta avisa quando está incomodada, comemora quando está bem cuidada e, todas as noites, lembra a quem passa por perto de que existe muito mais movimento no reino vegetal do que os olhos costumam perceber à primeira vista.
Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.
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